«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

O escritor António Lobo Antunes vai ser homenageado pela companhia francesa MC93, dirigida por Patrick Sommier, ao longo dos próximos seis meses, com a adaptação para teatro de nove dos seus romances e dois livros de crónicas. Não há memória da literatura de um único autor estar nos palcos de Paris tanto tempo e abranger tantas obras. No encerramento vão estar presentes dois actores portugueses, Maria de Medeiros e Luís Miguel Cintra e a peça será representada em língua portuguesa.



Os livros escolhidos são: Estado Civil, O Terceiro Livro de Crónicas, Exortação aos Crocodilos, O Esplendor de Portugal, Auto dos Danados, Tratado das Paixões da Alma, Cartas da Guerra, Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?, entre outros. 

LOBO ANTUNES DISSE:

Muitas vezes as coisas que nos tocam mais são aquelas que na altura em que estão a acontecer nem nos apercebemos.

Ninguém sabe o que é a morte, mas não faz muita diferença porque também nunca sabemos o que é a vida.


Ninguém é mais crédulo do que um desesperado.


A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz.


Nós não inventamos nada. Quando estamos a fazer um livro estamos a falar de nós mesmos. É você que está no livro, através daquelas vozes. Ou melhor, é apenas uma voz.


Por que é que havia de me sentir sozinho? Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão. E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois, eu e eu. Não me aborreço.


Quando se critica, estamos a julgar. Se julgarmos já não compreendemos, porque julgar implica condenar ou absolver.


Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a vaidade e a inveja. A inveja é um sentimento horrível. Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes. Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: «Quanto é que ele deixou?» O advogado respondeu: «Deixou tudo.» Ninguém é mais pobre do que os mortos.


Aprende-se a escrever, lendo. E também é necessária uma grande humildade face ao material da escrita. É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros.


Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.


O livro é um organismo que vive independente e surpreende-nos a cada passo. Um livro não se faz com ideias, faz-se com palavras. São as palavras que se geram umas às outras. E com trabalho.


A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.


Quem lê é a classe média.


Sinto uma consideração quase nula pelo que, em Portugal, se publica. Desgosta-me a infinidade de romances desonestos, entendendo por desonestidade não a falta de valor intrínseco óbvio (isso existe em toda a parte) mas a rede de lucro rápido através da banalização da vida. Livros reles de autores reles.


http://www.citador.pt/cact.php?&op=7&author=44&firstrec=20

13 comentários:

AC disse...

Acerca da notícia, fico contente pelo Lobo Antunes, pois por aqui não lhe dão o devido valor.
O post é grandito, mas li com tanto gosto que cheguei ao fim sem dar conta. O material está muito bem elaborado, Manuela! Parabéns!

Beijo :)

Beth/Lilás disse...

Nossa, o homem tem razão em muita coisa, mas no final ele deve ter magoado um bocado de gente que se acha bom escritor por aí em Portugal, mas eu posso concordar com ele, pelo menos aqui no Brasil, onde também vemos ótimos e novos escritores sem muita chance e a consagração de alguns que a mim não dizem nada.
um grande abraço carioca

BRANCAMAR disse...

Fico feliz, por um escritor que já teve muito do que merecia em vida, um escritor de eleição, mas que realmente sendo traduzido em tantas línguas e participado em tantos eventos internacionais, este é mais um lindísimo e merecidíssimo que o engrandece perante o mundo, porque realmente no nosso país nem todos compreendem a sua humanidade e o seu valor.

As citações são óptimas e muito inteligentes, como seria de esperar.

Beijos
Branca

Em@ disse...

Manú:
começo por dizer que me congratulo com a notícia e de que até gosto da escrita do A. Lobo Antunes.
Tenho é "pena" do seu mau feitio...
Muitas das coisas que ele diz, no excerto que aqui postaste, assenta-lhe que nem uma luva...;)
Beijo, Manú.

Luís Coelho disse...

Boa homenagem.
Espero que seja bem aceite e muito desenvolvida.
Agradeço a divulgação para o conhecimento deste autor.

manuel marques disse...

Definitivamente deixei de o ler,ele que me desculpe, mas mão o consigo entender.

Beijo Manú.

Nilce disse...

Frases muito inteligentes Manu.
O homem é "o cara". rsrs
Parabéns a ele. Bela postagem.
Elevemos os nossos.

Bjs no coração!

Nilce

Fatima disse...

Bjs minha querida!

Naty e Carlos disse...

"Nunca desista de uma amizade ou de um grande amor só porque a distância os separou; seja paciente com o sol e a lua pois quando se encontram formam um dos fenômenos mais belos do universo.
Bjs Naty

HSLO disse...

Bastante inteligente ele.

abraços
de luz e paz.

Hugo

as-nunes disse...

Eu tenho uma relação de afeição pelo escritor e como pensador entremeada com momentos de desmotivação pelo esforço que me impõe para o ler.

Quando consigo vencer a preguiça dou sempre por muito bem empregue esse esforço.
Ou seja, gosto de ler António Lobo Antunes.
Merecida homenagem.

AFRICA EM POESIA disse...

Manela
MAS QUANDO VIERES dIZ... VOU GOSTAR DE PASSEAR DE MOLICEIRO CONTIGO E DEPOIS NO HOTEL MOLICEIRO TOMARMOS O MELHOR CHÁ DE Aveiro

BEIJOS

Lúcia Soares disse...

Manu, adorei as frase e fui procurar a biografia dele.
Um psiquiatra e escritor deve ser no mínimo instigante.
Vou procurar por livros dele por aqui.
Realmente há livros e livros, escritores e escritores. Se lhe coube a homenagem, ele tem seu valor.
Beijo!