«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 31 de janeiro de 2010

PARA QUEM GOSTA DE DORMIR...

Política, política, política...É algo que me enoja, mas não consigo abstrair-me...Tenho aqui abusado da política e muito mais me apetecia dizer, mas...Ontem tive um dia problemático, com final feliz e hoje dormi quase até ao meio-dia...e estou bem disposta!...


Dormir só ou acompanhada?

Estudos publicados pela New Scientist, revelam que para dormir bem, o melhor é separado!?.. Dormir acompanhado pode reduzir as capacidades mentais, no dia seguinte as pessoas estão rabugentas e stressadas.

Há vários inconvenientes dormindo acompanhada...o ressonar/roncar que dá a ideia de se estar no zoo! Depois de manhã a conversa é sempre a mesma!
-Levaste toda a noite a ressonar!..
-Quem? Eu? E tu!?...
Uma vez cheguei a pôr um gravador debaixo da cama!..
(Se dormirmos juntos no mesmo quarto, o ressonar também perturba na mesma, cheguei a ter um vizinho que se ouvia de um andar para o outro)
No Inverno também há inconvenientes, a roupa sobra de um lado e falta no outro!..
E quando se está com insónia? Que chatice, se está frio não apetece sair da cama, se não está o levantar é assumir o não-sono e então é que ele vai! E uma pessoa fica ali quietinha, com uma vontade imensa de andar a virar-se de um lado para o outro!
E há outras coisas, claro!?.. Eu sou capaz de falar a dormir e ele responde, começa a fazer perguntas e eu naquele estado de dormência respondo e vou acordando, a confusão na minha cabeça é um caos!?...
Os sonhos também são complicados e se o sonho se manifesta realmente, pode ser uma decepção, suponhamos que um sonho com o Cloney e o outro com a Angeline…rsrsrsrsrs…
Ou que estou a ser roubada? Enche-o de bofetadas…eu também já levei algumas!..
Alguém já sonhou que estava a esganar um parceiro e acordou com os gritos da mulher!?...
Enfim…o romantismo às vezes precisa de um descanso…e dormir é tão bom!?...
EU DURMO ACOMPANHADA!...

sábado, 30 de janeiro de 2010

«ÀS VEZES, SINTO QUE SOU VÁRIAS PESSOAS» - AMÉLIA MUGE



Amélia Muge editou CD-LIVRO «UMA AUTORA 202 CANÇÕES»

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ORÇAMENTO DE ESTADO


Há dias que eu ando a ouvir falar do Orçamento de Estado!...
Depois de difíceis conversações do primeiro-ministro com os partidos, obviamente que chegaram a um consenso!..Quem estaria interessado em que o Governo caísse? Só se fosse o PS!?...
Nestas negociações a esquerda pôs-se logo de fora, o BE pela opção do Governo em aumentar a receita com o recurso a mais privatizações, em vez de tributar as mais-valias bolsistas, para financiar a política social e o PCP, pela opção de congelar salários e não existir projecto de aumento de protecção aos desempregados.
NÃO AO OE.
Quanto à direita o CDS, levou uma série de propostas, mas acabou por aceitar, o reforço na Saúde da contratualização com as misericórdias e a simplificação do PRODER na Agricultura. O PSD, seguindo as palavras de Cavaco, considerou que o importante era travar o endividamento do país, com esse objectivo conseguiu um sinal de correcção da trajectória da economia, no sentido do combate ao desequilíbrio das contas públicas. (Como?) ABSTENÇÃO (Manuela Ferreira Leite ficou como líder do PSD, até à discussão do orçamento e depois sai, outro líder surgirá para limpar a imagem do partido)
O orçamento foi entregue com todo o cerimonial à Assembleia da República e agora vão-se perder uns dias em debate na especialidade! (Para quê? Claro para seguir os trâmites constitucionais, embora já se saiba os resultados finais! Exercício de retórica.)
SINTETICAMENTE, O ESSENCIAL DO OE:

-CORTE RADICAL PARA CONTER DÉFICE HISTÓRICO 9,3% (RECORDE NAS CONTAS PÚBLICAS NA ERA DO EURO), POR UM AUMENTO ZERO QUE PERMITIRÁ POUPAR 400 MILHÕES
(TODOS SABEMOS QUE O GOVERNO GASTA MAIS DO QUE PODE E ABUSA DO CARTÃO DE CRÉDITO!?...)

FUNÇÃO PÚBLICA FICA COM OS SALÁRIOS CONGELADOS
(SERÁ QUE PRESIDENTES DE CÂMARA, DEPUTADOS, SUB-SECRETÁRIOS, SECRETÁRIOS, ASSESSORES, MINISTROS, ADMINISTRADORES E DIRECTORES DA FUNÇÃO PÚBLICA, ETC…ETC…VÃO TER UM CONGELAMENTO NOS SEUS SALÁRIOS E MORDOMIAS?)

PENSÕES ANTECIPADAS LEVAM O CORTE QUE ESTAVA PREVISTO PARA 2014
(A CORTAR É SEMPRE NAS PRESTAÇÕES SOCIAIS E VAMOS LÁ A VER COMO SERÁ COM OS IMPOSTOS!..)

AUMENTO DE PORTAGENS
(UMA BOA MANEIRA DE ENTRAR NO BOLSO!)

DESEMPREGO (9,5%), VAI AUMENTAR !...
(O GOVERNO QUE NO ANO PASSADO «DESPEDIU» CERCA DE 70.000, VAI CONTINUAR A MESMA POLÍTICA. HÁ PESSOAL A MAIS, SOMOS DOS PAÍSES COM MAIS PESO ORÇAMENTAL NESTE VECTOR E QUEM OS CONTRATOU?).
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

GUERRA JUNQUEIRO DISSE...


«Um povo imbecilizado, resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A MULHER MAIS PODEROSA DE PORTUGAL...

