«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 26 de agosto de 2010

QUE RAIVA EU TENHO À RAIVA!:..

Blogagem colectiva sobre sentimentos. Promotora, Glorinha L. de Lion (Blog Café com Bolo).Tema «RAIVA»

A raiva, antes de mais é uma doença, a propósito fui fazer pela net uma pesquisa, para ficar mais informada e deixo um pequeno apontamento histórico.
Durante séculos, a raiva despertou nas pessoas grande terror. A cura não existia, era um flagelo e as pessoas doentes eram abandonadas, até que no século XIX, Louis Pasteur chegou, pelas suas experiências, à vacina contra raiva (1822-1895).
O drama começava quase sempre da mesma maneira, um lobo ou um cão raivoso chegavam a um núcleo urbano, com os olhos revirados e a boca babando, o animal atravessava uivando as ruas. As pessoas escondiam-se e os sinos tocavam, para os homens com paus e uma foice na ponta, matarem o animal. Eram animais enormes, quando mordiam, provocavam profundos ferimentos. Os lobos eram, os principais vectores da raiva e transmitiam a doença aos cães.


Após uma mordida virulenta e um período de incubação mais ou menos longo, as alterações do comportamento do cão iam aparecendo. O cão ficava triste, melancólico ou muito alegre e carinhoso. Obedecia sem morder, mas já era perigoso, uma vez que a saliva continha o mal. Depois a sua agitação aumentava, a doença assumia formas furiosas, com acessos de alucinação. O som do latido tornava-se rouco e abafado, a nota final era bastante aguda e a boca não se fechava totalmente. Surgiam fenómenos de paralisia: as pernas posteriores ficavam enfraquecidas e o andar incerto. O cão acabava por se deitar e a morte ocorria quatro ou seis dias contados do início dos sintomas.

(Descrição de um padre na Idade Média)

A morte dos seres humanos mordidos por um lobo ou por um cão raivoso não era menos tormentosa.

Os remédios para combater a raiva eram frequentemente cruéis e bizarros. Segundo as crenças populares, o tratamento mais eficaz era através do fogo. Uma vez contaminado, o paciente devia ir o mais rápido possível à oficina de um ferreiro para que a ferida fosse queimada com um ferro quente. A vítima era amarrada e o ferreiro queimava a mordida o mais profundamente possível. Outros tratamentos: banho de vapor quente, prolongado até o esgotamento; comer cebolas cruas, consumidas em grande dose. Outro relato interessante, para tentar a cura: Pegue numa galinha viva, depene o seu traseiro e aplique-o sobre o local afectado. Mantenha-a assim por longo tempo e aperte o seu pescoço até que a galinha abra o traseiro e 'extraia' assim o veneno. Depois, moa nozes com sal para fazer um emplastro, que deve ser aplicado no lugar.
A raiva hoje é prevenida, com a vacina obrigatória aos animais.


O tema RAIVA, foi sugerido para escrever sobre as «raivas» humanas. Não sou psicóloga, embora goste de ler sobre essa matéria e procure psicologicamente compreender as pessoas, obviamente sem a metodologia adequada, que os profissionais têm sobre este assunto.

Como já manifestei na abordagem de outros sentimentos, o exacerbamento dos mesmos é sempre prejudicial, assim acontece com o excesso de raiva, que passa a ser uma doença a necessitar de terapia, mas como é próprio e normal todos a sentimos!
Aquele momento de raiva, que ocorre por determinada contrariedade, considero que é absolutamente natural e pode ser libertador, quando algo corre diferente ao que era previsto, quando uma pessoa com más intenções tropeça em nós, quando uma doença aparece, quando as injustiças revoltam, quando...quando...quando… Sempre procuro não fazer disso um espectáculo, porque considero que por mim e pelos outros, devo conter meus ímpetos mais irracionais, mas já dei alguns murros na parede e a parede não se queixou, só eu!
Com a vivência fui relativizando muita coisa. Considero que por vezes se fazem muitas tempestades num copo de água e, depois sente-se culpa e arrependimento, porque a frio vimos o quanto exageramos. Obviamente que também já senti raivas contra mim! Sinto raiva de ter feito ou ter dito, o que não devia ter feito ou ter dito. Também já sofri com a raiva dos outros e como ela pode ser atroz! Aquele olhar gélido, aquele esgar de monstro, aquelas palavras duras e agressivas…Há pessoas que de facto são de grandes raivas!..E há situações onde as raivas, mais irracionais acontecem, por exemplo em guerra!


