«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

TEM PRECONCEITOS?


É politicamente correcto dizer: não tenho preconceitos, mas isso já é um preconceito! Sem darmos conta todos temos alguns preconceitos, atrás da capa da tolerância que usamos, procuramos não discriminar de forma ostensiva, pessoas, lugares ou tradições consideradas diferentes ou «estranhas», porque isso revela desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que nos é diferente, relativamente ao aspecto «social», «racial» e «sexual». Mas há discriminadores ofensivos, por exemplo nos média passam piadas discriminatórias com a maior das facilidades.




A Força do Preconceito, reflexão de Thomas Bernhard




Nós em teoria compreendemos as pessoas, mas na prática não as suportamos, pensei, na maior parte das vezes só a contragosto lidamos com elas, e tratamo-las sempre de acordo com o nosso próprio ponto de vista. Não deveríamos no entanto considerar e tratar as pessoas apenas segundo o nosso ponto de vista, mas sim considerá-las e tratá-las segundo todos os pontos de vista, pensei, lidar com elas de uma maneira que pudéssemos dizer que lidámos com elas sem o mínimo preconceito, por assim dizer, mas isso não é possível porque, na realidade, alimentamos sempre preconceitos para com toda a gente.


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Particularizando ou generalizando há discriminação, do género: "todos os alemães são prepotentes", "todos os espanhóis são arrogantes", "todos os ingleses são frios", «todos os muçulmanos são terroristas», «todos os ciganos são vigaristas»…Isto entrando no campo de fomentar ódios pode ser perigoso. Pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Pode atingir outros campos, por exemplo: «todas as mulheres são assim», «todos os homens são assado», isto é tão corrente e tão velho!... Como: «os funcionários públicos são todos»…«os professores são todos»…e por aí adiante…

Os sentimentos negativos em relação a um grupo fundamentam a questão afectiva do preconceito, e as acções, o factor comportamental.
Alguém tem coragem de falar dos seus preconceitos? E quem não tem preconceitos? Temos preconceitos sem nos apercebemos disso! Evidentemente que já nem me refiro ao preconceito da raça, do extracto social, da opção sexual e religiosa…porque se este preconceito existe então é a ignorância completa, pior é a falta humanismo.

Ando a pensar nos preconceitos que posso ter, cair no fácil não é difícil, contra os preconceitos também é preciso lutar!...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E LÁ CHEGARAM AS MEDIDAS DE AUSTERIDADE...

Foi lançado pela Relógio de Água, através de coordenação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o último dos textos de Saldanha Sanches. Ainda não o li. Mas seguramente não o vou perder. O assunto é o assunto da vida profissional e cívica de Saldanha Sanches: a justiça fiscal.



José Luís Saldanha Sanches não olhava para os impostos como um esbulho aos cidadãos, como a demagogia do pensamento agora dominante os trata. Acreditava na sua função redistributiva e social. Que os impostos podem e devem acertar, digo eu, o que na sociedade está torto.


Mas não ignorava que um sistema fiscal injusto ou incompetente tinha o efeito exactamente oposto. E nunca se calou para o denunciar. E para denunciar, acima de todas as outras coisas, a corrupção, esse cancro que mata os fundamentos da democracia. Nunca o fez com ligeireza. Evitou sempre generalizações. Nunca a usou como arma contra “os políticos”. Falou da corrupção concreta. Fez propostas precisas, no seu campo de saber, para a combater. Indignou-se com os alçapões que dão a quem mais tem a possibilidade de menos contribuir para a comunidade. E não tolerava, como disse a sua mulher no momento das cerimónias fúnebres, “a corrupção, os cobardes e os oportunistas”. Só essa firmeza vale uma vida.


Saldanha Sanches foi um homem corajoso e livre de interesses escondidos que lhe toldassem a razão. Foi corajoso quando por cá não havia democracia. Foi corajoso quando ela chegou. A coragem que antes o levou às prisões do Estado Novo e que depois o levou a encontrar obstáculos à sua progressão académica.


Não terei sempre concordado com ele, como nunca se pode concordar sempre com alguém. Mas ouvia-o sabendo que aprendia com alguém que não dizia nem mais nem menos do que pensava. Não era um dos catastrofista irados que agora tanto estão em voga. Era apenas um homem ética e tecnicamente rigoroso. E que não temia nunca as consequência pessoais por o que dizia. Coisa tão rara neste país demasiado pequeno.


Num momento em que se discutem os impostos e em que todo o debate se resume em saber, por um lado, como conseguir mais dinheiro depressa, e por outro, como conquistar votos rapidamente, interessa-me imaginar o que teria Saldanha Sanches a dizer sobre a forma justa de, em tempo de crise, pedir o contributo dos cidadãos. Porque a sua coragem era racional e a sua razão era corajosa, faz-nos falta agora. Ficou o seu último livro, acabado na cama de um hospital. Que é para ler com atenção.

Daniel Oliveira

CHEN GUANGBIAO - UM CASO INVULGAR!...

CHEN GUANGBIAO, é um dos homens mais ricos da China, com uma fortuna avaliada em 578 milhões de euros (735 milhões de dólares), dono de uma empresa de reciclagem. Veio do nada e dois dos seus irmãos morreram de fome. Guangbiao, foi o único, que escreveu uma carta aberta prometendo que quando morrer, deixará todo o seu dinheiro à Fundação GIVING PLEDGE (Compromisso de Dar), de Bill Gates e Warren Buffet, que apelaram aos mais ricos da China para aderirem à campanha, destinada a apoiar organizações de solidariedade.
Depois dos Estados Unidos, a China é o país que tem mais multimilionários, num país que ainda se diz comunista. Na China 1,3 mil milhões de chineses são pobres e sobrevivem graças à agricultura de subsistência.


Quarenta multimilionários norte-americanos já aderiram ao compromisso de dar metade ou mais da sua fortuna, em vida ou depois de morrerem.

