«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 20 de fevereiro de 2010

ARNALDO SARAIVA – VIVE POETICAMENTE ENTRE PORTUGAL E BRASIL


Arnaldo Saraiva, ensaísta, cronista, antologista, poeta e ex-professor catedrático da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), onde criou a cadeira de LITERATURAS ORAIS E MARGINAIS, foi o precursor de estudos académicos sobre textos populares, folhetos de cordel, provérbios, orações, advinhas, slogans e mesmo grafites. Ano passado proferiu a sua Lição de Jubilação.

E agora José?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu
A noite esfriou
E agora, José?
E agora, você?
Carlos Drummond de Andrade

Segundo disse, não vai colocar a manta nos joelhos, vai dedicar-se mais à escrita, tem solicitações de colóquios e debates, em Portugal e no Brasil e vai continuar a viver poeticamente. Lamenta no entanto as aulas, esse convívio, onde fazia descobertas e investigações, motivadas pelos alunos. Nunca concebi um professor que soubesse tudo e não tivesse nada a aprender com os alunos.
Arnaldo Saraiva, vê interesse no mais insignificante texto, que a intelligentsia olha de viés. Só depois do 25 de Abril pode criar uma cadeira, que estudasse esta matéria.
Para Arnaldo Saraiva, a poesia é a grande expressão da estética verbal, a forma que melhor trabalha a linguagem. Por uma série de coincidências, diz Arnaldo Saraiva, foi empurrado para um convívio próximo com grandes poetas, como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Carlos Drummond, João Cabral de Melo Neto, Herbert Hélder, Ruy Belo…
Arnaldo Saraiva fundou o Centro de Estudos Pessoanos (Revista Persona), foi leitor da Universidade da Califórnia onde privou com Jorge de Sena, é Presidente da Fundação Eugénio de Andrade, antologiou vários poetas e disse ter descoberto a literatura e a cultura brasileira graças ao sobressalto da descoberta da obra de Drummond de Andrade. O Brasil, esse «impávido colosso», é de facto, e desde há muito um dos azimutes intelectuais de Arnaldo Saraiva. Esta relação com o Brasil (enamoramento) é considerada por Arnaldo Saraiva um mistério, porque não tem qualquer raiz brasileira.
Presentemente Arnaldo Saraiva, está a concluir um livro sobre Machado de Assis, que conjuntamente com Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, considera a literatura brasileira como entre as maiores do mundo. Arnaldo Saraiva é Sócio Correspondente da Academia Brasileira de Letras. Segundo ele para estudar a literatura brasileira, tem que se estudar a portuguesa e vice-versa.
Os seus projectos são: organizar regularmente um colóquio que junte escritores portugueses e brasileiros e criar uma grande biblioteca da cultura brasileira, equipamento que não existe na Europa.
Tem 20 livros para publicar, na qualidade de investigador e ensaísta, continua a ser cronista no Jornal do Fundão, faz muita poesia para a gaveta, porque segundo diz: A humanidade já tem grande literatura. E qualquer leitor é também criador.

[Nasceu em 1939, em Casegas (Covilhã). Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, doutorou-se na Faculdade de Letras do Porto, onde exerceu a função de docente de Estudos Brasileiros e Africanos. Foi leitor de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (U.S.A.) e professor convidado da Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle). Fez estudos superiores no Rio de Janeiro, onde preparou a tese "Carlos Drummond de Andrade: do Berço ao Livro". Em Paris fez estudos sob orientação de Roland Barthes, A.J. Greimas e Gérad Genette, fez também estudos superiores em Urbino. Colaborador da Radiotelevisão Portuguesa, da Radiodifusão Portuguesa (Antena1) e de várias publicações portuguesas e estrangeiras. Colaborador da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Está representado na "Antologia dos Poetas Brasileiros - Fase Moderna", de Manuel Bandeira e Walmir Ayala e na "Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa", de Maria Alberta Menéres e E. M. de Melo e Castro.]

3 comentários:

Maria Ribeiro disse...

MANUELA FREITAS: lindo e rico texto, sob o ponto de vista cultural.Não conheço a personalidade de ARNALDO SARAIVA, senão de ouvir falar mas tens razão: quem não aprende a vida em contacto com os seus alunos? Quantas coisas , atitudes ,emoções , eu sei lá! aprendi com eles que pensavam que eu é que sabia tudo!
OBRIGADA por este lindo e enriquecedor artigo!
BEIJO DE MªELISA

manuel marques disse...

Gostei do texto.

Beijos.

Maria de Fátima disse...

Olá Manuela, óptimo texto.Sempre gostei muito de ouvir o Arnaldo Saraiva falar na RTP.Beijocas.