«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 26 de outubro de 2010

OS SALTIMBANCOS

Remexendo nos meus antigos LPs, encontrei um muito especial. Foi um disco que quando os meus filhos eram pequenos muito tocou e era muito apreciado, por nós e por eles, tanto assim, que nós acompanhávamos cantando todas as músicas. Sempre fui grande admiradora do Chico, desde «A Banda», «Pedro Pedreiro», também tenho este LP, como muitos outros. Lembro-me da timidez do Chico quando apareceu, assisti depois a um espectáculo dele, uns anos depois. «Os Saltibancos», é um excelente trabalho dirigido às crianças e que faz bem aos adultos.


Um excerto de «Os Saltimbancos».


 
 
Saltimbancos - Picasso

E pensando nos Saltimbancos…



Tenho vagamente uma ideia, daquelas trupes de rua. Mais tarde passaram por alguns filmes de Fellini. Chegavam à praça e instalavam-se. O facto de serem nómadas era assim algo muito romântico. Pareciam realmente livres e felizes. Os miúdos surgiam logo curiosos, a observar a movimentação. Até que tudo começava com um rufo de tambor e as pessoas já tinham feito a rodinha, com os miúdos sentados no chão na primeira fila. Tudo estava alegre e em expectativa. Lembro-me do homem, que soprava faúlhas de fogo e metia na boca fogachos, era assustador, do cão saltador e bailarino, da menina que fazia piruetas, do palhaço com a sua roupa extravagante e do seu grande nariz vermelho, sempre a meter-se com as crianças… Depois um chapéu velho e coçado ia passando por um e por outro, para darem a moedinha. Arrumavam tudo na carroça, onde um burro tinha esperado com o focinho enfiado num saco, amarravam o cão à carroça e lá partiam sob os olhares saudosos dos miúdos, cantando e rindo. As pessoas retiravam-se, a praça parece que escurecia e viam-se os vultos dos miúdos a tentar imitar os malabarismos. Um dia chegaria de novo o rufo do tambor. A vida era simples e pequenas alegrias faziam a diferença.

19 comentários:

Cris França disse...

que lindo texto Manu, adorei ler, tem uma coisa gostosa de inocência, saudade da boa. bjs querida

Sandra Botelho disse...

Sinto saudades desses dias tão inocentes, quando bastava tão pouco pra sermos felizes.
Bjos achocolatados

Brown Eyes disse...

A vida era simples e pequenas alegrias faziam a diferença. Faziam mesmo. As pessoas eram felizes e unidas. Havia espirito de união e o interesse era colectivo. Hoje o interesse é individual e cada um puxa a brasa à sua sardinha. Beijinhos

Fatima disse...

Sei de cor todas as músicas , todas as falas dos personagens.Minha filha, quando era mais novinha, amava os Saltimbancos e a gente fazia teatrinho.
Era tão bom!!!!!
bjs querida.

Barbie Girl disse...

Acredito ainda nessa vida simples e pequenos coisas fazem diferença e me deixam feliz.
Adorei seu post e essa nostalgia gostosa, ainda na escola meu pequeno ouve e canta com as professoras músicas do Chico, bom mesmo!
Saudades de ti também, andei sumida mas tô colocando ordem na casa, rs

beijos

Zélia Guardiano disse...

Linda postagem, querida Manuela!
També, como você, gosto muito do Chico!
Também, como você, tenho até hoje esse disco, do tempo de meus filhos pequenos.
Quanto ao seu texto, simplesmente encantador!
Grande abraço, amiga!

Pedrasnuas disse...

RECORDAR É UMA FORMA DE VIVER...DIZEM ALGUNS...E DIZEM BEM...TAMBÉM TENHO ESSA NOÇÃO MAS FICA DISTANTE..LONGÍNQUA...
TEMPOS IDOS...E HOJE SÃO OUTROS SALTIMBANCOS QUE GOSTAM DE CONTAGIAR AS CRIANÇAS COM A SUA ALEGRIA...

BEIJINHOS PARA TI MANÚ

Valéria Sorohan disse...

Lendo seu texto, senti saudades daqueles circos que se instalavam em bairros, isso não existe mais. Uma pena, Eu amava. Já fiz a peça Os Saltimbancos na escola. Foi super bacana!

BeijooO*

Chica disse...

Muito lindo isso,Manoela.

E sabes, meu netinho na semana que vem fará apresentação da pela, num teatrinho no colégio.

Os preparativos e ensaios aqui estão um amor!

beijos,tudo de bom( e a vovó babando,rsrs)

manuel marques disse...