A minha mãe teve uma vivência complicada, filha de pais separados, nunca teve a presença da mãe. Eu não sei bem como tudo se passou, apenas sei que o meu avô, além de ser um político do contra, era um homem de tertúlias e amantes. Com certeza a minha avó, que eu nunca conheci, não aguentou e foi-se exilar na província. Tinham três filhas, a minha mãe era a mais nova. A mais velha, que já era casada, albergou as outras duas na sua casa. A minha mãe, depois casou e ficou viúva muito cedo, com uma criança pequena e só passados alguns anos voltou a casar. Penso que tudo isto que ela viveu, lhe arrasou o sistema nervoso, porque cedo teve que fazer tratamento psiquiátrico. Só que a minha mãe era uma doente rebelde e, por vezes não fazia a medicação como devia ser. Nas suas instabilidades, os seus exacerbamentos temperamentais, ficaram muito marcados em mim. Sentia-me de facto muito incomodada com isso e, todos os dias vivia preocupada com o que pudesse acontecer. Isso marcou-me bastante, por isso não gosto de alimentar discussões, não gosto de ver ninguém discutir e sou de facto mais reflexiva do que impulsiva. Quando vejo que uma pessoa está exaltada, o mais natural é cair no silêncio e procurar falar com essa pessoa, quando estiver mais calma, de certo modo actuo dentro daquilo que o meu pai também fazia, quando a minha mãe procurava uma discussão, sim porque de facto, há muita gente que gosta de discutir e de ganhar discussões!
Pinturas de Bernhard Hessing

18 comentários:

Chica disse...

Fizeste um lindo tratado da RAIVA em todas as suas apresentações.Muito legal!um beijo,tudo de bom,chica

AC disse...

Manuela, fez uma excelente pesquisa, que contribuiu para minorar um pouco a minha ignorância acerca do tema. Obrigado.

beijo :)

Meru Sâmi disse...

Oi, amiga!
Interessante essa informação sobre a patologia raiva. Eu não sabia destes tratamentos tão dolorosos.Aliás, não sabia que existisse tratamentos.

Mas, o mais difícil é a raiva sentimento. E os choque familiares, realmente pode facilmente tornar-se raiva que acumulada acaba por virar ódio. É preciso uma grande dose de auto-controle para não cair em guerras.
Um recuo estratégico é quase sempre a melhor saída. Eu penso que você está certa nesta atitude.

Primeira a postar, parabens!

Beijo.

Nilce disse...

Oi, Manu

Todos os sentimentos fazem parte da Natureza Humana.
O que muda é como eles chegam a nós e a maneira como os encaramos.

Bjs no coração!

Nilce

orvalho do ceu disse...

Olá,
Seu post começou a Blogagem Coletiva muito bem a explicar o que é, de fato, a RAIVA.
Achei-o bastante completo, fui lendo, passo a passo, com atenção... e achei dados importantes demais para tal questionamento.
Gostei que se lembrou da vacina anti rábica: para mim é o AMOR... só pode!
Com certeza, ferimentos profundos essa alteração de comportamento nos deixa... a tristeza e a melancolia pode ser mesmo uma raiva reprimida... ímpetos irracionais... rebeldia... impulsividade exarcebada, como diz vc muito acertadamente... instabilidade acentuada de humor...
Meu Deus, isso é demais para um ser humano criado para o Paraíso, não é mesmo?
Que péssimo gosto esse das pessoas com que você terminou tão bem o seu post.
Parabéns! Que linda colaboração! Gostei muito.
Abraços fraternais cheios de paz!

Astrid Annabelle disse...

Belíssima e interessantíssima participação a sua Manú!
Li com gosto...isso significa que apesar do texto ser mais longo desperta a vontade de ler...pois está muito bom de verdade.
Que história triste de família.! Ninguém sabe aonde o calo aperta nos outros, não é?
E, para finalizar: que Deus nos guarde da raiva...detesto, assim como você a raiva!
Um beijo grande
Astrid Annabelle

Beth/Lilás disse...

Querida Manú!
Também concordo contigo de que num momento de raiva e exacerbação, falar pouco e baixo é o melhor negócio, a gente acaba desarmando o outro.
A raiva na verdade só nos faz mal e causa problemas à nossa saúde, portanto, com nossa vivência, o melhor é pensar antes e agir depois.
beijos cariocas

Tati Pastorello disse...

