«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 16 de maio de 2010

«PAU-DE-CABELEIRA»


Anda por aqui uma senhora, discreta e silenciosa, como é do seu timbre, que às vezes vai deixando pequenos comentários. É uma pessoa muito ligada a mim, a quem eu chamava mãe de brincadeira e, que o tem sido há muitos anos, em circunstâncias mais difíceis da minha vida. Não tem idade para ser minha mãe, mas com uma diferença de 10 anos, eu ainda era uma criança e ela já era uma mulher. Namorava e eu ainda era uma criança e fui «pau-de-cabeleira», como se dizia, o que quer dizer que para onde fosse tinha que me levar. Que grande frete devia ser, andar sempre com a catraia às voltas! E para o namorado é que devia ser uma decepção!?.. Antes era assim, mandava-se a criança, porque à frente de uma criança não iam fazer certas coisas! Mas o que faziam ou não faziam, não me interessava absolutamente nada. Para mim era muito bom, ia tendo uns chocolates, uns livrinhos, assim umas «coisitas» que o namorado dela me dava! Além disso passeava, ia ao cinema, ia lanchar, maravilha! Não me lembro mesmo nada se havia interrogatórios por parte da minha mãe ou se eu dizia alguma coisa. Quase tenho a certeza que não, porque as queixas em casa é que eu não contava nada. Ia ao passeio da escola, ia a casa de alguém, perguntavam sobre isto e mais aquilo e eu não dizia nada, depois acabava por dizer quando me apetecia! Perguntas simples, do género o que lanchaste, o que eu tinha visto em passeio e, eu lacónica, até que se cansavam de usar o saca-rolhas! Parece-me ter sido um «pau de cabeleira» acessível e devo-lhe muitas experiências novas que então vivi.

DIGA LÁ MINHA IRMÃ, TEM ALGUMA COISA CONTRA O SEU PAU DE CABELEIRA?

19 comentários:

Eliana Pessoa disse...

MANÚ QUE BACANA ESSAS LEMBRANÇAS DA INFÃNCIA !
SUA AMIGA DEVIA GOSTAR MUITO QUE VC FOSSE SEMPRE JUNTO AOS PASSEIOS COM O NAMORADO!
SABE AQUELES ERAM BONS TEMPOS! HOJE OS NAMOROS SÃO MAIS QUENTES CHEGAM A SER INDECENTES ALGUNS...
Ñ DA MAIS PARA SER PAU DE CABELEIRA!

manuel marques disse...

Com que então,alcoviteira!

Heheheheheh.

Beijo.

direitinho disse...

Recordações que nos enchem a alma de saudades.
Gostei da história do pau-de-cabeleira.
História característica doas anos 50/60.

Maria disse...

Quando, na época, se recebiam chocolates ou rebuçadosn ou balões ou livros ou fosse-o-que-fosse não nos passava ser contra o pau de cabeleira!
Até porque nos uníamos todos contra a ameaça da 'colher de pau', hehehehehe.

Beijo, Manuela.

Marliborges disse...

Ah,ah,ah, Pau-de-cabeleira! Essa eu não conhecia. Por aqui a gente costumava chamar de "chá-de-pêra". Não me pergunte porquê. Não sei. Mas, voltando ao assunto, concordo com o Manuel Marques, pau-de-cabeleira?, Que nada, é alcoviteira. Sim senhora! E das boas!!! hehehe.
Beijo

Laura disse...

Ah, que belissima prosa e melhor romance... amei ler-te, amei lembrar que havia esses tempos, no meu caso o meu irmão mais novo... ah, tem de sair o post de recordações, mas aí eu já era uma mulher e ele um rapazote dos seus 14 anos... vá que ele era um amor, deixava-me onde eu quisesse e desaparecia com os amigos para nos junatrmos horas depois, ahhh sorte a dos pais que eu era equilibrada...

Muito bem, foste um pau de cabeleira muito ajuizado e nada queixinhas, aliás só tinhas a ganhar...Eu nunca tive uma irmã, só dois manos...
Acho que ela tem muito a agradecer e tu pelo que ias levando, livritos, cinemas, umas voltinhas e na tua idade até devia saber bem, criança quer é alegria, cor , movimento...
Beijinhos mil da tua amiga laura...

Glorinha L de Lion disse...

