«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 25 de maio de 2010

SITUACÃO INACREDITÁVEL...

Considero o artigo, que vou inserir importante. Vou cortar alguns fragmentos, para não o tornar tão extenso. Eu fiquei indignada quando li, os interesses económicos não têm limites!?...


Strawberry fields forever

Os homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres.
Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-se no local da selecção.
Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil.
A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas. As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos. É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa e comida, e trabalham de sol a sol. É assim durante meses, seis meses máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados. São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa. As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás. Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos dos escravos africanos no tempo da escravatura, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de "emigração ética".
Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres. O recrutamento fez deslizar a responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens, desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação.
…/…
Que esta história se passe no século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável. A Europa, ou os burocratas europeus, perderam, a vergonha e a ética. …/…Damos às mulheres "uma oportunidade", dizem eles. E quem se preocupa com os filhos? Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? …/…Não. O método de recrutamento seria considerado vil, uma infâmia social. Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental. O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de estarem muito preocupadas com os direitos humanos.
Como é possível fazermos isto às mulheres?
Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão.
Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão.



(Um excelente texto da Clara Ferreira Alves sobre a Europa.
Dá que pensar sobre o rumo que a sociedade vem tomando.)

10 comentários:

Mar Arável disse...

Eles comem tudo

nesta sociedade de paraísos prometidos-até os mais elementares direitos humanos

direitinho disse...

Já conhecia esta barbaridade.
Enganam e exploram as pobres criaturas.
Resta saber se no final recebem todos os dias de salários ou se fazem maquias diferenças.

Maria disse...

E desde quando têm limites os interesses económicos, Manuela?

Beijo...

Fatima disse...

"E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos..."
Renato Russo

Bjs querida.

Agulheta disse...

Olá Manuela.
Este é mais um caso lastimoso da escravatura do século XXl,como podem, e onde fica os direitos humanos,claro que uma mulher de M grande,olhando para o lado e ver os filhos pequenos a pedir o pão? Logo dizem sim a este tipo de coisas,é fazer greve e deixar de comparar morangos espanhois,que todos os dias chegam a nossa mesa e hipermercado,sem saber a tortura que alguns trabalhadores sofrem,para conseguir ums míseros euros.
Beijinho

Glorinha L de Lion disse...

Manu, estou impressionada! e AINDA DIZEM QUE OS EUROPEUS ESTÃO NO PRIMEIRO MUNDO...SIM É O PRIMEIRO MUNDO QUE ESCRAVIZA, USURPA E EXPLORA OS SUBDESENVOLVIDOS....SÃO OS PRIMEIROS NISSO E EM ESTAREM LEVANDO O MUNDO Á BANCARROTA....COMO SEMPRE, COLONIZADORES E COLONIZADOS E AS MULHERES, A CORDA MAIS FRACA NESSE CABO DE GUERRA...
BEIJOS.

manuel marques disse...

A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado .É um fartar vilanagem
.

Beijo.

Glorinha L de Lion disse...

Manu, desculpe ter saído em letras maiúsculas...não estava gritando...meu dedo escorregou e quando vi já estava escrito assim...me deu preguiça de escrever de novo,desculpe tá?
Beijos

Beth/Lilás disse...

Nossa, que barbaridade!
Muito claro e verdadeiro isso que a Clara disse:
"O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de estarem muito preocupadas com os direitos humanos."

Lembrei-me do livro "Equador" de Miguel S.Tavares que no início do século XIX mostrava a escravidão dos pobres negros no continente sul americano. Toda a pobreza e sofrimento daquele povo, coitados!

Agora, as pobres e miseráveis do Marrocos, sucumbem nas mãos dos homens que ainda não aprenderam que subjugar, escravizar, humilhar não é o que a santa igreja católica que impera na Europa ensina.
E estas mulheres fogem do flagelo que outra religião,a delas, as impõe.
Ô mundo!!!!

Excelente reportagem amiga, gostamos muito de tomar conhecimento dessas coisas por pessoas assim como você aí do outro lado do Atlântico.

super beijos cariocas

Beth/Lilás disse...

Ooops, voltei!
Lembrando que foi no próprio continente africano e não americano coo citei. desculpa o erro.
bjs