ATITUDE TÃO ALTRUÍSTA SURPREENDE-ME, COMEÇO LOGO A PENSAR...SERÁ QUE...ISTO E MAIS AQUILO...LÁ VEM OS PENSAMENTOS NEGATIVOS!...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

OUTONO

As temperaturas já desceram, o vento frio, pede agasalho, as mãos e os pés começam a arrefecer…Dia a dia as folhas das árvores vão amarelecendo, tomando tonalidades de encanto, para irem caindo secas aos meus pés…Já vi o carrinho do castanheiro e aquela fumarada característica da castanha assada…Nasci no Outono e sou outonal…Tenho momentos de nostalgia e de melancolia…o frio e a chuva são propícios a isso! Ontem o pôr-do-sol estava lindo e não resisti a tirar umas fotografias, nas traseiras da minha casa.


A realidade política e económica que se vive, motiva muita meditação, há sempre em mim um misto de desencanto e revolta! Muito desencanto e revolta, ontem entre ver o programa do «Prós e Contras», no qual era abordado o Orçamento de Estado, a inevitabilidade de aumentos de impostos, retenção do subsídio de Natal, dos cortes e mais cortes, da vinda do FMI, preferi ver um programa no qual pessoas anónimas falavam das suas pequenas/grandes vidas. Estou cansada de estar cansada, do que se passa aqui!...



Por mim passam as manchetes:


DÍVIDA DESCONTROLADA!..


ATÉ QUANDO O PAÍS VAI TER CRÉDITO?


FMI NÃO DEMORA A ATERRAR POR CÁ…






Realmente o Governo está em gestão, em má gestão, à deriva, só gasta, gasta…Advinha-se que as próximas eleições presidenciais sejam uma situação anedótica, gastando dinheiro para nada, porque tem que ser…A falta de meritocracia, é confrangedora…


E os meus dias andam como num rodopio outonal, momentos sim, momentos não e muitos momentos NIM!...


Ocorre-me aquele poema de Pessoa, tão conhecido:


NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer –

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Mensagem – Fernando Pessoa


Há muito tempo soou a hora, mas vai-se empaliando!...Mas é sempre hora para mudar e muita muita coisa, precisa de mudar!..

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

1822 - LAURENTINO GOMES

Laurentino Gomes iniciou a sua visita a Portugal no Porto, para a apresentação do seu novo livro «1822».
No dia 24 de Setembro, o dia da morte de D. Pedro, esteve em Lisboa, no Padrão dos Descobrimentos, para  o lançamento oficial de «1822». Estiveram presentes delegações da Embaixada do Brasil, da Missão do Brasil junto da CPLP e da Casa da América Latina.

Autor de“1808”, o jornalista e escritor Laurentino Gomes lançou “1822”, um relato detalhado sobre a Independência do Brasil. Composta de 22 capítulos intercalados por ilustrações de acontecimentos e personagens da época, a obra cobre um período de catorze anos, entre a volta da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, em 1821, e a morte do imperador D. Pedro I, em 1834.

“Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente por uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também da sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos”, explica o autor. “O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória.” Segundo Laurentino, o Grito do Ipiranga foi consequência directa da fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. “Ao transformar o Brasil de forma profunda e acelerada nos treze anos seguintes, D. João tornou a separação inevitável”, diz ele.


“1822” é o resultado de três anos de pesquisas, durante os quais o autor leu ou consultou cerca de 170 livros e outras obras referenciais sobre a temática no Brasil/ Portugal. Também percorreu diversos locais dos acontecimentos ligados à Independência do Brasil ou à vida de D. Pedro I, nesses dois países. Entre outros lugares, refez o caminho percorrido por D. Pedro do Rio de Janeiro a São Paulo na véspera do Grito do Ipiranga, em 1822. Também esteve no Piauí, local da Batalha do Jenipapo, travada no dia 13 de Março de 1823 e na qual morreram cerca de 400 brasileiros lutando contra uma bem armada e treinada tropa portuguesa. Em Portugal, o autor visitou o Arquipélago dos Açores e as linhas de trincheiras do Cerco do Porto, episódio da guerra civil entre D. Pedro e seu irmão D. Miguel de 1832 a 1834. “O trabalho de campo é o que diferencia um livro reportagem como este”, afirma Laurentino. “A técnica jornalística permite observar esses locais e constatar que, apesar da grande distância no tempo, eles contêm ainda hoje informações relevantes”.


Durante o trabalho de pesquisa, Laurentino teve a orientação do diplomata, ensaísta, historiador, poeta e académico Alberto da Costa e Silva, um dos mais respeitados intelectuais brasileiros. Membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Costa e Silva é considerado hoje o maior especialista brasileiro em África, autor das várias obras fundamentais para a compreensão da história do tráfico negreiro para a América. Entre Novembro de 2009 e Junho de 2010, período em que autor escreveu o livro, leu e anotou cada um dos capítulos, ajudando a corrigir enfoques, datas, nomes e informações.

Com “1808”, Laurentino Gomes ganhou o Prémio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, nas categorias Melhor Livro Reportagem e Livro do Ano de Não-Ficção. Sua obra também foi eleita o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e permaneceu três anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos em Portugal e no Brasil. Nascido em Maringá, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo. Trabalhou como repórter e editor para o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja e foi director da Editora Abril. É membro titular da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.



http://laurentinogomes.com.br/release.php?id=2188


Leia a seguir trecho do primeiro capítulo do livro "1822", de Laurentino Gomes:
O Grito

domingo, 26 de setembro de 2010

DEMOCRACIA QUE TE PARIU!...

W.