A mulher mais poderosa de Portugal é angolana - Pedro Santos Guerreiro

Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas. Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.
O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências. Os angolanos são entronizados em Portugal.
Dizem que detesta ser tratada como "a filha de José Eduardo dos Santos". Pela maneira como está a afirmar-se em Portugal, um dia trataremos o Presidente de Angola como "o pai de Isabel dos Santos". É a nova accionista da Zon. E de muitas outras empresas. Uma atrás da outra, todas lhe estendem tapetes. Tapetes verdes, da cor do dinheiro.
A mulher mais rica de Portugal, segundo a "Exame", é Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, com uma fortuna de 731 milhões de euros. Não tem metade do poder de Isabel dos Santos. E tem apenas uma fracção do seu dinheiro: só na Galp, BPI, Zon e BESA, a empresária angolana tem quase dois mil milhões de euros. Fora o resto.
A lista dos dez mais ricos de Portugal está aliás cheia de pessoas que fazem negócios com a família dos Santos. Américo Amorim é sócio de Isabel na Galp e no Banco BIC. Belmiro de Azevedo, segundo foi noticiado, quer ser parceiro de distribuição em Angola. O Grupo Espírito Santo tem interesses imobiliários, nos diamantes, na banca. Salvador Caetano tem concessões. O Coronel Luís Silva acaba de fechar negócio para vender acções da Zon a Isabel dos Santos. Zon onde João Pereira Coutinho e Joe Berardo são accionistas.
Da lista dos mais ricos, só a família Mello e Soares dos Santos estão "fora" da geografia. O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências. Soares dos Santos foi o único a assumir publicamente o desdém pelos níveis de corrupção de Angola.
Isabel dos Santos é accionista da Zon e sócia da PT. É accionista do BPI e sócia do BES. É accionista da Galp e a Sonangol é parceira da EDP. A empresária garante que não tem relações com as actividades do seu pai e da estatal Sonangol. Identificando todos os interesses em causa, as relações de sociedades portuguesas alargam-se ainda à Caixa, Totta, BPN e Mota-Engil. Dá um índice bolsista.
O que faz com que tantas empresas portuguesas implorem para fazer negócios com Isabel dos Santos? E que Isabel "jogue" em equipas rivais, concorrentes confessos em Portugal, sem um pestanejo? Só uma coisa consegue tanto unanimismo: o dinheiro. A liquidez angolana, que desapareceu de Portugal. A contrapartida de acesso ao crescente mercado angolano. Os portugueses não abrem os braços a Isabel dos Santos, abrem-lhe as carteiras - estão vazias.
O casamento entre angolanos e portugueses tem as prioridades do das famílias feudais: o interesse está primeiro, o amor virá depois, se vier. E o interesse é recíproco: os angolanos são entronizados em Portugal e na Europa; os portugueses são-no em Angola e em África. Não há equívocos, há dinheiro.
Os últimos dois grandes negócios de Isabel dos Santos em Portugal, no BPI em 2008 e na Zon em 2009, tiveram uma curiosidade cabalística: ambos foram fechados na terceira semana de Dezembro, ambos de 10%, ambos por 164 milhões. Na Zon, pagou um prémio de 26% sobre a cotação. Comprou caro? Comprou mais barato que os accionistas que estão na empresa. Comprou bem.
Isabel e José Eduardo construíram um poder tão ramificado em empresas portuguesas que só o Estado e Grupo Espírito Santo os ultrapassarão. Tanta concentração de poder é mais ameaçadora do que uma nacionalidade. Em Portugal, Isabel e José Eduardo não são Santos da casa mas fazem milagres.
Fonte: Jornal de negócios

MARIA DO CÉU CONCEIÇÃO


A Universidade do Porto vai receber hoje, às 18h30, no Salão Nobre da Reitoria, a portuguesa galardoada com o prémio Mulher do Ano 2009, no Dubai, pelo seu enorme trabalho desenvolvido junto das famílias mais carenciadas de Dhaka, capital do Bangladesh.
Maria Conceição é uma hospedeira de bordo que reside no Dubai há algum tempo. Numa das inúmeras viagens que fez, Maria ficou a conhecer Dhaka e ficou sensibilizada com o nível de pobreza existente na capital. Em 2005, cria um pequeno grupo humanitário, o Dhaka Project. Esta iniciativa que vive essencialmente de voluntariado, rapidamente ganhou alguma notoriedade não só no Bangladesh, como no Dubai. Em pouco tempo, o Dhaka Project dava auxílio a mais de 600 crianças. Em 2007, Maria recebeu o prémio European Union Woman´s Inventors and Innovators Network. O ano passado, foi considerada a Mulher do Ano no Dubai pelo seu enorme trabalho nos bairros mais pobres de Dhaka. Neste início de 2010, Maria do Céu Conceição vem à Universidade do Porto falar sobre o voluntariado e o novo projecto que está agora a desenvolver. O Catalyst tem como objectivo permitir às crianças de Dhaka continuarem na escola. Para conseguir isso, Maria abriu uma escola destinada a ensinar Inglês aos pais das crianças com o objectivo de lhes conferir uma ferramenta que lhes possibilite o acesso ao mercado de trabalho não só no Bangladesh mas também e especialmente nos Emirados Árabes Unidos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

LEMBRANDO MOZART....





Wolfgang Amadeus Mozart (27 de Janeiro de 1756 – 5 de Dezembro de 1791) foi um compositor prolífico e influente do período clássico, autor de mais de 600 obras - muitas tidas como referências da música sinfônica, concertante, operática, coral, pianística e de câmara - e um dos compositores de música clássica mais populares de todos os tempos.

O QUE SE PASSA NO HAITI, AO JEITO DE CHAVEZ!?...


Es verdaderamente indignante el perfil noticioso de las grandes agencias de información en el doloroso caso de Haití. Hablan, con cínico asombro, de una Haití devastada, cuando la devastación no reviste novedad alguna para el sufrido pueblo haitiano, cuando la devastación ha sido producida precisamente por la intervención imperialista y la imposición del capitalismo más depredador sobre ese hermano país del Caribe. Además, como parte integral de la estrategia intervencionista, tratan de vendernos la imagen de una muy “humanitaria” misión estadounidense. Tan “humanitaria” es que lleva un muy pesado cargamento de marines, no precisamente preparados en operaciones de rescate. ¡Son tropas entrenadas para invadir, para matar!
La realidad es que las tropas gringas controlan hoy el territorio haitiano. Han tomado el Palacio de Gobierno, el Palacio Legislativo y controlan el aeropuerto internacional a su antojo.
Y mientras un grupo de naciones soberanas luchamos por incrementar la ayuda humanitaria, el empeño del Comando Sur se afinca en el incremento de la presencia militar del Imperio.
Estamos ante una manifestación del contraataque imperial sobre América Latina y El Caribe. Una triangulación fatal se gesta entre Colombia, Honduras y la ocupada Haití. Tres versiones de la nueva estrategia de intervención yanqui en suelo nuestroamericano.
La patria de Toussaint L'Ouverture sufre un nuevo capítulo de dolor, miseria y abandono. Pero en esta hora aciaga, el pueblo haitiano está demostrando su coraje y su dignidad: allí está el luminoso ejemplo de los batallones de rescatistas, que se han constituido espontáneamente y que han protagonizado ya muchas operaciones de rescate y salvamento; allí está el no menos luminoso ejemplo de abnegación de los médicos haitianos formados en Cuba.
Nuestro hermano Álvaro García Linera, vicepresidente de la indetenible Bolivia, que hoy celebra un segundo mandato del gran Evo Morales, puso los puntos sobre las íes al denunciar a la fuerza invasora gringa “que no salva vidas, que no lleva alimentos, que no levanta los escombros, que no recoge cadáveres, sino que simplemente está ahí para hacer una presencia militar, y nuestro temor es que esa presencia militar quiera convertirse en permanente”.