Remexendo nos teus antigos LPs,remexes nas minha doces recordações,recuei,sonhei e gostei da viagem

Beijinho Manú.

Manuela Freitas disse...

Queridas/os amigas/os,
As coisas simples e com um quê de inocência de alguns anos atrás, de facto deixam boa memória e uma certa nostalgia! Em poucos anos muita coisa mudou, até no dia-a-dia tudo muda muito rapidamente sem tempo para fruir!
Não sou uma saudosista, estou sempre aberta para o novo, mas gosto de ter a caixinha das coisas vividas e bem vividas, cá dentro, também ás vezes a bulir. Quanto a esse excelente trabalho do Chico, era de facto uma festa cá em casa, inesquecível!
Beijinhos
Manú

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Manuelamiga

Tenho a felicidade de conhecer pessoalmente o Chico Buarque da Holanda e com ele ter conversado umas quantas vezes. A vida de saltimbanco, como é a minha, proporciona coisas destas...

Este teu texto é magnífico. Os truques dos saltimbancos nas ruas fazem parte, também, da minha meninice e, por isso, te agradeço que despertes em mim essas recordações; até porque, como diz o Povo, recordar é viver. Mas, atenção: sem saudosismos espúrios.

Amiga

Chego aqui por intermédio do nosso Amigo AC e estou muito satisfeito por te ter encontrado. O teu blogue é muito interessante, e bem escrito. O que, para mim, que sempre ganhei a vida a produzir prosa tão honesta quanto possível, (sou jornalista e dizem que também escritor, dizem…, e aos 69 anos não me sinto velho) é motivo acrescido de satisfação.

Espero que me retribuas a visita e deixes comentários na Minha Travessa. E, já agora, que te tornes minha (per)seguidora. Não é pedir muito… Obrigado

Qjs = queijinhos = beijinhos

NB – Peço-te desculpa, mas tenho de referir que este é um texto base, ainda que com algumas apreciações individuais e específicas. Infelizmente não sou dono do tempo, e a sê-lo seria uma chatice… Para que não haja dúvidas. Mas, é sincero.

laura disse...

Pedro pedreiro está cansado de esperar
de esperar o trem que não vem
e a mulher de Pedro
está cansada
de esperar filho também...

Pedro pedreiro quer voltar atrás
quer ser pedreiro pobre e nada mais...

Minha querida, o que me lembrei pois sabia a letra de cor aos meus 17 anos...lembro da banda

Eu estava à toa na vida
o meu amor me chamou
pra ver a banda passar
cantando coisas de amor.

A minha gente sofrida
despediu-se da dor
pra ver a banda passar
cantando coisas de amor.

Lia as letras nas revistas e assim as decorava já que não usava aparelho naquela altura, apenas sentia a música pondo as mãos nas colunas ou no rádio...

Belas lembranças, eu já não tinha esse género de músicas, não ouvindo,mas o Pai cantava e escrevia letras para eu perceber o que dizia a canção.

Muitos jinhos para ti..laura

Isadora disse...

Manu, que doce lembrança você deixou. Comprei esse mesmo (só que CD) para minha pequena, tào logo nasceu!
Minhas recordações são as melhores.
Um beijo

G I L B E R T O disse...

Manu

que deliciosa miscelânea de artes fizestes para compor este post!

Chico é sempre fundamental!

e fundamental é o teu texto em sua parte final, deliciosa reminiscência!

sempre lindo! sempre inteligente! Sempre Manu!

Manuela Freitas disse...

Meu caro Antunes,
Grata pela sua visita e pelas palavras que deixou.
Com certeza que o vou visitar, já fui.....
Bjs,
Manuela

Manuela Freitas disse...

Olá querida Laura,
Andamos em sintonia, nas músicas da nossa vida, eu também cantarolava. Há recordações onde vale a pena mexer!
Beijinhos,
Manú

Manuela Freitas disse...

OLá Gilberto,
Gosto muito de ver esse gato por aqui, porque com ele vem sempre palavras delicadas e cheias de afecto.
Bjos,
Manú

Deia disse...

Memórias lindas, Manu! Tinha essa disco também, ouvia-o horas a fio na pequena vitrolinha portátil que antes havia sido de minha mãe mas que ela nos deu para que pudéssemos ouvir nossos disquinhos... Saltimbancos ao vivo, de verdade, esses eu nunca vi! O que chegava em caminhões e abriam suas lonas eram os circos, esses uma lembrança vívida em minha memória! Beijos, Deia