REALIZADOR : Oliver Stone


Com: Josh Brolin, Thandie Newton, Elizabeth Banks, Richard Dreyfuss

Um dos mais controversos e incómodos realizadores, Oliver Stone, o cineasta de "Platoon - Os Bravos do Pelotão", "JFK", "Nascido a 4 de Julho" ou "World Trade Center", apontou a câmara a George W. Bush. Crónica sobre a vida e mandatos do 43º Presidente norte-americano, é uma inquirição ao percurso de um homem que passou do estatuto de alcoólico, mulherengo e irresponsável a líder da mais poderosa potência mundial. O retrato de lutas e triunfos, dos demónios interiores e da fé, das críticas à decisão de invadir o Iraque.
Stone retrata Bush como um Presidente "doméstico" e "pequeno", um texano pouco à vontade fora do seu rancho, mas a verdade é que o filme é também ele próprio incapaz de fugir a essa dimensão "doméstica" e "pequena". Não fui ver este filme, quando ele passou nas salas de cinema, porque nessa altura estava cheia de Bush.

Não recomendo este filme, não revela nada de novo, mas depois de o ver fiquei a pensar na democracia  (demo=povo e kracia=governo), regime onde se expandem os jogos de interesses, assim o povo é alienado e vota num imbecil, num incapaz e num irresponsável. Quantos não estão a governar? Podia citar vários: Berlusconi, Sarkozy... e outros...
Considero a frase de Winston Churchill, bastante interessante: A democracia é a pior forma de governo, excepto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.


Depois de ver o filme, vi o programa «EIXO DO MAL» e fiquei siderada com a mostra de vídeos da
CAMPANHA DE Jeferson Camillo 1102 – Candidato Deputado Federal por S. Paulo! Perante estas coisas tenho que confessar que me sinto «aparvalhada» e a reflectir: tudo é possível, tudo pode acontecer!...Obviamente que pensei logo: vamos ter isto por cá? Se isso acontecesse com a permissão das entidades competentes e a aceitação de outros concorrentes, eu nunca mais ia votar. Há limites, há que dar seriedade aos actos, há que respeitar o dito «povo»!.. 

sábado, 25 de setembro de 2010

MAS QUE ABORRECIMENTO!?...

PEÇO DESCULPA DA MINHA AUSÊNCIA NOS VOSSOS BLOGUES,MAS FREQUENTEMENTE APARECE-ME NO ECRAN:

Service Unavailable

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NÃO ME IMPEDE DE ESCREVER, MAS APARECE QUANDO PRETENDO LER OUTROS BLOGUES OU FAZER QUALQUER CONSULTA!...


ALGUÉM ME PODE DIZER QUAL É ESTA «DOENÇA»? HÁ REMÉDIO? DEMORA MUITO A PASSAR? TENHO QUE TER PACIÊNCIA? MAS EU JÁ TENHO TANTA!...


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!...

MAESTRINA JOANA CARNEIRO

Sobre a sua vida, ainda curta e tão bem sucedida, Joana Carneiro diz simplesmente que teve sorte! A maestrina é de facto muito modesta, porque trabalhou muito e sempre esteve disponível para aprender, só assim a maestrina chegou a Directora Musical da Orquestra de Berkley na Califórnia, em 2009, sucedendo a Kent Nagano depois de 30 anos no cargo. Anteriormente foi Maestro Assistente da Filarmónica de Los Angeles (2006-2008).



Ganhou atenção como finalista em 2002 no Maazel-Vilar Conductor's Competition no Carnegie Hall. Tendo ganho o Young Musician's Foundation's 2002, cujos últimos vencedores incluem, entre outros André Previn, Michael Tilson Thomas e Lucas Richman. Em 2005/06, foi a Maestro Convidado da Orquestra Metropolitana de Lisboa, e em 2006/07 foi nomeada Maestro regente convidada da Orquestra Gulbenkian
Joana Carneiro louva os seus pais que lhe deram o melhor que se pode dar aos filhos: espaço para fazer o seu caminho e oportunidade de concretizar os seus sonhos. Ainda guarda a batuta que os pais lhe deram aos 7 anos e, difícil era antever uma carreira nesta área, por muitas razões, até mesmo por ser mulher.


Joana Maria Amaro da Costa Luz Carneiro, nasceu em Lisboa em 1976 (Lisboa, 30 de Setembro de 1976)

MAIS SOBRE JOANA CARNEIRO EM: http://www.musica.gulbenkian.pt/cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_bios_pt&sn=musica&orn=1245
 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

FERNÃO CAPELO GAIVOTA


Lembram-se deste livro? E do filme baseado no mesmo? Eu lembro-me bem e sempre que vejo gaivotas penso no Fernão.



Quando surgiu a febre do Fernão, os meus filhos eram ainda uns miúdos e essa febre também nos contaminou, foi também o apogeu de Neil Diamond.

Como sabem as gaivotas são aves que não voam mais de 30 metros de altura, fazendo sempre o mesmo percurso: da areia da praia até a superfície do mar a fim de se alimentarem dos peixes e restos de comida deixados pelos barqueiros. Nenhuma gaivota se interessa em ir além disso, todas têm um único objectivo na vida: comer. ( há muito tempo que as gaivotas vão se aventurando para o inteiror, a fome a isso as obriga).Todas, excepto Fernão Capelo Gaivota, que mesmo desencorajado pelos seus pais e banido do seu meio, supera as limitações da sua natureza. O livro de Richard Bach é uma metáfora sobre a conquista da liberdade. Fernão cria suas próprias leis e realiza o sonho de atingir voos inimagináveis. A história de Fernão Capelo Gaivota é a história da descoberta do “eu” que busca ser livre à revelia das velhas convenções sociais. O livro de Bach é uma pequena enciclopédia de frases filosóficas e poéticas que se fixam emotivamente na memória. Com Fernão, iremos compreender o quanto é possível fazermos voos sem pensar em limites; eternizar o momento; ultrapassar as fronteiras do tempo passado e futuro; vencer os obstáculos impostos. Enfim, ser puramente livres. Esse é o pensamento vivo de Fernão Capelo Gaivota.
 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

EU MINTO, TU MENTES, NÓS MENTIMOS...

