«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

JORGE DE SENA «O ESCRITOR PRODIGIOSO»

Jorge Cândido de Sena (1919 — 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário.
Foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas. O seu espólio conta com uma enorme quantidade de inéditos em permanente fase de preparação e publicação, aos cuidados da viúva, Mécia de Sena (irmã de Óscar Lopes).
A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico, Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha.
BIOGRAFIA: AQUI
De espírito livre e independente, Jorge de Sena, era opositor ao regime. Depois de uma constante perseguição da Pide, exilou-se no Brasil em 1959 e teve um mandato de captura passado por Salazar, que só foi anulado por Marcelo Caetano. Durante 10 anos não pode vir a Portugal.
No Brasil, onde se naturalizou, ocorreu em 1964 o golpe de Estado da direita e Sena foi para os Estados Unidos.
Veio a Portugal no 25 de Abril, mas estava esquecido, à sua volta gerou-se o silêncio! Nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor, para qualquer cargo que fosse. Desiludido e amargurado, decidiu continuar a viver nos Estados Unidos, onde tinha a sua carreira estabelecida. Foi embora desencantado, dizendo, Portugal é um país de ódios.
Tem uma vasta e diversificada obra poética.
AMO-TE MUITO. MEU AMOR, E TANTO
.
Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.
.
Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,
.
um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,
.
tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.
.
CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS


Podereis roubar-me tudo:
As ideias, as palavras, as imagens,
E também as metáforas, os temas, os motivos,
Os símbolos, e a primazia
Nas dores sofridas de uma língua nova,
No entendimento de outros, na coragem
De combater, julgar, de penetrar
Em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
Suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
Outros ladrões mais felizes...
Não importa nada: que o castigo
Será terrível.
Não só quando
Vossos netos
não souberem já quem sois
Terão de me saber melhor ainda
Do que fingis que não sabeis,
Como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
Reverterá para o meu nome.
E mesmo será meu,
Tido por meu, contado como meu,
Até mesmo aquele pouco e miserável
Que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há - de ser buscado,
para passar por meu,
E para outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos,
porem flores no túmulo.

6 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Jorge de Sena não conhecia, e como ele foi injustiçado. Adorei conhecer.

BeijooO'

Beth/Lilás disse...

Bom dia, Manuela querida!
Como é bom ler as poesias de poetas portugueses! Vocês são bem mais românticos, suaves, gostam e falam abertamente dos sentimentos amorosos.
Gostei de conhecer Jorge de Sena, muito giro.
um beijinho carioca

Nilce disse...

Oi, Manu

Conheço alguma coisa do autor, escritor e poeta, Jorge de Sena e gosto muito.
Obrigada por nos trazer sua história de vida.

Bjs no coração!

Nilce

HSLO disse...

Já tinha visto algo dele...mas bem superficial. Agora com essa postagem...ficou melhor.

abraços

Hugo

Eliane disse...

Oi Manú ,bom dia riscar o fosforo foi mais um passo em direção ao futuro, estou caminhando devagar mas chego lá. Não conhecia esse poeta, mas pelo que li gostei. mais uma que aprendo com vc. Um beijo e um lindo dia.

Meru Sâmi disse...

Olá ,Manuela (gosto desse nome.).
Agradeço à sua visita no Meru Sami e, principalmente às suas palavras, pois sei que, só as almas equilibradas captam certas nuances de um amontoado de palavras que pretendem ser poesias.

Eu, uma formada em Letras, tenho paixão pela literatura, todas.
Já dancei uma passagem "de Camões", na belíssima voz de Dulce Ponte, em Canção do Mar. Que sonho...!
Agradeço a oportunidade de fazer uma pausa entre tantas coisas que nôs pede a atenção, e apreciar esses dois poemas que são verdadeiros Cânticos, para minha alma!

Que Camões e Sena lhe inspirem de onde estiverem!

Beijos.