SAMPAT PAL DEVI

SAMPAT PAL DEVI

Lidera um grupo, do qual fazem parte centenas de mulheres, todas vestidas com saris cor-de-rosa, que perseguem as autoridades corruptas, armadas com paus e machados. Já bateram
em homens que abandonaram ou bateram nas suas mulheres e denunciaram práticas corruptas na distribuição de comida aos pobres.
Este grupo, não se alia a partidos políticos e organizações não-governamentais porque segundo diz Sampat,«eles estão sempre à espera de obter alguma coisa em troca quando oferecem ajuda financeira. Ninguém nos ajuda. As autoridades e a polícia são corruptas e são contra os pobres. Então, às vezes temos de fazer justiça com as nossas mãos. Noutras situações, preferimos envergonhar os malfeitores».
Estas mulheres são de Banda, uma das áreas mais pobres da Índia, onde é preponderante a
pobreza e a discriminação, numa sociedade de castas e dominada pelos homens. Na Índia são comuns os dotes e a violência doméstica e sexual.
Curiosamente têm aliados homens, não são feministas, já devolveram meninas que foram expulsas de casa aos maridos, porque «as mulheres precisam dos homens», mas discutem temas como casamento infantil, mortes associadas a dotes, falta d’água, subsídios agrícolas e desvio de verbas. Não querem doações ou esmolas, querem trabalho e dignidade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RIFÃO QUOTIDIANO - MÁRIO HENRIQUE-LEIRIA

Tinham apagado as luzes. As pessoas estavam suspensas. Um foco de luz acendeu-se. Ele entrou de roldão, de grande sobretudo, descalço, umas botas enormes na mão. As pessoas de imediato riram, as pessoas de antemão estavam conquistadas! De história a história o entusiasmo era crescente e ele fixava as pessoas, com aquele seu jeito de cumplicidade «malandra», e fixou-a. O foco de luz caiu sobre ela, corou! Sentiu-se mal em destaque e com aquele casaco às flores. Sentia-se saída da «aldeia da roupa branca», às flores! De olhos fixos ele disse-lhe:


Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha

e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece

às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

MÁRIO VIEGAS disse: CONTOS DE GIN-TÓNICO, de Mário Henrique Leiria.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

TECNOLOGIA E MERCADO SEMPRE EM CIMA DO ACONTECIMENTO...

GENE KELLY



RECORDAR ASTAIRE, GINGER ROGERS, GENE KELLY...

Fred Astaire, foi sem dúvida um grande bailarino, que foi admirado por lendas da dança do século XX: George Balanchine, Mikhail Baryshnikov, Margot Fonteyn, Bob Fosse, Gregory Hines, Rudolph Nureyev, Michael Jackson, Janet Jackson e Bill Robinson. Balanchine descreveu-o como «o mais interessante, o mais inventivo, o mais elegante». Para Baryshnikov era: «um génio ... um bailarino clássico como eu nunca vi na minha vida».
Astaire foi nomeado o quinto Greatest Male Star of All Time pelo American Film Institute.

FRED ASTAIRE (1899 - 1987)

Dotado, desde a infância, de um grande talento, Fred Astaire, cujo verdadeiro nome era Frederick Austerlitz, triunfou nos cenários da Broadway e alcançou fama internacional. O seu estilo caracterizava-se por uma peculiar agilidade, confirmada pelos seus evidentes dotes artísticos. Formou uma dupla frequente com Ginger Rogers em vários filmes (entre os quais Swing Time), e também com outras estrelas de renome, como Rita Hayworth. Em 1949, recebeu um Oscar especial pelas suas contribuições no âmbito do género musical.


GINGER ROGERS (Virginia Katherine McMath) - 1911-1995
Foi uma premiada actriz/dançarina/cantora do cinema e teatro.
Começou cedo a sua carreira e na década de 1930, conheceu Fred Astaire e com ele fez dez filmes musicais, tornando-se uma das suas mais célebres parceiras.
Em 1941, recebeu um Oscar de melhor actriz pelo seu papel dramático em Kitty Foyle. Fez quase 100 filmes entre musicais, comédias e dramas.

GENE KELLY (Eugene "Gene" Curran Kelly) - 1912 — 1996
Dançarino, actor, cantor, director, produtor e coreógrafo.
Iniciou bem cedo sua carreira na Broadway, com uma aparição no espectáculo «Leave It To Me», de Cole Porter.
Ao lado de Fred Astaire, Kelly foi um dos expoentes enquanto os Musicais eram o estilo preferido de Hollywood. O seu trabalho mais conhecido, verdadeiro clássico dos musicais, é «Serenara à Chuva», do qual também foi director.

(Os filmes de estes bailarinos passavam frequentemente na televisão em determinada época, vi-os fascinada pelas «proezas» fantásticas no campo da dança, porque relativamente ao argumento eram bem fraquinhos)

domingo, 24 de janeiro de 2010

DOMINGO DE SOL!...

Domingo com sol, um lindo dia que levou muita gente a tomar os caminhos para a beira-mar e eu também!..Domingo, não é o meu dia preferido para passear, mas nesta altura, um dia de sol, depois de tanta chuva é para aproveitar, amanhã até já pode estar a chover.!...


Eu ia à procura do «Bar Vermelho», um bar tipo barracão, castiço, «baldas», com revistas e jornais e com música salsa, dava uma ilusão de Varadero, só que coisas deste género foram destruídas e em sua substituição lá estão os rectângulos de metal envidraçados, figurino uniformizado.

Tive surpresas, nas praias que de Verão frequento, a Câmara de Matosinhos, fez umas obras dignas de registo. Independentemente de quem está ou não à frente das câmaras, para mim o trabalho feito é que atesta a competência.
Toda a zona de praias tem ligação com passadiços, protecção das dunas, à entrada de cada praia, chuveiros e lava-pés e, foram construídos grandes parques de estacionamento.





As pessoas levaram as suas crianças (afinal ainda se faz crianças, seguindo o apelo do PR/CAVACO) ou os seus animais de estimação e para terminar esta «redacção» posso dizer que tudo estava muito feliz e eu também, de olhos postos no mar ou no livro, sentindo o sol forte, que até me fez transpirar. Fiz uma caminhada pelo passadiço de uma hora, limpei os pulmões e a cabeça e, também «namorei» qualquer coisa!...