Numa conversa entre conhecidos, falou-se da mentira e da forma banal como hoje predomina em todas as esferas e muito nas altas esferas. Político que não seja mentiroso, não tem carreira. Divagou-se sobre a mentira e até que ponto ela está colada à nossa pele desde crianças.
Obviamente que todos nós sabemos, que sem intenção maldosa, as crianças contam grandes histórias fantasiosos, cheias de imaginação. Mentem quando fazem asneiras, para serem crianças «boas». Claro que as crianças não mentem como os adultos, mas as crianças devem ser desmotivadas a mentir e nada melhor que uma conversa serena, com disponibilidade e compreensão.
É muito natural uma criança, quando interrogada sobre o que está a fazer, dizer: nada! Mas também entre irmãos, quando uma asneira é feita, o que não fez a asneira, assumir que a fez! É uma nobre e generosa mentira. Ou então eu que tenho dois filhos, perguntar: quem fez? Resposta dos dois: eu não! Muitas coisas aconteceram em minha casa misteriosamente!
E quem ensina as crianças a mentir? As pessoas que as rodeiam e a forma como lidam com elas, a exigência, a grande expectativa, a agressividade, a censura…Por vezes exige-se muito a uma criança!
Crescemos e a mentira anda sempre à nossa volta e como eu detesto a mentira! Nessa conversa houve quem considerasse, que a mentira também tem aspectos positivos, obviamente se não causar prejuízos e não for por cobardia, medo ou ódio…Eu rebati, defendendo a verdade ou em último caso a omissão…Então alguém me atirou com esta:
- Em Amesterdão, naquele anexo onde os Frank se foram esconder, se tu fosses vizinha desse casal, tinhas coragem para os denunciar?
Obviamente que eu disse: Claro que não, com certeza que dizia que os desconhecia!
Fiquei a pensar no livro: Diário de Anne Frank. Foi um dos livros muito marcantes que li na adolescência





Annelisse Maria Frank, mais conhecida como Anne Frank, (Frankfurt am Main, 1929 — Bergen-Belsen, 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, que foi morta aos 15 anos num campo de concentração. O seu diário foi publicado pela primeira vez em 1947 e é um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.

MAIS SOBRE ANNE FRANK AQUI

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

STARRY NIGHT

A música escrita por Don McLean em homenagem a Van Gogh, data dos anos70. O título refere-se ao quadro Starry Night. A canção descreve diferentes quadros do pintor. O compositor escreveu a letra após a leitura da biografia de VG, teve um grande sucesso na Inglaterra e nos EUA. Foi tocada diariamente por muitos anos no Museu VG de Amesterdão. A partitura está segura no museu junto com os pincéis, chapéu e outros pertences do pintor. Diz-se que VG pintou Starry Night na clínica onde estava em tratamento e soube que durante toda sua vida só havia vendido um quadro. Isto provocou-lhe uma profunda depressão que o levou ao suicídio.

A QUEM POSSA INTERESSAR...

Exposições comemorativas do centenário do pintor: AUGUSTO GOMES (1910-1976)- Nasceu em Matosinhos e frequentou as Belas Artes do Porto, acabando o curso com 19 valores. Além de pintar, trabalhou com cerâmica, vitral, tapeçaria, mosaico, litografia, xilografia, fez ilustração de livros e também foi cenógrafo no TEP. Muitas das suas obras estão distribuídas por Matosinhos e Porto, mas também por outras localidades.



Repete-se a FESTA DE OUTONO, no Museu de Serralves.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONSTÂNCIA (VILA POEMA)



Este post é dedicado ao Manuel, alguém que faz o favor de ser meu amigo e ter acreditado em mim, aliás como outras pessoas acreditaram. É sobretudo um grande divulgador de poesia e de imensos poetas, onde também está incluído. Há blogues que fazem bem, têm a autenticidade das pessoas se mostrarem como são.

*

Constância, é conhecida por ter sido local de residência de Luís de Camões , que aqui escreveu alguns dos seus poemas líricos, por ocasião do seu desterro no Ribatejo, cerca de 1546 ou 1547. Não há certezas, mas há quem defenda esta versão - e como que a prová-lo, apontam uma casa situada à beira Tejo, a Casa dos Arcos (séc. XV), como sendo a do nosso grande poeta épico. A Associação Cultural tem trabalhado para a sua reconstrução. A Casa-Memória de Camões, o Centro Internacional de Estudos Camonianos.
Virada ao Zêzere, uma estátua do Poeta, da autoria de mestre Lagoa Henriques, evoca a contemplações de outros tempos e, mesmo ao lado, o belíssimo Jardim-Horto Camoniano, de responsabilidade do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Todos os anos, por ocasião do 10 de Junho, Dia de Portugal e de Camões, Constância perfuma-se de flores e frutos, realizando as Pomonas Camonianas.


CAMÕES, é para mim um poeta inigualável, da muita poesia que gosto, deixo dois sonetos:


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões


Busque Amor novas artes, novo engenho

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CINEMA - UM REALIZADOR - ALGUNS FILMES


CLAUDE CHABROL (1930-2010), morreu este mês, precisamente em 12 de Setembro. Director de cinema, produtor de filmes, actor e roteirista francês.
BIOGRAFIA
Recordo principalmente os filmes de Chabrol da década de 70, quando com Stéphane Audran, teve uma frutuosa colaboração. Durante este período, tornou-se um especialista da análise da burguesia francesa, criticando com veemência um conformismo servindo para dissimular a efervescência de vícios e de ódios. No domínio da comédia feroz ou do filme policial. Claude Chabrol nunca deixou de assediar a hipocrisia, as baixezas e a besteira com deleitação ímpar e intensa alegria, à qual participam seus actores predilectos: Stéphane Audran, Michel Bouquet, Jean Yanne. Compôs assim um retrato sem compromisso da França dos anos de 1970, áspero e corrosivo, onde predominam La Femme infidèle (A mulher infiel), Juste avant la nuit ( Pouco antes da noite) ou Les Biches ( Os bichos).
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Comemorando 20 anos de existência, o Jornal Público, está a editar a colecção Série Ípsilon II, que reúne os 20 dos filmes mais aplaudidos pela crítica e premiados internacionalmente. Nesta época, quando o cinema em exibição faz uma programação pobre, relativamente ao que gosto de ver, vou vendo estes filmes, que me permitem desligar da minha vida por 1.95 euros, muito mais económico do que ir ao clube de vídeo, que estranhamente estão a fechar por cá.

