«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 20 de maio de 2010

VOILÁ! C'EST PARIS!?...


Quando um sonho é persistente, não há nada a fazer!...Penso que de uma maneira ou de outra se vai concretizar. O meu desejo de ir a Paris, era uma ideia fixa e contra ventos e marés um dia decidimos: é este ano. Numa altura de falta de divisas, lá conseguimos pedindo a um pedindo a outro, juntar algumas. A ideia era ir a uma agência de viagens, mas antes disso, aconteceu o inesperado! Um dia chego a casa à hora do almoço, subo no elevador, contorno o patamar e vejo a porta da minha casa escancarada e o chão cheio de farripas de madeira. Desci logo e fui ao merceeiro pedir ajuda. «Ó Sr. Manuel assaltaram-me a casa, tenho medo de entrar». O Sr. Manuel foi buscar uma pistola e lá fomos. Antes de entrar o Sr. Manuel deu dois tiros para o ar, só que a pistola era de alarme, só fazia barulho. Pum, pum e em cada divisão que entrava era pum, pum…
Na casa já não estava ninguém, mas eu tinha a casa toda virada do avesso, as roupas pelo chão, tudo que era gavetas, andava pelo chão, nenhum sítio foi poupado e claro o cofre onde guardávamos as divisas tinha voado, mais umas pequenas jóias…enfim foi uma razia!
Veio a polícia, veio a judiciária para tirar as impressões digitais e muito mais tarde o meu marido foi convocado a ir à polícia. Tinham apanhado o ladrão, que tinha praticado na zona uma série de assaltos, era comum nessa altura. O cenário, que o meu marido encontrou: um homem bastante novo, com a mulher em pranto e com um bebé ao colo e os lesados presentes resolveram perdoar.
O dinheiro é que se foi, viagem em risco, até que dissemos, vamos e vamos mesmo! E assim foi, fomos de carro e com tenda, quando pensávamos ir de avião e para um hotel. O ir de carro nem foi assim tão mau, porque acabamos por conhecer o norte de Espanha, a zona norte francesa e depois viemos pelo sul de França.

Antes de ir a Paris, eu já amava Paris! Os livros, as pinturas, os filmes, as canções, alguma cultura francesa que fui adquirindo, inclusive o estudo que se fazia por cá da língua, porque nessa altura o francês era prioritário e o inglês nem tanto.
Quando fui a Paris, fui em busca de um tempo perdido…Maio de 68 tinha sido há 10 anos, as caveaux existencialistas onde Greco cantava, já não tinham aquela mística e também não encontrei Sartre e Beauvoir no seu Cafe de Flore,


nem os grandes pintores em Montmartre…No entanto a cidade a preto e branco dos filmes da nouvelle vague, de Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer …surpreendeu-me, porque encontrei uma cidade esplendorosa, de uma luminosidade intensa e de um requinte incomparável. Largas avenidas, edifícios deslumbrantes, gente afável e charmosa, embora o francês seja dito de snob! Que maravilha era passear pelas ruas e avenidas, pelos Champs Elysèes, pelas Tuileries, pelos Jardins du Luxemburg e ir observando as pessoas! Só calcorreando muito se pode apreciar!
Evidentemente que eu fui fazer o corrupio turístico habitual: Louvre, Orsay, Museu do Homem, Grevin, Rodin, Hotel d'Ville, Grand e Petit Palais, Iglesi La madelaine, Obelisco, Invalides, Pantheon, Torre Eifell, Arco do Triunfo, Notre-Dame, Sacre-Coeur, Sorbonne, Opera («maravilhas maravilhosas», já muito referidas!)…e o Centro George Pompidou, um sítio de cultura imprescindível. O edifício é espantoso, feito em tubos e com uma escada rolante panorâmica, que nos levou até ao topo e de onde se tinha uma perspectiva de toda a vastidão da cidade.

Aí existiam exposições internacionais variadas de vanguarda e, no exterior assistia-se a «performances», muito interessantes, eu passei algum tempo a deambular por lá.
Foram dias vividos até ao esgotamento, onde depois se tentava descansar um pouco no Bosque de Bolonha, onde se situava o parque de campismo, o que não era fácil! Era povoado por gente muito nova, de todas as partes do mundo, bebiam uns copos e estavam a cantar e a tocar até de madrugada!
Fui também a Pigalle, Moulin Rouge, mas não encontrei Toulouse-Lautrec! Um dia, depois de um lauto jantar que nos ofereceram, (amigos, também nos «salvam»), decidiram levar-nos à famosa Rue S.Denis, a rua da prostituição. Nessa altura era obrigatório para os «bacocos», as camionetas de turismo passavam por lá, elas colocavam-se ali, ao lado umas às outras, com casaco de pele, que depois abriam, para mostrar o seu vestuário reduzido. O meu companheiro teve vários convites e eu depois, de ter bebido whisky, vinho e champanhe, tudo me fazia rir, estava numa de sem saber onde estava, a levitar!...


