«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FILME «A ESQUIVA», QUE ME DEIXOU A PENSAR EM ISLAMIZAÇÃO

REALIZADOR: Abdel Kechiche
INTÉRPRETES: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou, Hafet Ben-Ahmed, Aurélie Ganito, Carole Franck, Hajar Hamlili, Rachid Hami, Meryem Serbah, Hanane Mazouz, Sylvain Phan, Olivier Loustau.
// Césars 2005:MELHOR FILME: MELHOR REALIZADOR: MELHOR ARGUMENTO: MELHOR JOVEM ACTRIZ (Sara Forestier) //


SINOPSE
Num liceu de periferia, um grupo de adolescentes, onde predominam os islâmicos, ensaia uma peça de Marivaux. Uma professora "progressista" fá-los representar "O Jogo do Amor e do Acaso", para lhes falar das diferenças sociais espelhadas na texto barroco. Cruzamento subtil entre o real e o teatro em que se experimentam os perpétuos jogos entre o amor e a sorte. Com diálogos incandescentes e jovens actores eléctricos, A ESQUIVA de Abdellatif Kechiche põe a nu delicadamente algumas fracturas da sociedade francesa.

A ESQUIVA é um filme de palavra. Palavra que queima, fenómeno de energia e invenção. Mas de que se trata ? Lydia, ensaia “Le Jeu de l’amour et du hasard” de Marivaux para o espectáculo do fim do ano. Krimo apaixona-se por ela. Tímido, introvertido, pouco à vontade com as palavras e com os seus sentimentos, Krimo decide entrar na peça, para seduzir Lydia. A partir daí o filme confronta a língua clássica do século XIX com o falar dos adolescentes contemporâneos. A peça de Marivaux funciona também como nível simbólico, ordenado e domesticado do que acontece caoticamente na ficção do presente. Ao inventar uma estratégia de conquista, Krimo utiliza Marivaux para atingir os seus fins: ao fazê-lo, interpreta Marivaux sem o saber. Ao justapor o universo da cidade e o de Marivaux (dois espaços teatralizados), Kechiche mostra que, independentemente da época e da classe social, os homens e as mulheres têm os mesmos sentimentos, as mesmas preocupações, os mesmos desejos.O problema de Krimo é que ele é muito tímido, no meio de todos os faladores do quarteirão, Krimo é silencioso, um rapaz que não domina a palavra. Mas não é só Krimo que sofre, os que dominam a palavra também sofrem. Entre o muito pouco e o muito, a linguagem aparece como uma força abstracta, musical, sónica, que galvaniza, mas que não ajuda os seres a entenderem-se.
Podíamos também tecer mil considerações sócio-políticas sobre este filme. Kechiche não fala neste filme nem de roubo, nem de integração, nem de fracturas sociais... mas o filme acaba mesmo assim por falar entre as linhas, entre as imagens: a pressão da cidade, os pais na prisão, a promiscuidade social, o fechamento do quarteirão, a brutalidade dos polícias. Se o filme é político não é por denunciar as injustiças conhecidas por todos ou por trazer soluções para as fracturas francesas, mais sim porque ele põe jovens a interpretar e os faz fugir durante a duração do filme à sua prisão social. Porque também eles têm direito às suas intrigas sentimentais, às ficções eternas e universais, também eles têm direito a interpretar personagens e não só os papéis simbólicos, que lhes dão os fantasmas a direita (de dealers) e a esquerda (de vítimas).
Crítica do Cine-Clube do Porto


Abdellatif Kechiche filmou depois, o excelente filmes «O Segredo do CusCuz »


ISLÂMICOS A PEDIR (ROMA)

Fiquei a ver este filme, apreciando a forma como jovens emigrantes, onde a História deles é o avesso da nossa, se podem integrar num ensino e numa cultura, completamente diferentes. As conversas entre adolescentes sempre metiam o Corão: «juro pelo Corão», «pelo Corão que não te vou denunciar», etc…Poderá, dizer-se que, a benigna visão sobre a juventude da periferia de Paris, deste filme, se refugia demasiado numa bolha de cultura e de "amor", como se os problemas não existissem, como se o uso, ou não, do véu islâmico não tivesse dividido, este mundo de fingimento e de bons sentimentos. Obviamente que pensei na islamização, da forma como se tem espalhado e como está a penetrar na sociedade. Quais as consequências?
Por acaso há pouco tempo falei com uma sobrinha, que há 22 anos se casou com um francês e vive em França. Falou-se deste assunto e foi-me dado conhecimento que Paris, já não é mais a cidade que era, que as ruas estão muito sujas, que junto ao Senna foram colocadas umas tendas, para certas pessoas viveram, que os islâmicos dão muitos problemas sociais, que levaram consigo os seus costumes. Perante a lei casam com uma, mas têm várias mulheres. Se há algo que eu abomino é o fanatismo, o fundamentalismo, seja lá de que religião for! Claro que há boas e más pessoas, mas evidentemente que este é um problema complicado!...

