«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 19 de dezembro de 2009

BOA NOVA - ANTÓNIO NOBRE

Neste dia de céu limpo, mas muito frio, fui até à beira-mar. Gosto de passear na praia no Inverno e sentir em mim os raios de sol. Os caminhos levaram-me até Leça, de uma forma mais concreta até à Boa-Nova, onde na casa de Chá, feita por Siza Vieira, se tem pela frente o mar bravio, as ondas a desfazerem-se nas rochas e onde foi colocada uma placa, com uma quadra do poeta António Nobre. , foi dos primeiros livros de poesia que li.

"Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei ( foi esse o grande mal)
Alto castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!

Naquelas redondezas não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh, castelo tão alto! parecia
O território dum senhor feudal!

Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso conde,
Naquela idade em que se é conde assim..."



[Muito ousada para a época, a sua obra foi lida por alguns como nacionalista e tradicionalista, mas essas leituras estão hoje bastante relativizadas. Não se trata de uma obra solipsista e ensimesmada, antes de representar um universo interior e um Portugal que epitomizam o sujeito finissecular e que expressam uma crise de valores que em breve, historicamente, há-de trazer mudanças de vulto. E é sobretudo, como já se esboçou atrás, uma das pedras de toque na gestação do sujeito moderno: a memória não permite recuperar o que se perdeu, os heróis parecem condenados à derrota, e Narciso tornou-se uma figura deceptiva; em lugar dessa felicidade perdida, o poeta visionário ergue a forma possível de resistência à ruína – a edificação da Obra, assegurando a permanência do seu nome e a do país que com tanta subtileza soube retratar.]

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Sem palavras.
Beijos.

Maria disse...

E que saudades eu tenho de tomar um café na Boa-Nova, com o mar em frente.
Boas memórias me trouxeste...

Beijo