«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FRAGMENTO DE FRIO - PAUL AUSTER

(Inverno - fotografia de Silvério Santos)

Fragmento de frio

Porque cegamos
No dia que sai connosco,
E porque vimos o nosso hálito
Embaciar
O espelho do ar,
A nada se abrirá
O olho do ar
Senão à palavra
Que renunciamos: o Inverno
Terá sido um espaço
De maturidade.

Nós que nos tornamos nos mortos
De outra vida que não a nossa.

8 comentários:

Glorinha Leão disse...

Lindo Manu...foto, poema, tudo...e esse Conto de Natal...o final é apoteótico, surpreendente.
Bela escolha!
Beijos

Maria disse...

O dia de hoje está cheio de sol e de inverno só o sabemos dos dias...

Beijo

Paula Raposo disse...

Obrigada pela partilha. Foto e poemas excelentes. Muitos beijos.

Austeriana disse...

São versos bem crus, despojados, estes de Auster, mesmo inquietantes!
Escolha oportuna para os dias difíceis que vivemos...
Abraço.

Maria Ribeiro disse...

POEMA muito SURREALISTA com uma temática insólita... Se não estou errada, é sobre a morte, esse nosso inevitável porto de chegada, depois de partir da viagem da vida...
ABRAÇO DE
LUSIBERO

Cris França disse...

"nós que nos tornamos mortos
de outra vida que não a nossa"

as vezes minha querida morremos em vida, para nos submeter, nos encaixar, nos anulamos para sermos aceitos e isso doi, assim como o frio doe. bjs

Graça Pereira disse...

Gosto de Paul Auster e este "Fragmento de frio" bem frio, por sinal, lembra-nos o Inverno, não do tempo mas das nossas vidas, da sua finitude...realidade a qu ninguém pode fugir..
Um bom fim de semana um beijo
Graça

Carlos Albuquerque disse...

Olá, Manuela, boa tarde. Vamos ver se o frio abranda, já racha que chegue!
Paul Auster. Pois!
Ainda não acabei de ler "Invisível". Até onde cheguei, e como disse há dias à Austeriana (austeriana militante), estou desiludido. Provavelmente, Paul Auster escreveu-o em baixo de forma, já o li algures. Não sei! Quando chegar ao fim logo concluirei.
Quanto a este "Fragmento",que não conhecia, embora frio, como diz a Graça,falou-me, gostei.
Paul Auster está debaixo de olho. Não o largarei tão cedo. Não é meu hábito desistir, não obstante a desistência ser, por vezes, tentadora...
Bjs