JEAN SIMMONS ( 1929 — 2010)




RECORDANDO JEAN...

sábado, 23 de janeiro de 2010

SELOS

A ELAINE BARNES do Nas Asas da Coruja presenteou-me com este selo, as regras são as seguintes:
Cada Superior Scribbler (SS) deve passar o prémio para 5 amigos que tenham merecimento.#
Cada SS deve linkar o autor e nome do blog de quem ele recebeu o prémio.#
Cada SS deve exibir o prémio em seu blog e disponibilizar o link no post que explica o prémio.#
Cada SS é convidado a visitar o post que explica a atribuição do prémio e adicionar o seu nome à lista de link.#
Cada SS deve colocar essas regras no seu blog.
O que acontece é que eu sou uma quebra-regras e como todos os blogues que eu sigo, por uma razão ou outra são importantes e têm todo o merecimento, não posso seleccionar 5, porque estaria a ser injusta para os outros!..Desculpas Elaine de estragar o jogo? Aliás eu recomendo que não me dêem selos com estas regras, OK?



A MARIA, do blogue «Cheiro da Ilha», foi tão gentil, que me disse vai ao blogue e pega nos selos que quiseres, estão à disposição de todos!...Eu peguei neste porque achei giro e agora que ele é meu, podem pegar se quiserem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

COMO CAÍ NESTE MUNDO...













Nasci fruto de um segundo casamento dos meus pais, os dois tinham enviuvado devido aos seus parceiros terem contraído a pneumónica. Quando nasci o meu pai tinha 52 anos e 2 filhos homens, um deles seria pai, pela mesma altura que eu nasci, portanto tenho um sobrinho da minha idade. A minha mãe tinha 35 anos e uma filha de 10 anos do anterior casamento. Eu apareci e foi o reboliço familiar. Os meus irmãos pediram a sua parte na herança e foram para o Brasil e eu nunca os conheci. O lado da família do primeiro marido da minha mãe também não me aceitou, mas a minha irmã viveu sempre connosco e só tem a dizer maravilhas do padrasto, que sempre tratou por pai. Eu já não tinha avós, a minha irmã tinha avós e uma tia solteirona, mas eu nem lhes podia chamar avôs, nem tia, sempre me disseram que eles não eram meus, eles não queriam esse tratamento e eu já nem sei como os tratava, à tia ainda chamava pelo nome, a eles não devia chamar nada e mesmo em convívio pouco falava com eles. Sempre que ia lá a casa o que eu gostava era de estar com a empregada e brincar com o cão, o Suite. Essa família da minha irmã protegia-a bastante e todos os anos levavam-na a passar férias, mas recordando eu não me importava muito, creio que preferia ficar com os meus pais. Existiam outros familiares dos meus pais, umas tias e uns primos, essa era a minha família, mas também não era a de maior convivência. Os meus pais deram-me uma infância muito boa. Sempre foram muito bons para mim. Para o meu pai, fui mesmo a menina do «papá» e o meu pai foi a pessoa mais excepcional que conheci na vida, aliás não só para mim, toda gente gostava muito do meu pai.
Muito mais tarde, o meu pai fez as pazes com os filhos, não sei, mas a iniciativa devia ter sido dele, porque era muito boa pessoa. Reataram correspondência. O que tinha ido para o Brasil já casado, sei que teve 4 filhos e era director da Coca-Cola, o outro casou lá com uma mulher rica, tinha uma empresa e teve dois filhos. O meu pai gostava de me mostrar as cartas, escrevia sobre mim nas cartas para eles, o seu desejo era uma aproximação. Um dia as minhas cunhadas vieram a Portugal e uma delas trouxe dois filhos. Eram todos muito simpáticos, mas depois de uns dias lá foram embora. Fiquei a corresponder-me com uma das minhas cunhadas. Passados mais uns anos, uns bons anos, o meu pai já tinha 80 anos, recebeu o convite de um dos filhos para ir ao Brasil. Esteve lá três meses, que foram o máximo para ele, de facto quando chegou cheio de fotografias e slides, a sua alegria era transbordante. Passados quatro anos o meu pai morreu, enviei um telegrama a comunicar, que não teve qualquer resposta. Nessa altura triste e desesperada pela morte do meu pai, rasguei as cartas todas e fiquei sem qualquer contacto, até hoje. Da parte deles também não recebi qualquer carta, realmente eu para eles não existia.
Isto sempre foi algo que me pesou, quando de vez enquanto pensava nisso, ter sido rejeitada por várias pessoas e ter irmãos que nunca conheci, a não ser por muito poucas fotografias antigas! Numa dessas fotografias vejo um indivíduo de boa aparência, sentado num banco de jardim, este tinha o nome de António, (diziam que eu era parecida com ele) o outro mais velho, chamava-se Alexandre e a visão que tenho é de um homem vestido de oficial do exército, com uma cara carrancuda. Estas são, as identidades que tenho, dos meus irmãos. Às vezes também penso, que contrariei o desejo do meu pai, de uma convivência, ao menos por escrito, mas na realidade nada podemos ser a quem não nos quer. Nunca fui ao Brasil e nem sei se um dia irei!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

OFERTA DA REGINA

Não tenho muita experiência nestas coisas!
Há regras: deixar um comentário a quem oferece e oferecê-lo a cinco blogues, com quem partilha tudo e também dizer o que é para si partilhar.

O que acontece é que eu partilho tudo com todos, mas evidentemente que uns mostram mais receptividade ao que eu escrevo, portanto são mais cúmplices da minha partilha e sendo assim aos mesmos vou endereçar este selo:

CAFÉ E BOLO
CANTO DE CONTAR CONTOS
NAS ASAS DA CORUJA
NEL MEZZO DEL CAMMIM
O MEU ACONCHEGO

Compartilhar o meu tempo, o meu mundo, os afectos, os interesses da vida, o variado leque de sentimentos, tudo que é possível compartilhar neste mundo virtual... compartilhar com verdade, com ternura, para também ter portas abertas no mundo e no pensamento de tanta pessoa fascinante, que escreve coisas maravilhosas e enternecedoras...

TÉDIO

O tédio... Pensar sem que se pense, com o cansaço de pensar; sentir sem que se sinta, com a angústia de sentir; não querer sem que se não queira, com a náusea de não querer - tudo isto está no tédio sem ser o tédio, nem é dele mais que uma paráfrase ou uma translação. E, na sensação directa, como se de sobre o fosso do castelo da alma se erguesse a ponte levadiça, nem restasse, entre o castelo e as terras, mais que o poder olhá-las sem as poder percorrer. Há um isolamento de nós em nós mesmos, mas um isolamento onde o que separa está estagnado como nós, água suja cercando o nosso desentendimento.


LIVRO DO DESASSOSSEGO - BERNARDO SOARES

AVATAR (JOÃO MONTENEGRO)

AVATAR, já ganhou um GLOBO DE OURO e possivelmente vai ganhar o ÓSCAR, são prémios à alta tecnologia. NÃO GOSTO DE FILMES DESTE GÉNERO.
A acção desenrola-se no meio de uma densa floresta habitada por seres indígenas do tempo do paleolítico humanóide. A preservação de Pandora – assim se designa a floresta – é o grande desafio para os habitantes deste território, que de repente, se viram invadidos por humanos. Em traços muito gerais, esta é a sinopse do filme “Avatar”, a mais recente obra de James Cameron, um sucesso de bilheteira.