Dois dias em Paris De: Julie Delpy
Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Brühl
Uma comédia romântica, sem grandes disparates e sem grandes consequências. O enredo aposta nos equívocos, um dos protagonistas é neurótico, medroso e hipocondríaco e o outro é neurótico, irritadiço, mentiroso e mal-educado, no estilo de Woody Allen. Entretenimento, mas permitindo ir recordando Paris.
Por detrás da história da relação do casal propriamente dita, há toda uma critica presente, relativa aos estereótipos americanos e franceses, tais como as paranóias dos americanos quanto ao terrorismo, com alfinetadas à administração Bush, os comportamentos libertinos e boémios dos franceses e as demonstrações de xenofobia, machismo e preconceito dos taxistas.


Broken Flowers De: Jim Jarmusch
Com: Bill Murray, Julie Delpy, Heather Simms
Sem ser uma comédia, «Flores Partidas» podia ser descrito, como um filme sobre um homem, um «Don Juan», que chegando a meio do caminho se descobre numa selva escura - que é "mental", claro, como são todas.
Bill Murray é um homem enfastiado sentado em casa, olhando para a TV. Um homem com uma longa lista de seduções e mulheres deixadas para trás. A última mulher despede-se no princípio do filme, está farta dele e vai-se embora. Este Don Juan, que tão rapidamente se resigna à solidão do seu apartamento de luzes sempre apagadas, precisa de mais qualquer coisa para se mexer. Recebe uma carta: uma ex-namorada, que não se identifica, escreve-lhe a dizer que teve um filho dele e nunca lhe disse nada, e avisa-o de que o filho, agora um adolescente, está na altura de querer conhecer o pai. Um vizinho, que tem a mania de se armar em detective particular, instiga-o a procurar as mulheres que podiam ter assinado tal carta e prepara-lhe a viagem ao passado, assim irá visitar, uma a uma, cinco antigas namoradas. A ideia da «viagem» de Jarmusch, tanto num sentido metafórico, interior e introspectivo, como em sentido literal, físico e territorial. Mas, sendo uma viagem no tempo, a viagem de «Flores Partidas» é igualmente uma viagem no espaço. Johnston vai ao encontro de uma América típica, ou pelo menos habitada por alguns fragmentos de uma mitologia típica, e este encontro com uma América no cruzamento entre as "raízes", a mitologia e uma espécie de "margem», é um tema profundamente "jarmuschiano". Jarmusch interroga para onde foram "os sonhos da juventude.
Terra da Abundância, de Wim Wenders
Na Los Angeles dos que já não contam, dois esquecidos da América encontram-se na procura da verdade… Ele é Paul, veterano da guerra do Vietname, patriota fervoroso. Exposto ao agente laranja, quando foi Marine, sofre de graves problemas psicológicos e paranóia aguda. Após os acontecimentos de 11 de Setembro, que o fizeram reviver o passado, convence-se que a América está em estado de guerra. Defensor acérrimo do seu país, decide patrulhar as ruas numa carrinha equipada com microfones e câmaras que aponta a quem lhe parece suspeito. Ela é Lana, sobrinha de Paul, uma jovem profundamente cristã que decidiu viver a sua vida de acordo com a sua crença. Depois de vários anos em África e no Médio Oriente, regressa aos Estados Unidos para entrar numa missão católica que presta ajuda aos sem-abrigo. Apesar de terem uma visão do mundo radicalmente diferente, Paul e Lana aprendem, pouco a pouco, a aceitarem-se. Mas é o assassinato de um sem-abrigo paquistanês, que testemunham involuntariamente, que os vai aproximar.
Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci

Em Maio de 1968, o jovem americano Matthew, vai para Paris para estudar francês. Completamente apaixonado por cinema, ele rapidamente faz amizade com a jovem francesa Isabelle e seu irmão gémeo Theo. Os três têm, em comum, uma enorme paixão pelo cinema, sobretudo cinema clássico. A amizade entre eles começa a florescer. Matthew passa a descobrir uma intimidade fora do comum, da qual os irmãos franceses compartilham. Matthew fica inicialmente confuso, mas aos poucos começa a ser atraído para o mundo deles. Entretanto, o profundo relacionamento entre eles é abruptamente interrompido, quando percebem o enorme estardalhaço vindo das ruas de Paris. Havia estourado uma grande rebelião de estudantes e, como que se acordassem de um sonho, decidem unir-se ao movimento.
Este filme tem uma banda sonora, de revisitações saudosas:
Third Stone from the Sun - Jimi Hendrix, Hey Joe - Michael Pitt & The Twins of Evil, Quatre Cents Coups - Jean Constantin, New York Herald Tribune - Martial Solal, Love Me Please Love Me - Michel Polnareff, La Mer - Charles Trenet, Song for Our Ancestors - Steve Miller Band, I Need a Man to Love - Janis Joplin, The Spy - The Doors, Tous les garçons et les filles - Françoise Hardy, Ferdinand - Antoine Duhamel, Dark Star - The Grateful Deal, Non, je ne regrette rien - Edith Piaf.
E faz referências a filmes, como:
Bande à part Louvre,Freaks, Persona, La Chinoise, Queen Christina, Mouchette, Shock Corridor, Pierrot le fou, Top Hat, À bout de souffle, The 400 Blows, Blow-Up, Blonde Venus, Scarface, Sunset Boulevard, City Lights, The Cameraman, Rebel Without a Cause

BERNARDO BERTOLUCCI sobre o filme:
Os jovens não sabem nada sobre 68. É como se tivesse existido uma grande censura e acho que isso é completamente de loucos. Porque mesmo que tenha sido um falhanço dos sonhos revolucionários, 68 foi incrivelmente importante para a mudança do comportamento das pessoas. Tudo mudou. Em Itália, as pessoas costumavam ser multadas por se beijarem na rua! Os miúdos de hoje, que tomam a sua liberdade como certa, não sabem que muito disso foi conquistado em 68.» (...) «Havia uma grande esperança nos jovens que nunca antes fora vista, e que também nunca mais se veria. A tentativa de mergulhar no futuro e na liberdade foi fantástica. Foi a última vez que algo tão idealista e tão utópico aconteceu. (...) «Os Sonhadores» são uma lembrança, como uma peça de música ou um raio de sol repentino. É uma memória de um período em que uma geração inteira acordou pela manhã com expectativas incríveis. Talvez porque vejo os jovens de hoje melancólicos com o futuro, quero lembrá-los de um tempo em que o futuro era positivo.»