11 comentários:

Renata Boechat disse...

Minha cara Manu,

Esse filme me interessou, e muito! Pois estando eu na cidade de Paris no mês passado, pude observar a islamização dessa belíssima cidade...não que eu tenha nada contra, pelo contrário, cada povo com seus costumes, com sua religião, sua cultura, seu modo de vida...mas o que me chamou a atenção foi que mesmo estando proibido por lei, algumas mulheres(pobres coitadas, ainda são arrastadas pelos maridos pelas ruas parisienses com seus rostos completamente cobertos.

Tomei nota, vou procurar o filme por aqui...e vai uma dica, se gosta de Woody Allen, assista ao seu novo filme, que apesar de nao ter nada que ver com esse tem o poder de ser bem divertido!

Um abraço pra voce,
Boa semana!

Sandra Botelho disse...

Não vi ainda ...
Mas pela sinopse dada por vc ele deve ser sim muito interessante.
E concordo com vc o fanatismo seja ele qual for, é prejudicial e horrivel. Deus não quer e não aprova o fanatismo. Bjos achocolatados e obrigado pela dica

Nilce disse...

Religião é um assunto muito polêmico mesmo, Manu.
Respeito muito também todas as crenças, mas o fanatismo me assusta. Acho um absurdo!
Muito bem elaborada sua sinopse.

Bjs no coração!

Nilce

HSLO disse...

Hum...fiquei interessado. Quero assistir.

abraços

Hugo

Cris França disse...

aguçou minha curiosidade, vou conferir. bjs amiga

manuel marques disse...

Nada tenho contra o islão,conheço algumas pessoas quo o professam ,pois vivo numa cidade multirracial.É complicado,criam ilhas dentro da sociedade, querem ser respeitados mas por norma só respeitam o que lhe interessa.Em relação ao filme não o vi mas a tua postagem aguçou-me o apetite.

Um beijo para ti Manú.

Laura disse...

Ehhh, nem me digas. Estive em Toulouse há anos, fiquei lá 8 dia snum Hotel, e menina, se vires as raças que lá vivem e a maioria à custa do estado...têm apartamentos, vivem meios sonambulos pelas ruas (eu vi..vi durante esses dias todos)elas as mais novas prostituem-se, nem todas, ora claro, nem todas, também vi brancas novas e velhas com magrebinos ou de outra raça, tunisinos, enroladas na rua, e passado horas lá vinham mais que bebidas e sózinhas a apanhar um táxi, tudo isso enquanto estavamos num restaurante, esplanada e elas chegaram e se foram...só visto e a mais moça era lindissima..minha nossa...
Os relatos dos nossos amigos e o que vimos chegou para ver como era..e depois querem seguir as leis deles num país que não é o deles...
Eu vivi na África do sul quando foi o 25 de abril, tinha 22 anos e respeitei sempre as leis...

Enfim, detesto tudo o que vem desses lados Árabes, Claro que os respeito mas quando vejo o que fazem e aqui também...tantas raças a viver da ajuda da seg social, mas para os nossos nunca chega, para eles, pagam mais, enfim, nem entendo como é a nossa lei para nós...

Ah, ainda vou arranjar um passeio para todos... para vermos o mar de perto..um xi da laura

Maria Teresa disse...

Pareceu-me que a Palavra também é personagem, pela escassez ou pelo excesso... Achei a abordagem também muito interessante relativamente a esse aspecto.
Beijos

Beth/Lilás disse...

Amiga Manú,
Adoro filmes assim, principalmente com esta temática que tem, junto com a globalização, crescido enormemente.
Vi também estas mulheres com burka em Londres e Washington no ano passado.
Nada contra a religião de cada um, mas tudo em excesso, a exacerbação de valores e rituais me irritam e fujo pra bem longe.
Mas, não tenho dúvidas de que este mundo poderá ser islâmico em mais um século. Está crescendo demais esta religião.
um beijinho carioca

Fatima disse...

Bem interessante.
Vou procurar por aqui.
Bjs.

Valéria Sorohan disse...

Você faz a diferença nesse mundo de blogs... Sempre com muita coisa bacana para se ler aqui. Adorei as dicas dos filmes, vou ver se consigo achar aqui.

BeijooO*