Que delícia Manu...essa senhora é tua irmã, ou irmã de amizade? Eu, ainda bem não peguei essas coisas...aqui minha mãe fazia questão era de horário...tinha que estar em casa às 10 da noite...como se não pudéssemos fazer de tudo à tarde....adorei saber disso de tua vida! beijo

Memória de Elefante disse...

Manuela!

Aqui chamávamos de "chá de pêra", não me pergunte por que?
Hoje em dia já não mais existe, pois os costumes estão tão diferentes, tudo mais Livre, largado.
Boas lembranças que compartiste conosco, bem divertida esta época!
Mas o namorado é quem não devia gostar nem um pouco de estar sendo "vigiado" (risos).

Um beijo

José Sousa disse...

Gostei muito, não só de seu blog, mas também do que escreve. tem muita coisa que me revejo nelas.
Siga os meus, tem de tudo e alguma poesia de minha autoria. Vá para:
www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com
Um forte abraçõ

Agulheta disse...

Manuela.Gostei de ler as lembranças que sempre abudam na memória.O meu irmão era o meu (pau de cabeleira) a minha mãe nunca me deixava sair com o namorado "marido" sem ele andar a trás de nós,e se tivesse que haver mais,um beijo ele tinha que receber os rebuçados,mas é sempre bom os momentos,não voltam mais.
Beijinho

Chica disse...

Lindas lembranças e por aqui, se chamava doce de pera,rsrs...beijos,chica

Rozani disse...

Oi Manuela!
Adorei o post do show que vc foi ver.
Que lugar incrível!Lindo demais!Deve ter sido um grande show!
Bjs,Rozani

Renata Boechat disse...

Que chamamento mais carinhoso! E a amizade que restou mais linda ainda!

Parabéns pela homenagem a sua amiga querida, me emocionou, quem dirá a ela!!!

Manuela Freitas disse...

Queridos amigos/as,
Trata-se mesmo da minha irmã. Obviamente que eu já não tive pau-de-cabeleira, ou chá-de-pera, como dizem aí (desconhecia), o meu problema era sair à noite, não podia e, como a Glorinha muito bem diz, se queremos fazer algo, de dia ou de noite, tanto faz!
Isto além de recordações, visa também a história dos costumes!
Também houve um tempo de se namorava à janela! Hoje em dia, de facto a diferença é abissal, até porque já não há o problema da virgindade, que daria para outro post!...
Beijinhos e obrigada.
Manú

Tetê disse...

Oi, querida! Você narra suas lembranças de forma muito gostosa de se ler! Fui ler o texto que me indicou e comentei lá... Passando para agradecer sua visita ao Livre Pensamento e avisar que atualizei deixando um link para o Tempo de Celebrar pois hoje é dia de celebrar da Ascensão do Senhor! A Ascensão é a plenitude da Páscoa... então, vamos celebrar! Bjks Tetê

Graça Pereira disse...

Manela
Pois é ...no nosso tempo era assim!!
Fui "pau de cabeleira" e também usei outras...quando chegou a minha vez...algumas histórias bem engraçadas que, talvez um dia vos conte...
Beijo amigo e uma semana cheia de sol.
Graça

elisabete disse...

Acredita qye foste uma simpática "pau de cabeleira".Eras boa companhia não chateavas nem eras "cuscas".Quando eu arranjar novo namorado convido-te outra vez.Concordas maninha?

Elaine Barnes disse...

Bacana recordar a infância e seus encargos. Adorei toda a história. Aqui se chama "vela" Diz "segurar a Vela" quanto a iluminar tudo,observar e participar qundo os mais velhos colocam crianças pra acompanhar um casal que precisa ser "vigiado" rs...Bobagem né?! Montão de bjs e abraços

Regina Coeli disse...

Ah! Manu,
Que post mais terno!
Sua irmã gostou de você como "PAU-DE-CABELEIRA, ainda mais que você não comentava nada em casa!!!
Ká,ká,ká, ká!!!
Aqui na minha região quem acompanha os casais é o "SEGURA A VELA", para iluminar os ambientes...
Essas doces lembranças são maravilhosase enternecem os nossos corações.
Apesar dos já 61 anos eu não tive
"SEGURA A VELA"...
Muito charmosa sua irmã!
Beijinho carinhoso.
Regina Coeli
Regina Coeli