Bertoluchi é um realizador de quem já vi filmes de que gostei bastante: Antes da Revolução, a Estratégia da Aranha, O conformista, 1900. Outros que provocaram muita polémica, como O Último Tango em Paris, La Luna. Outros que de facto não gostei tanto, como O último Imperador, Um Chá No Deserto, O Pequeno Buda, Beleza Roubada ...
O Tempo que Resta de François Ozon
Com: Jeanne Monreau, Valeria Brunu-Tedeschi...
Um fotógrafo de moda bem sucedido descobre que só lhe restam poucos meses de vida. Sua reacção inicial não é a de não contar a ninguém da sua família. A única excepção é a sua avó, representada pela fabulosa Jeanne Moreau. Não existe grande intimidade entre eles, mas Romain sente que ela está suficientemente próxima da sua própria morte para poder compreender os seus sentimentos.
Na realidade, ele esforça-se para se distanciar das pessoas mais próximas. Ele insulta propositadamente a sua irmã e rompe de maneira cruel com seu namorado. Mas algo estranho acontece quanto ele viaja para ir a casa da avó. Uma jovem empregada de bar e casada revela, que o considera atraente. Na próxima vez em que o vê, conta-lhe que o seu marido é estéril e, em nome do casal, pede-lhe que a engravide. Romain recusa o convite, mas muda de ideia mais tarde. E os três vão para a cama juntos, numa das raras cenas de amor a três vistas no cinema que consegue ser comovente e emotiva, sem ser lasciva.
"O Tempo que Resta" é um filme curto e sucinto, mas ficou na memória por um tempo.

Mean Creek de Jacob Aaron Estes
Com: Rory Culkin, Ryan Kelley, Scott Mechlowicz
George é um "bully", um rufia - há um rufia na infância de toda a gente "Mean Creek" é, de facto, uma "pequena vingança": um grupo de miúdos planeia punir o obeso George, que ameaça o mais pequeno de entre eles, Sam. Convidam-no para uma expedição rio abaixo. Podia ser só isto, podia ser só uma questão de executar ou não o plano, mas a atmosfera de "Mean Creek" é ameaçadora, estamos à espera que algo aconteça, mas nunca acontece como imaginamos. George revela-se um rapaz vulnerável, sensível à atenção dos outros. O grupo de miúdos decide cancelar o plano, dada a súbita empatia por George, mas este depois revela-se um indomável ogre. A natureza, cenário idílico, contém forças violentas.
Inevitável pensar noutro filme, em que um punhado de homens descia um rio, e a natureza reservava uma vingança "Deliverance/ Fim-de-Semana Alucinante" (1972), de John Boorman. George é um rufia, mas não é o único: "Mean Creek" mostra a violência como uma contaminação, contaminando, até, quem menos se espera. O rufia, no filme, não é uma personagem, é uma cadeia que se impõe do mais forte ao mais fraco.
Estas referências sobre estes filmes, são baseadas em críticas do caderno de cultura Ipsilon, do jornal Público. Quando vejo um filme, gosto também de procurar outros pontos de vista.

domingo, 19 de setembro de 2010

DESIDERATA



EXTRAORDINÁRIO ACTOR RUY DE CARVALHO

Desiderata - Desideratum, que significa "coisas desejadas como essenciais"

Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem se humilhar, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a si: isso o tornaria superficial e amargo.Viva intensamente os seus ideais e o que já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja,ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe.Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm a sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Filho do universo, irmão das estrelas e das árvores, merece estar aqui e, mesmo se não perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito.
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade".

Max Ehrmann (1872 — 1945)

DISSE EHRMANN: Se em um momento de rara felicidade, eu conseguisse escrever algumas poucas palavras de qualidade que pudessem suavizar os árduos caminhos da vida e trouxessem à agitação dos nossos dias um pouco de coragem, dignidade e equilíbrio, eu ficaria muito feliz"
"Contraí uma doença em De Pauw da qual jamais me curei: o idealismo"

BIOGRAFIA: AQUI

[Não conhecia este texto, que com certeza até deve ser muito conhecido. Foi quando li sobre a morte precoce de Francisco Ribeiro, excelente violoncelista, elemento dos extinto Madredeus, que li sobre o seu projecto baseado em Desiderata e comecei a investigar.
O texto é bonito, mas de facto é de um profundo idealismo.]

sábado, 18 de setembro de 2010

PARABÉNS GLORINHA!...

HOJE DIA DO ANIVERSÁRIO DA GLORINHA LEÃO É COM TODO O PRAZER QUE ADERI À BLOGAGEM COLECTIVA SURPRESA, SUGERIDA PELA SUA FILHA THAÍS E AS SUAS AMIGAS BETH E TATI.
Ela é inteligente e culta
Ela é sensível, ela é bonita!
Emociona-me com tristezas e alegrias
E é de uma transparência de estontear!
Tem raça, tem pimenta, tem charme
Mas também simplicidade
Despindo-se de artifícios,
Revela as suas fragilidades,
Mas sempre pronta a lutar!