Muitos desconhecerão, que por detrás da produção da floresta Pandora esteve João Montenegro, um antigo estudante de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), que juntamente com um grupo de pessoas esteve envolvido na criação dos efeitos especiais de “Avatar”. A trabalhar em Londres, na maior empresa de efeitos especiais europeia – a Framestore – João Montenegro tinha já colaborado no filme de animação “A Lenda de Despereaux”.
Apontado como um dos mais brilhantes filmes no domínio dos efeitos especiais, “Avatar” apresenta um conceito inovador, na opinião do antigo estudante da FEUP: A grande diferença está na quantidade e detalhe dos diferentes elementos virtuais em cena. Ter milhares de objectos completamente foto-realistas [em cena] faz toda a diferença do ponto de vista da produção e organização do trabalho. (…) É tudo gerado por computador”. “Eu trabalhei mais nos elementos militares dos humanos, dos quais quase nada é imagem real. A quantidade de coisas que têm que ser criadas e encaixadas numa só cena é tremenda. Há aspectos tecnológicos novos neste filme, como a forma como os movimentos dos actores foram captados (que produziu os melhores resultados de sempre, na minha opinião) e o facto de o filme ser em 3D estereoscopico, que trouxe desafios interessantes também”, revela João Montenegro.
RP/FEUP

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

CRÓNICAS DO ROCHEDO LANÇOU-ME O DESAFIO DE INDICAR CINCO MANIAS QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA

Quais são as minhas manias? Será que as reconheço? Posso dizer que tenho a mania de andar sempre de óculos escuros, com chuva ou com sol, nos centros comerciais e hipermercados, excepto à noite, também tenho a mania de me pentear antes de ir para a cama, de pregar sustos cá em casa, de considerar que ninguém gosta de mim (coitadinha!), de comer biscoito integral para não fumar…
Perguntei cá em casa que manias é que eu tenho, o meu marido disse logo «que tens sempre razão, «que sabes o que os outros pensam»…Pois, é o amor!...A minha filha riu-se e disse «deixa-me ver televisão»…estive para telefonar ao meu filho, mas este perguntar-me-ia possivelmente, se eu estava bem!?...

Fui à Wikipédia, também é uma mania (mal escrita e redigida) e estive a ler:
MANIA - figura da mitologia grega. UPA...não sabia e estudei mitologia?!...
Mania, palavra que vem do grego mania (loucura) é, para a Psiquiatria, o distúrbio mental caracterizado pela mudança exacerbada de humor, com alteração comportamental dirigido, em geral, para uma determinada ideia fixa e com síndrome de quadro psicótico grave e agudo, característico, embora não exclusivo (mania secundária), do Transtorno ou Distúrbio Bipolar e caracteriza-se por grande agitação, loquacidade, euforia, insónia, perda do senso crítico, grandiosidade, prodigalidade, exaltação da sexualidade e agressividade. UFFFFFF…É DEMAIS!...
A concepção vulgar, porém, trata como manias alguns hábitos que, entretanto, não são propriamente manias, em nada interferindo na vida individual ou social do indivíduo. Recebem este nome, por exemplo, alguns hábitos ou costumes caracterizados por alguma fixação, repetição exagerada de gestos, etc.
Assim está bem e depois de consultar a lista das manias, decidi pegar em algumas e improvisar outras, não peco pelo exagero, mas encaixo…

1 -agromania, tendência a solidão
2 - planomania, impulso de vagar livremente.
3 -melomania, gosto excessivo por música
4 – livromania, compra compulsiva de livros
5 – computamania, excesso de tempo no computador

Concluído o desafio, devo passá-lo a cinco blogues. Escolhi cinco blogs de amigos, mas não sei se já entraram nesta brincadeira e sem estão dispostos ao jogo. Aqui vão:

CAFÉ E BOLO
CANTO DE CONTAR CONTOS
NAS ASAS DA CORUJA
NEL MEZZO DEL CAMMIM
O CHEIRO DA ILHA


QUEREM ENTRAR NA BRINCADEIRA?
SE NÃO QUISEREM TUDO BEM!..

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O LAÇO BRANCO - MICHAEL HANEKE




Michael Haneke realizou um grande filme, com uma bela fotografia a preto e branco, sem banda sonora, para dar mais realismo e com um colectivo de intérpretes perfeitamente ajustados aos seus papeis. Um filme que é um «murro no estômago» e que me deixou desconfortável e com imensas questões no pensamento.


Tudo se passa numa pequena aldeia, o professor vai narrando ocorrências inexplicáveis, que vão acontecendo. O professor sabe o que ocorre, não sabe porquê e como não é da aldeia, parte no início da Primeira Guerra, sem qualquer esclarecimento sobre o que sucedeu e assim fica o espectador cheio de conjecturas.

A aldeia é dominada pela austera religião protestante, onde impera o medo, a moral rígida o pecado oculto e onde a pureza das crianças é manchada por uma moral imposta pelos adultos. Um dos aspectos que fascina neste filme são as crianças, a forma como convivem entre si neste meio, como convivem com os adultos, como estão sempre presentes e com pureza são subjugadas pelos «jogos» perigosos dos adultos. Os misteriosos acontecimentos começam quando o médico da aldeia tem um acidente perpretado, a que se seguem casos inexplicáveis, pois nem o narrador consegue descobrir para contar, nem os restantes personagens querem admitir o que se passa. E as suspeitas caem em todos: tanto nas crianças com os seus comportamentos «inocentes», como nos adultos com os seus «pecados» escondidos. E a juntar a isto surge a moral cruel, a exibição pública da culpa, muitas vezes sem razão. Um dos exemplos são os laços brancos, que são colocados na roupa de duas das crianças, para que eles se «lembrem» da inocência.
PRÉMIO PALMA DE OURO EM CANNES
GLOBO DE OURO DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ANDRADE

Dezasseis anos depois de ter sido criada, a Fundação Eugénio de Andrade está em vias de extinção. Confrontado com uma situação financeira insustentável, o Conselho Directivo da fundação enviou ao Governo, em meados de Dezembro, um pedido de extinção. A questão estará a ser analisada pela Presidência do Conselho de Ministros. De acordo com o jornal Público, a Fundação começou a receber, em 1997, um subsídio do Ministério da Cultura (era ministro Manuel Maria Carrilho) através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca, que terá oscilado entre os 12 mil e 19 mil euros anuais. No entanto, em 2005, quando a ministra Isabel Pires de Lima tomou posse, percebeu que não havia qualquer protocolo assinado e que o subsídio seria, então, ilegal. O cancelamento deste apoio veio contribuir para estrangular ainda mais a situação financeira da fundação que já se encontrava debilitada pela falência sucessiva dos distribuidores e do co-editor das obras do escritor falecido em 2005. A verdade é que a instituição tinha apenas direito a uma pequena percentagem dos direitos de autor e, uma vez que não tem qualquer outra fonte de rendimento para além do apoio da Câmara do Porto, a instituição encontra-se na falência.

