«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 1 de outubro de 2010

IMAGINEM - MÁRIO CRESPO

Imaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.



Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.


Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.


Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.


Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.


Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.


Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.


Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.
Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.
Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.
Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.


Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.
Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.
Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.
Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.


Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.


Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos.

7 comentários:

Pedrasnuas disse...

AI MANÚ...VAMOS SONHAR E FAZER FORÇA PARA QUE ISSO ACONTEÇA...QUEM SABE...NÃO VENHA A CAIR EM MODA...COMO OUTRAS MODAS...O QUE IMPORTA SÃO OS RESULTADOS...
SEREI DOIDA POR EMBARCAR EM ILUSÕES. NÃO!
O MUNDO MUDA EM VIRTUDE DA FORÇA,DA DETERMINAÇÃO,DA CORAGEM DE MUITOS IDEALISTAS

BEIJINHOS CHEIOS DE ESPERANÇA NESSAS TUAS PALAVRAS MANÚ

manuel afonso disse...

Nós imaginamos tudo isso. Mais, nós queremos tudo isso, antes de tirarem a quem já tem pouco para se lhe tirar, antes de tirarem a uma classe média, que faz mover a economia nacional, antes de estrangularem os mais carenciados...
Enquanto isso, o que fomentam conscientemente, é a concentração ainda mais de riqueza, bastando ver todos os dias os pobres a venderem o seu ouro, que os ricos compram, os remediados a venderem as suas terras e casas ao desbarato, que os ricos compram...

Em@ disse...

Manú, eu imagino e há muito que digo que era por aqui que se devia ter começado...mas quem sou eu.
apetece-me levar este artº do Mário Crespo o Em@, posso?
beijo no coração

Brown Eyes disse...

Manu imagina que alguém manda o PM e companhia para a lua? É a única hipotese que temos de isto vir a ser verdade. Esse fulano só vai descansar quando o país estiver completamente destruído. Dizia ele o que são 190(penso que será isto) milhões de euros que se vão gastar no TGV? Nada Sr. PM, desde que os pague o SR, bem podia tem desfalcado tanto este país que ainda lhe sobram muitos milhões de certeza. Como vês o homem é louco portanto não tarde e teremos mais 10% de impostos às costas e depois mais 10 e mais 10 até que estoiramos. Beijinhos

ps. Adorei este post.

manuel marques disse...

É difícil imaginar qualquer coisa simples ...

Beijo querida Manú.

Bom fds.

Blog da Anabela Jardim disse...

Percebo u ma grande preocupação de voc~es portugueses com a economia e a política em seu país. eu que nasci e vivo ouvindo e vendo toda sorte de coisas ruins sobre esse asunto acerca do meu país. Sei bem como deve estar sendo difícil para todos aí. Gostei do seu blog e voltarei outras vezes.

Anónimo disse...

Eu só consigo imaginar até ao oitavo Imaginem (o efeito que isto teria no défice das contas públicas) do Crespo. Depois já desconfio do nono e a partir do décimo não consigo mesmo imaginar coisa nenhuma. É que o que se pouparia (justamente) nos primeiros sete serviria apenas, dado o descontrolo, para imaginarmos o tal oitavo, isto é, imaginarmos que tapávamos o buraco. Já não daria para mais nenhum. Ou melhor, se do oitavo Imaginem, passássemos a imaginar os seguintes, quando tentássemos cumprir a décima quinta imaginação (são vinte), já teríamos que ter voltado ao primeiro e passarmos o "imposto revolucionário" de 10% para o dobro, recomeçando a canção.
Paulo Oliveira