Na sua casa perfumada de flores
Há sempre à mesa um café e um bolo
E muita vontade de abraçar
E muita força no sorrir!
Um sorriso esfuziante que abre portas
Eu diria mais
As portas estão sempre abertas
Até os animais lá vão
Vão em busca de um carinho
que ela tem sempre à mão.
Seus textos e poemas
São por todos admirados
A sua escrita é espontânea e intuitiva
Brota de si em cascata
Depois da vida de dedicação familiar
Agora esta é a sua finalidade
Sonhar e escrever, escrever e sonhar

Neste mundo virtual
Onde se buscam amigos
Que nos cativam pelo que escrevem
Trocando o que se tem para dar
Ela está presente em muitos espíritos
Ela estende a sua mão
Ela aperta as mãos que estendemos
Obviamente que falo
Da Glorinha Leão.





Minha querida amiga,
Desejo que o teu dia seja feliz, rodeada por todos que amas,que seja aquilo que tu própria desejas e mereces.
AQUELE APERTADO ABRAÇO DE «CONGRATUTIONS».
MANÚ



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Há 925 milhões de pessoas com fome crónica no mundo



O número global de pessoas com fome crónica ascende a 925 milhões, revela um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO). As boas colheitas e a descida do preço dos alimentos ajudaram a reduzir a marca dos mil milhões.
De acordo com os dados da FAO, o número estimado de subnutridos em todo o mundo passou, num ano, de 1,02 mil milhões de pessoas para 925 milhões, ou seja, menos 98 milhões (9,6%). A maioria está localizada na Ásia e na África. Ainda assim, o número é "inaceitavelmente alto" e muito acima dos objectivos das Nações Unidas, cuja intenção é reduzir "dramaticamente" o número de pessoas com fome no planeta. "Com uma criança a morrer a cada seis segundos devido a problemas relacionados com a subnutrição, a fome continua a ser a maior tragédia do mundo - e é um escândalo", afirmou o director da FAO, Jacques Diouf.
Segundo a FAO, a estimativa mais baixa deste ano reflecte principalmente os efeitos dos progressos feitos pela China e pela Índia para alimentar as respectivas populações. Mais de 40% dos subnutridos do mundo vivem naqueles dois países. E cerca de dois terços estão no Bangladesh, Indonésia, Paquistão, República Democrática do Congo e Etiópia.
O director da FAO lançou, entretanto, uma campanha para incitar os líderes mundiais a tomar uma atitude firme e urgente contra a fome. Mais de meio milhão de pessoas já assinaram uma,
petição online


http://www.1billionhungry.org/

apelando aos políticos que façam da redução da fome a sua principal prioridade até o final deste ano.
No início do mês, um perito da ONU em direitos humanos apelou aos governos para que cortem no preço dos alimentos, evitando a todo o custo a especulação, com a qual todo o trabalho feito ficaria perdido. E é justamente esse tema que será debatido numa reunião no próximo dia 24 de Setembro.

PERDÃO

Perdoar é humano, porque humano é errar, mas será possível perdoar a quem tem provocado o caos na humanidade? Como podem ser perdoados os causadores das chacinas atrozes que têm ocorrido neste mundo por todo o lado? Por ex. em Guernica (cidade desmilitarizada) morreram centenas de inocentes, que foram bombardeados sem motivo algum, tinham a sua vida e queriam viver em paz. Picasso pintou este quadro para retratar o estado de Guernica após o bombardeio: restos de pessoas e animais espalhados por todos os lugares.
Dizem que durante uma exposição, um oficial nazi perguntou a Picasso;

Foi você quem fez isso?
Ele respondeu: não, vocês é que fizeram isso, eu só pintei!
Picasso pintou este quadro para lembrar o que nunca pode ser perdoado.




A outro nível, evidentemente que sinto mesmo necessidade de ser perdoada, para me sentir melhor comigo mesma.Fiz mal? Como e onde? E quando? Fiz mal? Sim ou não? Onde e quando?
Fiz mal? Mas a quem? Não me custa pedir perdão, nem dizer desculpe e obrigada, embora essas palavras para muitas pessoas sejam difíceis de pronunciar.

Aprendi na vida com os erros, que cometi ou vi serem cometidos, esse é uma capital de experiência adquirido, portanto nem sempre posso perdoar, nem esquecer. Quando alguém não é correcto, tenho que ver até que ponto essa pessoa é importante para mim e se o é, perdoo, mas possivelmente essa pessoa vai repetir o erro, pensando talvez que vou perdoar sempre, mesmo que me prometa que não o fará. Perdoo, perdoo, até não conseguir perdoar mais, porque isso vai agravando o relacionamento até ele cair de podre. O mesmo se passa comigo relativamente aos outros, se erro eu até posso ser perdoada, mas começarei a ser vista de uma outra maneira, perco credibilidade. O problema nem é pedir perdão ou ser perdoada, é a credibilidade que se vai perdendo, pelas nossas atitudes intempestivas e impensadas. O perdão, pode por outro lado dar a possibilidade de uma auto-análise e o consequente esforço de mudar. Fazer promessas, cria-me responsabilidades. O dever de cumprir, para manter uma identidade e não ficar enredado em contradições e equívocos.
A nível familiar, as pessoas são mais importantes e consequentemente o lema é perdoar-nos uns aos outros, porque também nos respeitamos uns aos outros.


Blogagem Coletiva: Sentimentos/Emoções proposta pela Glorinha do Café com Bolo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

AMOR


Quando se tem a capacidade de amar e valorizarmos esse sentimento, o nosso relacionamento é sempre muito afectuoso com tudo. Ama-se a própria pedra que pisamos, ama-se a vida, a natureza, as pessoas, a nossa família… Quem se disponibiliza a ajudar os outros, a aderir a movimentos que têm o objectivo da mudança, quem se preocupa com o que socialmente vai acontecendo, com o ambiente, a ecologia… quem dedica a sua vida em campanhas de solidariedade e fraternidade obviamente que tem o amor dentro de si… Este amor exige dádiva, empenho, luta…

Evidentemente que há o amor a nível mais pessoal, o amor-afecto, os esteios da nossa vida, o amor aos nossos pais e irmãos, ao nosso companheiro, aos nossos filhos, aos nossos amigos… Um amor que exige muito de tolerância, compreensão, ajuda…
Diz a Bíblia «amai-vos uns aos outros», um bom ideal, mas pouco real…
Depois há aquele amor- paixão, que é uma grande agitação e para o referir convoco o grande Camões, porque ele diz tudo neste soneto:


Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões




Este post tem por finalidade dar os parabéns ao blogue MEU CANTINHO, que hoje perfaz 2 anos de existência e também de enviar aqui deste lado, o maior dos abraços à Cyntia, desejando-lhe uma vida cheia de amor e felicidade.