TRISTE NOTÍCIA, ASSISTI LÁ A MUITOS RECITAIS DE POESIA. ASSIM SE PERDE UM LUGAR DE REFERÊNCIA E DE HOMENAGEM A UM GRANDE POETA, QUE VIVEU NAQUELA CASA OS SEUS ÚLTIMOS ANOS.


Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade


MAIS POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE EM: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v296.txt

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo.
(Frase dita no filme Bright Star)

John Keats (1795–1821). The Poetical Works of John Keats. 1884.

BRIGHT STAR - JANE CAMPION


BRIGHT star! would I were steadfast as thou art—

Not in lone splendour hung aloft the night,

And watching, with eternal lids apart,

Like Nature’s patient sleepless Eremite,

The moving waters at their priestlike task

Of pure ablution round earth’s human shores,

Or gazing on the new soft fallen mask

Of snow upon the mountains and the moors—

No—yet still steadfast, still unchangeable,

Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,

To feel for ever its soft fall and swell,

Awake for ever in a sweet unrest,

Still, still to hear her tender-taken breath,

And so live ever—or else swoon to death.


"Estrela Cintilante", não é só uma daquelas biografias históricas muito britânicas de irrepreensível reconstituição de época. Óbviamente que conta uma histórica verídica, com um tratamento ficcionado, a partir da pesquisa realizada por Andrew Motion, biógrafo do poeta. O filme foca a vida difícil de Keats, um dos grandes poetas românticos do princípio do século XIX e da sua paixão por Fanny Brawne, a sua jovem e arrebatada vizinha. Mas mostra com grande ênfase um «retrato de mulher» em que a realizadora é perita - uma jovem imperiosa e insegura ao mesmo tempo, à frente do seu tempo, moderna e determinada. "Estrela Cintilante" fala: do poder quase sagrado da palavra (escrita ou falada) para nos abrir portas, caminhos, janelas que nos mostram quem somos, quem podemos ser, quem queremos ser; da palavra poética como ponte espiritual entre as pessoas; do amor como experiência sensorial de uma transcendência inexplicável. Bright Star, é um poema em cinema. (Já estou a ver os anti-românticos a torcer o nariz!)


Jane Campion, realizadora neo-zelandesa, ficou conhecida principalmente pelo filme "O Piano" (1993), seguindo-se "Retrato de uma Senhora" (1996), "Fumo Sagrado" (1999) e "Atracção Perigosa" (2003). É uma realizadora, cujo percurso, tem sido de atenção às correntes subterrâneas das suas personagens e não à recepção comercial, os seus filmes não foram pensados para serem "blockbusters".



(PÚBLICO)

JOHN KEATS




GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI...

Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo

e vou descortinando a tua vida

na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos

[tranqüilos

Gosto quando me falas de ti... e então percebo

que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,

que ninguém te tocou, se

não o vento

que não deixa vestígios, e se vai

desfeito em carícias vãs...

Gosto quando me falas de ti...

quando aos poucos a luz

vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro

e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,

maduros,mas nunca mordidos antes da minha audácia.

Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas

em teus olhos descampados, sem emboscadas,

e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol

distendido,e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja [primeira curva

foi o nosso encontro.

Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te [desnudas

como uma criança, sem maldade,

e que eu cheguei justamente para acordar tua vida

que se desenrola inútil como um novelo

que nos cai no chão...
( Tradução de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965
)
( Biografia de John Keats : http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Keats)

domingo, 17 de janeiro de 2010

A QUEM INTERESSAR...


Terça 9 Fevereiro 2010 19:30, Sala Suggia - O Livro do Desassossego

Numa colaboração da Casa da Música com a Capital Europeia da Cultura em 2009, a cidade austríaca de Linz, o Remix Ensemble apresenta O Livro do Desassossego, um espectáculo cénico com música e vídeo de Michel van der Aa com base no incontornável texto de Pessoa. Filmado com laivos do universo sonoro português nos bairros de Lisboa que Pessoa percorria, o vídeo coabita com as palavras do poeta português na voz do actor João Reis e com a música a que o Remix Ensemble dá forma. Um espectáculo imperdível que estreia em Portugal depois de subir aos palcos de Linz e do Concertgebow de Amesterdão.

Remix Ensemble
Michel van der Aa -música, vídeo e direcção cénica
Ed Spanjaard - direcção musical
João Reis actor e Ana Moura em participação especial
(Colaboração LINZ09 Capital Europeia da Cultura e Orquestra Bruckner de Linz com Zaterdag Matinee, Concertgebow de Amesterdão e Casa da Música - estreia da versão em português)

ORION - KAIJA SAARIANO

Da compositora finlandesa, KAIJA SAARIANO, foi ontem apresentada a sua obra, ORION, em estreia nacional. A compositora estava presente e teve fortes aplausos.

Nascida em Helsink em 1952 e graduada em composição em 1980. Escreveu música eletrónica nos anos 80, fazendo também uma mistura com instrumentos clássicos. Tem sido muito bem recebida pelo público, apesar de não fazer concessões. A sua música lembra muito o som “New Age”, mas claro, muito superior.
Orion é uma obra orquestral escrita por alguém com grande domínio e talento.
Não sou muito receptiva à música contemporânea, não gosto de tudo, há mesmo músicas que mexem com o meu sistema nervoso, mas de facto esta obra é interessante e envolvente.

sábado, 16 de janeiro de 2010

EXCERTO DA SINFONIA Nº.1 «TITû DE MALHER

GUSTAVE MAHLER (1860 — 1911)

Hoje vou encontrar-me com Mahler, melhor dizendo com a Sinfonia nº 1, «Titã. A Casa da Música vai dedicar o ano 2010, à música austríaca e vai passar toda a obra de Malher. Tenho as 10 sinfonias (última incompleta), mas um concerto ao vivo é outra coisa!...Não conheço tão bem é a sua obra de Lieder, a não ser, Das Lied von der Erde.


Outro compositor austríaco que admiro é, Anton Bruckner (1824 — 1896), com quem Malher também privou e dele disse:
Nunca fui aluno de Bruckner. Todos pensavam que estudei com ele porque em meus dias de estudante em Viena era visto freqüentemente em sua companhia e por isso me incluíam entre seus primeiros discípulos. A disposição feliz de Bruckner e sua natureza infantil e confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade franca, espontânea. Naturalmente, a compreensão que obtive então de seus ideais não pode ter deixado de influenciar meu desenvolvimento como artista e como homem.
Para saber mais sobre estes compositores:

MONTES DE LIVROS!....

FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - PORTO

FEIRA DO LIVRO ATÉ AO DIA 28 DE JANEIRO.



DESDE 1 EURO!...

(Perdi-me por lá claro!...)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

WILHELM REICH - GÉNIO? LOUCO?

Wilhelm Reich, psicólogo revolucionário, defensor da Revolução Sexual, foi também precursor dos movimentos ecológicos, da psiquiatria biosocial e estudioso da cura do cancro e da diminuição dos efeitos negativos da energia nuclear. Durante anos, vários movimentos revolucionários recuperaram parte de sua obra, sobretudo os seus escritos sociopolíticos, seguindo a tese de que não há revolução social, sem revolução sexual. Reich reivindicou a função da sexualidade não como uma mera realização do coito, mas como a fusão com o outro. A vivência plena do amor e da sexualidade era vista por ele como factor indispensável para a satisfação emocional. A sua mais importante contribuição, foi provar que a neurose é produzida socialmente, instalando-se em todo o corpo e não apenas na mente das pessoas. No livro "A Função do Orgasmo", Reich escreve que o orgasmo sexual pleno e satisfatório é o regulador biológico da harmonia vital. Defendia que as neuroses eram provocadas pelos bloqueios à sexualidade e à afectividade, portanto um fenómeno sociopolítico.
Após a Revolução dos Cravos, apareceram os seus livros, alguns filmes e principalmente um livro, que muitos leram, «Escuta, Zé Ninguém».


“Ainda bem que o destino me concedeu até hoje uma vida limpa e sem ambições, que pude acompanhar o crescimento dos meus filhos, ouvir-lhes as primeiras palavras, vê-los mover-se, andar, brincar, fazer perguntas, assistir à sua, alegria; ainda bem que não deixei passar a Primavera sem a sentir, que pude gozar o vento ameno e o rumorejar dos regatos e o canto das aves; que não perdi o meu tempo em mexericos com os vizinhos, que amei a minha companheira e que senti correr no meu corpo o fluxo da vida; ainda bem que, mesmo em tempo de perturbação, não perdi o norte nem o sentido da vida. Pois que me foi possível escutar a voz que murmurava no meu íntimo: ‘Existe apenas uma única coisa que vale a pena: viver bem e alegremente a própria vida. Escuta a voz do teu coração, ainda que tenhas de afastar-te do caminho trilhado pelos timoratos. E não consintas que o sofrimento te torne duro e amargo.’ E assim, na quietude do cair da tarde, quando me sento na erva em frente de minha casa, depois de um dia de trabalho, com a minha mulher e os meus filhos, ouço no pulsar da natureza à minha volta a melodia do futuro: ‘Humanidade inteira, eu te abençoo e abraço.’ E desejaria então que a vida aprendesse a defender os seus direitos, que fosse possível modificar os espíritos duros e os medrosos, que só fazem troar os canhões porque a vida os desapontou. E quando o meu - filho instalado no meu colo me pergunta: ‘Pai, o sol desapareceu, para onde foi, achas que volta depressa?’, respondo-lhe: ‘Sim, filho, há-de voltar amanhã para nos aquecer.’”

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ÁRVORE GENEALÓGICA

Crónica do Luis Fernando Verissimo, filho do Erico Verissimo, que publica semanalmente na folha de S. Paulo.
- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá ! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
- Por quê ?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar ?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como ?
- Veruska...
- Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe !!!...
- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto... - Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska ?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem ?
- Da Bel.
- Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas.. -
Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que.. ?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f...

(Tem piada!?...Como andamos muito tensos com o Haiti e como me enviaram este mail, resolvi colocá-lo aqui. Não faço juízos de valor, mas tudo mudou!...Mentalizem-se!?...)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SISMO NO HAITI

O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, disse hoje à cadeia de televisão norte-americana CNN temer que o forte sismo que atingiu o seu país possa ter provocado «bastante mais de 100 000 mortos».
O sismo, de magnitude 7,0 na escala de Richter, abalou a ilha de Santo Domingo, ou Hispaniola, partilhada pelo Haiti e República Dominicana, fazendo ruir vários edifícios públicos, incluindo o Palácio. O sismo foi sentido também em Cuba, na Jamaica e Bahamas.
A Cruz Vermelha Internacional calcula em 3 milhões o número de pessoas afectadas pelo sismo.
Estas notícias sempre afectam muito, mesmo quem não está lá. Nestes acontecimentos fico sempre sem palavras, mas muitos cenários tristes e dramáticos me ocorrem ao pensamento.

BIODIVERSIDADE


Lince Ibérico uma das espécies em risco de desaparecer (no Algarve foram criadas instalações, para preservar esta espécie)

Em Berlim foi lançado o Ano Internacional da Biodiversidade e tem como objectivo a tomada de consciência por parte de todos os cidadãos, da importância de proteger animais e plantas, no meio onde vivem.
Esta iniciativa foi iniciada em 2006 pelas Nações Unidas, devido ao empobrecimento da biodiversidade, com o desaparecimento de milhares de espécies.
A Ministra do Ambiente, delineou programas com o objectivo de serem feitas acções de sensibilização, levando esta temática ao cidadão em geral e não ser só uma preocupação das elites técnicas.
O ritmo de empobrecimento é bastante acentuado e estão em risco de extinção, cerca de 34 mil espécies de plantas e 5200 espécies animais.
A ONU vai marcar o Ano Internacional da Biodiversidade, organizando duas conferências. Em Março no Qatar, vai ser realizada a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), no âmbito da qual vai ser publicada a «lista vermelha» das espécies ameaçadas, cuja comercialização é proibida. Em Outubro no Japão, realiza-se a 10ª. Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica.

PENSAR ANTES DE AGIR...

OS ESTÁDIOS DO EURO 2004, CONTINUAM A DAR QUE FALAR

Em tempos de crise, as autarquias de Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro e Loulé têm mais um problema: a factura dos estádios que foram construídos. Só em encargos com a banca, as seis câmaras pagam, por ano, mais de 13 milhões de euros. A frequência dos estádios é pouca ou nula, como no Estádio do Algarve. O Euro 2004 não trouxe retorno e agora tem que se pagar as dívidas! Mas porque é que os «iluminados» deste país, se metem em despesas e à grande, como se pudessem competir com outros países? Isto não poderá servir de lição para o futuro? É que na agenda já se prevêem obras de grande vulto e depois às consequências óbvias.

ÊXITO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS?