Maravilhoso para mim, pelas perspectivas que oferece, foi um passeio no «bateau-mouche» no rio Sena, esse rio de tantas histórias…Esse passeio foi feito ao pôr-do-sol e em Paris o pôr-do-sol é muito cedo. Boa perspectiva da cidade e lá passamos pelas 33 pontes (não sei se agora tem mais), destacando a belíssima ponte Alexandre III e a Pont Neuf, a mais antiga das pontes que cruzam o rio Sena, embora se chame nova.

Perto de Paris, existe algo realmente imperdível, refiro-me a Versalhes, ao mundo criado pelo Rei Sol, Luís XIV.

O Palácio (a sala dos espelhos é esplendorosa), Le Petit Trianon, os jardins, foi das coisas mais estupendas que eu vi até hoje.
SEM PALAVRAS!

11 comentários:

Glorinha L de Lion disse...

Manu, ficastes caladinha ein sua danadinha? E na calada fostes lá...no meu sonho... Que maravilha maravilhosa como dissestes!
Espero que tenhas aproveitado e muito (e pelo visto, sim! ) o passeio...Um dia, além de sonhar, irei! Com certeza! Adorei passear contigo por essas maravilhas na Cidade Luz e arredores...Le jour de gloire est arriver! E Vive La France! Bisus.

manuel marques disse...

óptimo artigo,temos repórter...


"A civilização é um sentimento e não uma construção: há mais civilização num beco de Paris do que em toda a vasta New York.

Eça de Queiroz.

Beijo.

Eliana Pessoa disse...

ADOREI FAZER ESSA VIAGEM ATRAVES DE VC QUE É UMA CICERONI ÓTIMA!
NOSSA QUE LUGARES MARAVILHOSOS! ADORARIA CONHECER MAS...QUEM SABE UM DIA!!!
BJIM

Renata disse...

Minha querida Manu,

Tiveste a oportunidade de sonhar acordada na Cidade Luz!
Belíssima historia a sua, e concordo, os personagens históricos não habitam mais a Paris das prostitutas e dos sem fim de imigrantes do século XXI, mas Paris ainda é, e ainda será Paris dos monumentos, das batalhas, das guerras, das conquistas, dos cafés, dos pintores, dos filósofos, dos amantes...enquanto existir gente que sonha, e que enxerga a luz da cidade mais linda do mundo!

direitinho disse...

Uma viagem bem documentada e elucidativa.
A guia é óptima.

Maria disse...

Que bela viagem acabei de fazer...
Excelentes e elucidativas fotografias!

Um beijo, Manuela.

Ana Paula Sena disse...

Ai, Manuela... Paris! Que saudades! Estive lá há cerca de 20 anos, muito nova. Inesquecível. Adorava voltar agora, pensei ir neste Verão... Mas, acho que não vai ser possível.

Por isso, adorei revisitar todos os lugares que mostrou com belas fotos e cativantes palavras :))

Beijinho grande.

Beth/Lilás disse...

Uh, la lá!
Que belo passeio fiz contigo pela cidade luz! Sem palavras ficamos todos, diante de tão lindas paisagens.
bjs cariocas

as-nunes disse...

Há quantos anos? algumas décadas (...), não ando eu e a minha mulher, a Zaida, a falar nesta possibilidade? E a Londres? E voltar a Moçambique?

E nós a sentirmos a vida a passar...o tempo do nosso tempo a encurtar...

Para quando?

Belíssima reportagem, Manuela
Bj
António

Maria Teresa disse...

Como sempre ouvi dizer, "o melhor da festa é esperar por ela"... Só que em se tratando de Paris, e como você bem delineou, o melhor acontece antes, durante e depois. Maravilha de retorno pleno de admiração e alegria você nos proporcionou.
Bjos

Bordados e Retalhos disse...

Manu, será que um dia irei a Paris? Mas de qualquer forma adorei o texto e as fotos aqui no seu blog. Querida vc tem muita história pra contar heim!!Cartas para o marido na guerra? Quantos sentimentos escritos e guardados ali pra sempre. Como arquivista não posso deixar de perguntar: esas cartas foram guardadas. Pois merecem uma caixinha linda, bordada de saudades, carinhos e muito amor. Foi assim que interpretei seu comentário no meu blog. Bjs amiga