«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONSTÂNCIA (VILA POEMA)



Este post é dedicado ao Manuel, alguém que faz o favor de ser meu amigo e ter acreditado em mim, aliás como outras pessoas acreditaram. É sobretudo um grande divulgador de poesia e de imensos poetas, onde também está incluído. Há blogues que fazem bem, têm a autenticidade das pessoas se mostrarem como são.

*

Constância, é conhecida por ter sido local de residência de Luís de Camões , que aqui escreveu alguns dos seus poemas líricos, por ocasião do seu desterro no Ribatejo, cerca de 1546 ou 1547. Não há certezas, mas há quem defenda esta versão - e como que a prová-lo, apontam uma casa situada à beira Tejo, a Casa dos Arcos (séc. XV), como sendo a do nosso grande poeta épico. A Associação Cultural tem trabalhado para a sua reconstrução. A Casa-Memória de Camões, o Centro Internacional de Estudos Camonianos.
Virada ao Zêzere, uma estátua do Poeta, da autoria de mestre Lagoa Henriques, evoca a contemplações de outros tempos e, mesmo ao lado, o belíssimo Jardim-Horto Camoniano, de responsabilidade do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Todos os anos, por ocasião do 10 de Junho, Dia de Portugal e de Camões, Constância perfuma-se de flores e frutos, realizando as Pomonas Camonianas.


CAMÕES, é para mim um poeta inigualável, da muita poesia que gosto, deixo dois sonetos:


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões


Busque Amor novas artes, novo engenho

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões

16 comentários:

Chica disse...

Lindas e profundas poesias e linda homenagem ao amigo Manoel.Há pessoas que fazem a diferença!beijos,chica

Maria disse...

Não sabia que eras de Constância.
Terá sido o rio que inspirou Luís Vaz?

Um beijo.

Rosane Marega disse...

Linda homenagem Manuel e como gosto desse amigo!
21 de Setembro!
Dia Mundial Pela Paz!
E que a Paz Reine Em Nosso planeta!
E que o Amor Vença A Guerra e Todos Os Seus Aliados!
Viva a Paz!
Um Beijão Bem Grandão no Seu Coração!

manuel marques disse...

A amizade supõe a confiança, união de pensamentos e esperança .A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz .A tua amizade é um benfício dos Deuses.
Obrigada Manú.

Beijinhos meus.

Maria Teresa disse...

Querida Manuela:
Tudo de Camões tem sabor de mistério e saber de Constância foi grata surpresa. Os dois sonetos mencionados trazem legado sobre as inquietudes humanas e sobre o amor como poucos depois dele souberam registrar. Escolha perfeita.
Beijos

Nilce disse...

Oi, Manu

Bela homenagem ao querido Manuel, ele o merece.
Camões fala por si. Sou também apaixonada por tudo que ele nos deixou.

Bjs no coração!

Nilce

Em@ disse...

Querida Manú,
Conheço Constança embora já lá não vá há muito tempo.
Gostei bastante deste post. Parabéns!
beijo no <3

AC disse...

De algumas idas a Constância, há já alguns anos, recordo-me dessa casa, atribuída a Camões,assim como das marcas das cheias nas paredes das casas.
Constância é encantadora, vale bem uma visita.

beijo :)

Lúcia Soares disse...

Manu, coisa boa homenagear um amigo.
Ainda mais quem o merece muito.
Confesso que não leio Camões, sei apenas de uns 2 poemas dele.
Beijo!

Fatima disse...

Que lindeza Manu!
Bjs.

Tida disse...

Manu,
Primeiro quero lhe dizer que finalmente consegui colocar seu blog na barra lateral do meu blog. Há tempos tentava e voltava a tentar e não conseguia que ele aparecesse. Agora ele está lá bonitinho.
Bonita homenagem ao amigo Manuel. Ele é merecedor. Ele está sumido de mim.
Bjs

Beth/Lilás disse...

Manuela, querida!
Sim, também admiro muito o Manuel, suas poesias e delicadeza. Ele merece este post lindo.
E eu nem sabia que Luis de Camões era de Constância, estou sabendo por aqui, por teu blog sempre muito bem informativo e culto.
Adoro as poesias desse grande poeta português!
beijinhos cariocas


(Ahhh, quero dizer-lhe que também acredito na tua pessoa.)

Luís Coelho disse...

Não se pode dizer que estes sonetos sejam os melhores de Luís Vaz de Camões, mas sei que nos perdemos na sua leitura e que os nossos olhos ganham asas e o sonho não tem limites.
Eles são maravilhosamente perfeitos.

Homenagem ao amigo Manuel
Estas homenagens ficam bem a quem as pratica com o sabor da amizade verdadeira.
Quem tem amigos destes, tem verdadeiros tesouros que deverá sempre cuidar e amar com profundidade.

Laura disse...

Olá querida Manu, lá voltei à vida, a casa aos amigos, blogues, fui com o meu querido grupo os GT para Tabuaço, como sempre, inesquecível...

Camões o nosso homem poeta, o versejador, o homem das naus além mar...
Muito lindo se atentarmos aos anos a que já foi.
Um xi apertadinho da laura

Bombom disse...

Obrigada, Manú, por nos teres trazido Camões com seus belos poemas líricos, como homenagem ao teu Amigo Manuel. Gosto muito de Constância e passo por lá sempre que vou ou regresso da minha aldeia. É uma vila muito luminosa e adoro ver o Tejo a abraçar o Zêzere, seu afluente. Hoje já não se aprende nada disto na Escola e eu devo estar desactualizada...Mas vai doer-me por muito tempo! Pode ser que restem os Poetas para nos lembrarem de quem somos...(Hoje estou um bocado amarga!!!)Bjs. Bombom

Isadora disse...

Manu, que delícia os sonetos de Camões. Bem escolhidos e é impressionante como são tão contemporâneos.
Beijos