«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 28 de novembro de 2009

OFÍCIO DE VIVER - CESARE PAVESE



Cesare Pavese, escritor, poeta e militante político, nasceu em 1908 e suicidou-se em 1950. A sua tese de licenciatura versou Walt Whitman e continuou a interessar-se e a publicar estudos sobre literatura norte-americana clássica e contemporânea.

Em 1935, na Itália de Benito Mussolini, foi condenado a três anos de prisão, pelas suas ideias antifascistas. Só nos anos de 1940 conquistou o reconhecimento internacional, como romancista. Os principais temas tratados por este escritor reflectem processos sociais num quadro de convivência entre a cultura rural e a urbana, assim como entre o proletariado e a burguesia. No ano em que se suicidou tinha aderido ao Partido Comunista.

De Cesare Pavese, fui lendo alguns romances, de uma colecção de bolso, que me permitiu conhecer vários escritores e que depois podia dar ou não apetência para aprofundamento de certas obras. Há uns anos atrás investia-se muito mais no livro de bolso, um livrinho ideal, de companhia constante, para ir lendo em qualquer sítio.

De Pavese li: A Guitarra Quebrada ,O Verão e Fogo Grande, mas o livro mais marcante para mim, foi OFÍCIO DE VIVER, um diário póstumo.


Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuoso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza. Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada. Basta, portanto.

3 comentários:

Me Barboza disse...

Manuela, adorei o texto fiquei muito curiosa pois nunca li nada deste autor. Agora é só uma questão de tempo. Obrigada pela dica!
Abraços...

G I L B E R T O disse...

Manuela

anotado a dica também!

vou procurar ler alguma coisa do Cesare!

Abraços!

Fatima disse...

Manuela, primeiramente obrigada pela sua estada em nosso blog, seja bem vina.
Confesso gostar muito de poesias, falas poéticas, mas não sou conhecedora da literatua escrita ou falada, apenas da vivida...
Senti sensibilidade em suas postagens, vou vir te ver sempre.
Abraço muito afetuoso.