«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 9 de novembro de 2009

20 ANOS DEPOIS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

O Muro de Berlim, foi uma barreira física, construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar.Durante uma onda revolucionária que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de Novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, numa atmosfera de celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs, mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase todo da estrutura. A queda do Muro de Berlim, abriu o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 3 de Outubro de 1990. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria. Para maior aprofundamento de toda esta situação, consultem:
pt.wikipedia.org/wiki/Muro_de_Berlim


PARA QUEM EVENTUALMENTE POSSA ESTAR INTERESSADO NAS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DO MURO 20 ANOS DEPOIS, INCLUO UMA ENTREVISTA DO CONCEITUADO HISTORIADOR ERIC HOBSBAWM, COM QUEM SE PODE ESTAR DE ACORDO OU NÃO, O IMPORTANTE É QUE SUSCITA UMA REFLEXÃO.

Passados 20 anos, qual é o legado político e económico da queda do Muro de Berlim?
HOBSBAWM - O legado económico é certamente menos dramático do que o político. Economicamente, significou a destruição do que restara de um sistema socialista planeado na União Soviética e na Europa do leste, que já estava em declínio e a integração da antiga região socialista na economia capitalista global. Isso levou a um colapso social e económico na ex-União Soviética, embora, posteriormente, a Rússia e algumas ex-repúblicas soviéticas tenham visto alguma recuperação, baseada nos altos preços da energia e dos consumos industriais. Com algumas excepções, a região provavelmente permanece, em termos relativos, mais atrás do Ocidente do que estava antes da queda do muro. Ela desenvolveu um nível chocante de desigualdade económica. Os efeitos políticos, por sua vez, têm sido enormes. Eles reduziram a Rússia de superpotência a um Estado não maior do que era no século XVII. Além disso, a União Europeia saltou de 15 para 27 Estados, e foi criada uma Alemanha unificada no coração do bloco.Também foi reintroduzida a guerra [conflito nos Balcãs nos anos 90] e a instabilidade política na Europa, após o colapso do único Estado comunista, a Jugoslávia. Isso acabou por tornar os Balcãs mais "balcanizados" do que antes. Outro efeito da queda do muro foi a destruição de um sistema internacional estável. Isso porque se atribuiu aos EUA a ilusão de que poderiam, como única superpotência global, exercer a sua hegemonia no mundo todo.
Berlim não se tornou uma das principais capitais europeias, como se previa 20 anos atrás, e a Alemanha, embora rica, foi há pouco superada economicamente pela China. Nesse sentido, a queda do muro foi um fracasso?
HOBSBAWM - Berlim não se tornou uma grande capital europeia porque a reunificação política das Alemanhas Ocidental e Oriental não criou um país genuinamente unido. A antiga Alemanha Oriental -embora os seus habitantes estejam hoje muito melhor do que estavam antes de 1989- perdeu a sua base económica para a Alemanha Ocidental. Além disso, apresenta índices de desemprego elevados e continua a perder a sua população para a antiga Alemanha Ocidental. Berlim tem muito poucos habitantes para uma cidade com a sua importância histórica. Para quem a visita, ela parece uma pessoa encolhida usando um sobretudo grande demais para seu peso actual. Culturalmente, nunca reconquistou a posição que detinha entre 1871 [quando o Império Germânico inaugurou o Segundo Reich] e a ascensão de Hitler [em 1933]. Isso não quer dizer que a Alemanha como um todo esteja em declínio. Ela, por exemplo, não pode ser comparada com a China (80 milhões de habitantes contra 1,3 bilião). Mesmo com um PIB maior do que o da Alemanha, a China é muito menos desenvolvida, muito mais pobre e menos capaz em áreas como tecnologia de ponta. Se há perigos futuros para a Alemanha como potência económica, eles nascem da relativa lentidão do desenvolvimento económico da UE.
A queda do muro representou o colapso do pensamento de esquerda?
HOBSBAWM - Ela simbolizou, mas não foi a causa, da crise do pensamento de esquerda, que já vinha desde os anos 1970. Estritamente falando, ela apenas demoliu a crença de que o socialismo de corte soviético (economia planificada comandada por um Estado centralizador que eliminou o mercado e a iniciativa privada) era uma forma factível de socialismo.Na verdade, como foi a única tentativa de realizar o socialismo na prática, seu fracasso desencorajou os socialistas como um todo - embora a maior parte deles tenha sido crítico do sistema soviético. Entretanto as raízes da crise da esquerda retrocedem ainda mais. Ela ainda não chegou ao fim, mas o colapso do capitalismo financeiro global em 2008-9 -que foi uma espécie de queda do Muro de Berlim para a ideologia neoliberal, oferece uma chance de reabrir as perspectivas para a esquerda. Mas, espera-se, que numa base mais realista do que no passado.
(Fonte:INTERNET)

3 comentários:

Sandra Botelho disse...

Vou te dizer uma coisa.
Meu filho fez um trabalho todinho tirado daqui do teu blog.
Obrigado viu...
òtimo e viva a queda do muro.
Bjos no coração!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Muito obrigado por ter trazido até nós esta entrevista. Oportuna, contundente e, sobretudo, muito esclarecedora..

Nes disse...

Hola Manuela, un traballo moi bon sobre a caida do muro, eu penso que por desgracia hay moitos mais muros ainda de pe, desexo velos caer todos, por suposto non me refiro soamentea muros arquitetonicos, sin non tamen os da cultura, igaldade, derietos e outros moitos que hay polo mundo adiante, un saudo.