[PEÇO DESCULPA PELA ANTECIPAÇÃO, MAS AMANHÃ NÃO TENHO POSSIBILIDADE DE ACESSO AO COMPUTADOR]

terça-feira, 14 de setembro de 2010

FACEBOOK


Aquela pieguice do Facebook: queres ser meu amigo? Irrita-me à brava! Pessoas que eu não conheço, de parte nenhuma, lá mandam o convite, queres ser meu amigo? Depois há quem tenha amigos à barda! Amigos? A amizade está de tal modo vulgarizada, que eu já nem sei o que é a amizade!..A amizade pode ser um sorriso e um abraço, pode ser…mas pela internet é inviável! A amizade tornou-se de facto mesmo muito virtual!?...As afinidades contam, mas virtualmente tudo também pode ser uma mentira, é preciso quebrar a solidão, é preciso ter aquela ideia que se tem falta de tempo, por tantos amigos que se tem. Iludir-nos é o nosso fanatismo!
Estou no Facebook e não estou, escondo-me atrás de um nome falso, porque não confio absolutamente em nada. Aliás eu só entrei no facebook, por pressão dos meus filhos e da família, para saber o que era aquilo e por lá pouco apareço! Posso contactar com a família e com amigos, pegando num telefone e falando directamente, também posso mandar-lhes um mail. Há quem diga que aí se encontra muita gente que se cruzou connosco, Já tenho reencontrado pessoas no mundo real e nem me lembro dos nomes, porque aquelas que realmente foram importantes, eu sei como contactar com elas. Há também a hipótese dizem, de arranjar amigos, mas lá está, isso é um tiro no escuro!.. FACEBOOK É ESTAR IN?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ABRIU A TEMPORADA - JOPLIN E ZEMLINSKY


Na abertura da nova temporada cultural, JANIS E A TARTARUGA, um monólogo da actriz, Carla Galvão e que foi inspirado nos anos 60 e em Janis Joplin. Uma geração que fazia a revolução sexual e lutava contra a guerra e o racismo e as tartarugas lentas, que impediam uma mudança social.
MAIS SOBRE JANIS JOPLIN: AQUI








CASA DA MÚSICA
ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO
DIRECÇÃO PETER RUNDEL
Na Casa da Música, integralmente pela primeira vez em Portugal, foi tocado o poema sinfónico, A PEQUENA SEREIA (Die Seejungfrau) , (baseada no conto de H.C. Andersen) do compositor Alexander von Zemlinsky.

Sonoridades aquáticas, deslizantes e misteriosas, dão início a uma das mais comoventes partituras de Zemlinski que retrata a história da pequena sereia que sacrificou a sua própria vida em nome do amor, transformando-se em espuma do mar. Poema sinfónico complementado com sugestões visuais.

Alexander von Zemlinsky (1871 —, 1942) compositor, maestro e professor austríaco.
BIOGRAFIA



PARA CONTINUAR A OUVIR ESTA OBRA:
http://www.youtube.com/watch?v=O0snAu0HWLo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=-K-34IvkpoI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=jZze_2uawNk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=jZze_2uawNk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=tpjNMn7cTgc&feature=related

domingo, 12 de setembro de 2010

PERGUNTAS

Onde estavas tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King
para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que víamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
JOAQUIM PESSOA




Ontem 11.09 foram assinalados dois acontecimentos catastróficos. O assassínio de Salvador Alhende (1973) e a carnificina que ocorreu no Chile, depois do golpe de estado protagonizado por Pinochet, com o ostensivo apoio dos Estados Unidos. Muito me emocionei ao ver o filme «CHOVE EM SANTIGO»

O derrube do World Trade Center em 2001, ataque inédito coordenado pelo grupo muçulmano do Al-Qaeda, ao país mais poderoso do mundo e no qual morreram c. de 3 000 pessoas e muitas têm morrido até hoje com a deslocação de forças armadas, para o Afeganistão e Iraque.


sábado, 11 de setembro de 2010

DE BARCA D'ALBA À RÉGUA

Concluindo o meu passeio, não posso deixar de publicar algumas fotografias do último dia. Depois de uma noite em Mirando do Douro, quase toda passada a conversar, com os locais, sobre tudo. Nessa conversa também se falou das célebres 40 brasileiras dos bares de alterne, que tiveram que sair de Bragança, depois de uma manifestação de «senhoras casadas», que se uniram pelo prejuízo que as mesmas estavam a motivar nos seus lares: ausência dos maridos e gastos extras dos mesmos. Foi uma coisa inédita, mas o gerente do hotel disse, que isso de pouco valeu, as brasileiras foram para uma localidade espanhola e para chegar lá bastava andar 5 minutos de carro!
O cruzeiro, do último dia visou percorrer o Rio Douro, de Barca d’Alba à Régua, sete horas a navegar, numa zona de plantação de vinha em socalcos, com solares, imensas quintas, uma paisagem de facto fantástica.











Um aspecto curioso foi atravessar as barragens, pelo sistema de oclusas. O barco vem a uma cota superior e depois tem que descer, isso aconteceu na barragem do Pocinho, Valeira e Régua, descidas muito acentuadas, a passar os 30 metros, exigindo muitas manobras da tripulação.



Por um sistema hidráulico o barco vai descendo



E descendo, ficando numa espécie de caixa




Uma outra parede vai abrindo, para o barco passar.