Oi Manu, adorei seu texto, principalmente por aproveitar o tema para a campanha anti-rábica, uma doença ainda sem cura, e que pode ser prevenida.
Olha eu não gosto de discussões, fujo delas também. Mas quando preciso, e me enraiveço, vou em frente, tomo minhas decisões, marco meus pontos de vista. Me irrita sobremaneira quando invadem meu espaço, minha liberdade, quando me injustiçam ou aos meus. Isso me tira ainda do sério. Sei que a principal prejudicada sou eu, ao ficar tão cheia de raiva, estou buscando melhorar. Tem horas que fraquejo...
A história de sua família mostra muitas das facetas e das sequelas de um convívio com um raivoso. Não quero deixar isso ao Bê.
Beijos.

Isadora disse...

Manu, sem dúvida a raiva em excesso ou exagero não faz bem a ninguém e muito menos a quem sente, mas sentimos raiva por motivos bobos e por motivos maiores. Os impulsivos como eu sofrem mais com certeza, mas os anos nos ensinam que precisamos deixar a poeira abaixar.
Um beijinho

Cris França disse...

eu gosto da forma como vc coloca o coração naquilo que escreve

beijos Linda Manuela!

Socorro Melo disse...

Olá, Manu!

Um belo texto, frisando a raiva em todos os sentidos: doença e sentimento. Gostei das informações históricas, que são até assustadoras rs. E quanto ao sentimento, concordo com você, é preciso se ter controle, tentar resolver de forma pacífica. Mas, cá pra nós, ô coisa ruim de se controlar, viu?

Beijos, amiga
Socorro Melo

Glorinha L de Lion disse...

Minha amada amiga, teu texto, como sempre, uma aula em vários aspectos. mas hj estou triste demais. Vim te agradecer todo o apoio que me deu colocando o link para votação no meu livro, que ontem eu soube que nem existia. Sinto muito se provoquei algum mal estar para vcs, meus amigos, tão carinhosos e que sempre me apoiaram. Vi que já tirou o link do meu Livro. Ainda bem, ontem fiquei o dia todo resolvendo tantos assuntos, era pra te mandar um email e te avisar. Me perdoe amiga. E te agradeço do fundo do coração por tudo de bom que tem feito por mim, por sua amizade e carinho. Amo você minha amiga. beijos tristes.

Lúcia Soares disse...

Manu, muito bem lembrado que a raiva é tão ruim que o nome vem de uma doença dolorosissima.
A raiva é um dos sentimentos que mais temos, não há como não passar por momentos em que ela nos envolve.
Entendo seu afastamento de discussões, de não levar as coisas para o lado de brigas, pois são mesmo muito desgastantes.
Em casa de meus pais, minha mãe despejava sua raiva em nós, e principalmente em meu pai. Não que às vezes ele não merecesse. Homens!
Mas detesto me enraivecer com as pessoas. É muito ruim pra mim mesma.
Beijos!

(Querida amiga, obrigada por seu carinho e suas palavras de ânimo. Vou superar rapidinho essa fase. Bj)

Bordados e Retalhos disse...

Manu, realmente os exageros sempre nos fazem mal. Adorei saber sobre raiva animal. Vc como sempre com textos primorosos. Bjs

pensandoemfamilia disse...

Olá Manuela
Vc nos gratifica com suas pesquisa e ainda somou um depoimento pessoal muito próprio. Os acontecimentos familiares deixam marcas "a ferro e a fogo", assim sendo, precisamos nos autoconhecer para não nos confundirmos com outras pessoas (pai, mãe) e podermos agir de acordo como que a situação nos exige.
A raiva é humana, só não devemos nos envenar com ela.
Bela participação.
bjs

Deia disse...

Oi Manu! Várias explicações sobre as diversas raivas, e encontrei um elo entra a dos animais e a nossa: ambas matam aos poucos... A raiva é a mãe de todas as guerras, nunca deveríamos nos esquecer disso. As pessoas estão declarando guerra uma às outras por uma simples fechada de trânsito. Que vantagem há nisso? Excelente post, um beijo, Deia

Macá disse...

Manu
Que texto interessante; aprendi bastante aqui.
Acho super legal ler todas essas postagens (quando o blog entra, claro) e ver a idéia de cada um, tão diferente uns dos outros para o mesmo assunto.
Mas agora é o seguinte: Lí hoje que vale, quando estamos com raiva, dar murros em almofadas. Então, vamos deixar a parede, certo?
bjs

Luma Rosa disse...

Como diz o ditado "Quando um não quer, dois não brigam" - acredito que existam pessoas que gostem de discutir e ainda dizem à pícaros "Não levo desaforo para casa" - bem, a estes dou uma banana! Também sou da paz! ;) Bom fim de semana! Beijus,