«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO (1921-2010)


Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa, em 1921, onde se licenciou em Filologia Românica , na Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico-Profissional, e formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa.
Foi autora de livros de contos e de poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças. Dedicou-se à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
Em 1980, recebeu o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian, e o prémio para para o melhor livro infantil, pela mesma fundação, em 1996, pelo seu trabalho Fadas Verdes (livro de poesias de 1994).
Matilde Rosa Araújo recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em Maio de 2004, foi distinguida com o Prémio Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores.

Os Direitos da Criança
I
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar
Acredite no que acreditar,
Pense no que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito…
II
… A pensar para o homem a
razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz
deixando crescer
Livremente o coração
E o pensamento.
Esse nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva…
III
… E a criança nasce
E deve ter um nome
Que seja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida,
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger,
Chamamos Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhes antes
Mundo…
IV
… E nesse Mundo ela vai crescer.
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz…
V
… Mas há crianças que nascem imperfeitas
e tudo devemos fazer para que isso não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.
VI
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor - a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos terão sua família:
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.
VII
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se
A si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade,
Isto chama-se educar,
Saber isto é aprender a ensinar.
VIII
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar…
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indiferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes…
IX
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negocie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos.
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem…
X
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo.
Ela é sempre a mão da própria vida
Que nos estende,
Nos segura
E nos diz
Sê digno de viver!
Olha em frente!

Matilde Rosa Araújo

14 comentários:

manuel marques disse...

Bonita homenagem a uma grande Mulher.

Beijo.

Maria disse...

Bonito post e bonita homenagem...

Um beijo.

pensandoemfamilia disse...

Olá
Gostei da homenagem que fez e que nos proporcionou em verso.

Barbie Girl disse...

Manu querida,

Linda homenagem, palavras cheia de experiência e amor!!

Amanhã, terá um selinho para ti, fique à vontade para declinar!!

beijos

Lata de luxo disse...

Ola,Manuela.
Em primeiro lugar quero que saibas da alegria que senti ao ver que vc retornou e estas de novo na ativa.Com seus artigos,sempre cativantes e culturais,posso dizer que vc faz a diferenca,para melhor.
A bonita homenagem a essa grande mulher,mostra bem sua aptidao em colocar artigos relevantes e que abrem nossos horizontes.Os Direitos das Criancas tambem sao de suma importancia,e devem ser defendidos de facto por quem ama os pequenos.Parabens pela bela iniciativa.Grande beijo.zenaide storino.

Beth/Lilás disse...

Bonita sua homenagem a tão importante senhora das letras.
Não a conhecia, mas é sempre tempo para conhecer quem faz uso das palavras com tanta sabedoria, por isso seu espírito viverá para sempre.
beijinhos grandes cariocas

Luma Rosa disse...

Que bonitinha!! ;) Lembrei de minha avó que também se chamava Matilde e tinha o último sobrenome Rosa, assim como o meu!
Poema maravilhoso e salutar distinção! Obrigada por me apresentar! Beijus,

Maria Teresa disse...

Manuela:
Não a conhecia, imagine! Vou procurar o Fadas Verdes que você mencionou. Quem escreve para crianças e se preocupa com elas deve ficar no céu em forma de estrela para sempre...
Beijos

Elaine Barnes disse...

Lindo os direitos da criança. Agora que sou avó então...A Gente parece que amadurece mais e fica mais perocupadas com esses anjinhos.Belíssima homenagem a essa mulher tão sensível. Montão de bjs e abraços

Glorinha L de Lion disse...

Que lindo Manu, que essa linda senhora seja sempre lembrada pelo que fez e jamais esquecida...Pelo menos aqui, o povo não tem memória e esquece rápido quem merece ser lembrado.
Beijos querida amiga!

Jaime Piedade Valente disse...

merecia maior atenção, mas parece que as solenidades foram todas gastas com o o Saramago

Barbie Girl disse...

Amei vê-la em meu cantinho!!

Obrigada Manu, pelo carinho!!

beijos no coração!!

Sandra Botelho disse...

Linda homenagem...
Maravilhoso poema.
Como seria bom se todos respeitassem os direitos das crianças. Fizessem deste poema um hino
Bjos achocolatados

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

e é bom lembramos disso que não há dor maior que criança aprendendo pela dor não ser criança