«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 12 de dezembro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RÍDICULAS, NÃO SERIAM CARTAS DE AMOR SE NÃO FOSSEM RÍDICULAS

CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920

Bebezinho do Nininho-ninho:
Oh!Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.Oh! O Nininho é pequenininho!Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. (desenho de uma meia) (isto é a meia das cinco e meia). Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?Jinhos, jinhos e mais jinhos.
Fernando.
















[Foi o poeta Carlos Queirós,num número especial da Presença de homenagem a Fernando Pessoa, que deu a conhecer os amores de Fernando Pessoa por Ofélia Queirós, sua tia. Publicando nesse número diversas cartas de amor de Pessoa escritas a Ofélia.]
Foram escritas por Fernando Pessoa e aprovadas pelo «sisudo» Álvaro de Campos
na poesia:
Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

[Quando as cartas de amor rídiculas foram editadas, fiquei bastante surpreendida, nunca imaginaria Fernando Pessoa a escrever esse género de cartas! Nada percebo de psicologia, a não ser da «barata», daquela que todos consideram saber...
Carência de amor maternal? Sentir-se miúdo pelo afecto de uma mulher?
E assim podia continuar???????????????????????????????????? Com interrogações, até gostaria de conversar sobre isto com um grande pessoano, ie um grande estudioso de Pessoa!.. ]

6 comentários:

G I L B E R T O disse...

Manuela, Manuela!!!

Sempre nos surpreendendo com novas facetas no blog, e em Pessoa... Maravilha isso, reliquia!

Grato!

Vir aqui é ter mais cultura!

Graça Pereira disse...

"Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor, é que são ridículas." Estou de acordo!
Pessoa é tão surpreendente que..talvez tivesse tido uma paixão pela Ofélia. Tal como tu gostaria de saber muita coisa e deixo as mesmas ??????? Quem poderá responder?
Um beijo,minha querida!
Graça

Alexandre da Fonseca disse...

BOA NOITE!! SEMPRE ADORO VISITAR SEU BLOG, E QUE VOCÊ TENHA UM ÓTIMO DOMINGO..BJS

Maria Josefa Paias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Paula Sena disse...

Olá, Manuela :)

Adorei ler esta carta de amor ridícula. O ridículo das cartas de amor atesta o amor de Pessoa por Ofélia. Como todas as histórias de amor, esta parece-nos, a um só tempo, estranha e fascinante.

Bom, isto sou eu a psicanalisar sem qualquer pretensão, mas dado que a primeira relação de afecto que criamos é com a mãe ou com quem de nós cuida, logo depois de nascermos... sendo aí nós uns verdadeiros bebés, faz algum sentido utilizar a linguagem própria dessa fase da vida, recuperando no amor adulto essa dimensão inesquecível da afectividade vivida na infância. Daí o "bebezinho", adorável na sua improbabilidade, ao ser escrito e sentido por um adulto.

Sei que há estudos sérios sobre o assunto, mas não tenho presentes as referências. No entanto, há também edições dessas cartas com notas e comentários bastante elucidativos.
Pessoa é sempre um tema cativante e inesgotável.

Um beijinho e um bom domingo :))

Maria disse...

Ridículas ou não, as cartas de amor são como o ar que precisamos, para respirar...

Um beijo, Manuela