Vi uma reportagem dos despojos dos equipamentos, que iriam produzir energia através das ondas do mar. Isto foi muito falado, mas passados três anos da inauguração e de alguns milhões gastos, os destroços estão no Porto de Leixões. O acontecimento teve uma pomposa inauguração e teve discurso do Ministro Pinho, que disse que passados 20 anos, quando os outros países despertarem para a tecnologia, nós portugueses, estaremos «tu-cá-tu-lá» com o progresso e eles virão à Aguçadoura celebrar o facto de que foi ali que tudo começou (a Era da Modernidade). QUE PRESUNÇÃO!!!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O MEU AMIGO MANEL

(imagem: charquinho.weblog.com.pt/.../index0)

Em todos os sítios há um figurão, uns chamam-lhe tolinho, bêbado, marginal, drogado…O Manel encharca-se de álcool é verdade, e se o álcool é droga, fica drogado e faz disparates, também é mesmo um militante marginal. Todos gostam do Manel, ele «quase» não precisa de pedir, toda a gente lhe dá comida e de vestir. O Manel, não é agressivo, nem diz palavrões, mas é muito brincalhão, gosta de fazer partidas. Quando está com os copos, fala, fala e pouco se percebe. De vez enquanto desaparece, até já o deram como morto, mas acaba por regressar, bem vestido, cabelo cortado, barba feita…ele foge a sete pés de estar fechado e controlado. Ele gosta da rua, de dormir em qualquer lado, de beber uns copitos. Quando a sua linguagem é decifrável gosto de falar com ele, é sempre uma conversa de loucos. De manhã no café, lá está ele, dão-lhe o café e qualquer coisa para comer e quando eu chego é sempre o mesmo «uma croa», precisa de ir angariando para a bebida, quando alguém lhe diz, «não, é para comprares vinho», ele chateado, olha para a pessoa e replica «és muito feia, és tão feia!» Se for homem é a mesma coisa e se usa gravata tem que ouvir, «olha para ele, o finório c’o trapo, vais à madrinha?»
O pior do Manel são as suas brincadeiras, quando está bebido e o que ele gosta bastante é de tocar às campainhas, atravessa fases, que chateia bastante e a altas horas da noite. Também sou uma vítima. Tanto toca que já tenho ido à varanda, chateada: «Manel vou chamar a polícia». Olha para mim com aquela cara de patusco e... «olha, olha, vai chamar a polícia, chame, és muito feia?!...» Que se há-de fazer, ele está a marimbar-se para tudo, quer lá saber da polícia, ele não quer saber de nada!..Se o Manel desaparece, anda tudo para aí preocupado a perguntar por ele. Depois há invenções, foi atropelado, levou uma coça, morreu…Até se vai perguntar aos arrumadores-drogas por ele, mas o Manel não faz parte dessa «pandilha», o Manel é bem o «pardalão cá do sítio», sempre contente e bem disposto.

ERIC ROHMER (1920 — 2010)






Ma nuit chez Maud, Le genou de Claire, L'amour l'après-midi, Die Marquise von O...,La femme de l'aviateur, Le beau mariage, Pauline à la plage, Les nuits de la pleine lune, Le rayon vert, L'ami de mon amie, Conte de printemps, Conte d'hiver, Les rendez-vous de Paris, Conte d'été, Conte d'automne, L'anglaise et le duc.



Uma obra que fui acompanhando e que contribuíu também para o meu «crescimento».

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tenho pensamentos que, se conseguisse realizá-los e torná-los vivos, acrescentariam uma nova luz ás estrelas, uma nova beleza ao mundo e um maior amor ao coração dos homens.
(FERNANDO PESSOA)

ANDANDO

ANDANDO

Realizador:
Hirokazu Koreeda
Actores:
Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You
Ano:
2008
Pais:
Japão

Filme feito no seio de uma sociedade e de uma cultura muito específicas, a japonesa, que ganha uma dimensão universal. Uma das razões é o facto da história se centrar numa família, de um encontro de membros de três gerações, com sentimentos comuns a toda a humanidade.
A história centra-se, no 15º. aniversário da morte de um dos seus membros (o filho mais velho do casal).
Morreu na praia quando tentava salvar alguém de se afogar. A casa é a dos pais, idosos, e é ali que chegam, de comboio, o filho mais novo com a nova família (a mulher, viúva de um anterior casamento, e o filho dela), a irmã e o marido.
Silêncios, censuras, ressentimentos, embaraços, falhanço - em doses diferentes para cada um: o filho mais novo, por exemplo, não aguenta as comparações, a expectativa falhada dos pais pela morte do primogénito; já a irmã autonomizou-se emocionalmente do trauma familiar (será a sua forma positiva de alienação?)
"Andando" não é um filme que conta, é um filme que se deixa habitar. É um filme onde todos têm medo daquilo que neles é marca, sinal, da presença dos outros - quer estejam mortos, quer estejam vivos, os outros são sempre os fantasmas em nós, e isso mete medo, diz alguém em "Andando".
Fantasmas, do presente, do passado e do futuro. É que "Andando" nem sequer é "um dia na vida de" uma família. É "toda a vida num dia de" uma família. Naquela casa em Yokohama, naquele dia de Verão, ocorrem o passado, o presente e o futuro de uma família. É toda a vida num só dia.

sábado, 9 de janeiro de 2010

ARTE



O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar. (...) Há as artes cujo fim é influenciar, que são a música, a literatura e a filosofia. Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes - tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura. (F.PESSOA)

O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO

A vida modifica-se rapidamente…A vida muda num instante…Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba!

A propósito da peça de teatro, O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO, de Joan Didion, em cena no TNSJ, com Eunice Munoz, um ícone do teatro português. (Vanessa Redgrave, interpretou também este papel)



Uns dias antes do Natal de 2003, John Gregory Dunne e Joan Didion viram a sua única filha, Quintana, adoecer com o que a princípio aparentava ser uma gripe, depois uma pneumonia e a seguir um choque séptico total. Foi posta em coma induzido. Uns dias depois, na noite da antevéspera do Ano Novo, os Dunne tinham acabado de se sentar para jantar depois da visita ao hospital, quando John sofreu um acidente coronário fatal. Num segundo, esta relação íntima e simbiótica de quarenta anos acabou. Quatro semanas depois, a filha recuperou, mas passados dois meses foi hospitalizada para ser submetida a uma operação ao cérebro. Quintana morreu.
Joan Didion mais tarde escreveu um livro, que depois foi adaptado ao teatro, onde faz uma reflexão sobre a morte, a doença, a probabilidade e o acaso, o casamento e os filhos, a saudade e a mágoa.

«De uma honestidade devastadora, O Ano do Pensamento Mágico é um magnífico retrato sobre a perda, a mágoa e a tristeza, pintado ao detalhe, e sem vacilar, com o olhar cirúrgico da autora.» The New York Times

«O Ano do Pensamento Mágico fala-nos acerca da forma como nos conseguimos superar e seguir em frente. É também uma homenagem a um casamento extraordinário.»The New Yorker Times

Para saber mais sobre Joan Didion, consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joan_Didion