«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 27 de maio de 2010

VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA!


Viver sempre também cansa!

"Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
SOBRE JOSÉ GOMES FERREIRA AQUI

6 comentários:

manuel marques disse...

Lindíssima homenagem.

Entrei no café com um rio na algibeira

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

Beijo.

Chica disse...

Linda escolha!Bela poesia!beijos,chica

Maria disse...

É muito bonito este poema do Zé Gomes...

Um beijo, Manuela.

elisabete disse...

"VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA" é verdade. Achei muito belo, obrigado.

Rozani disse...

Oi Manuela!
Que linda esta poesia,Viver sempre também cansa!Gostei muito da sua blogagem coletiva da cor preta.Bacana você falar do seu gatinho e muito legal você postar sobre o casal do momento que está de preto.Muito obrigada pelo seu comentário no meu blog.Eu também prefiro outra pedra, o diamante.Eu ia falar do preto também, mas eu pensei que fosse só sobre as cores da blogagem coletiva.Quando vi que você postou sobre o preto,eu pensei...pôxa, eu queria ter falado do preto.
Um bj grande,Rozani

Fatima disse...

José Gomes Ferreira
Não conhecia. Gostei muito.
Bjs.