«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PINTURA DE PAULA REGO

PAULA REGO



Os críticos consideram que a pintura de Paula Rego reflecte a escola britânica, consequência natural do país onde estudou, mas que há em Paula Rego uma essência simbólica portuguesa, tudo aquilo que foi absorvendo em criança, uma curiosidade que perdura na sua forma de expressão. Hoje Paula Rego tem 70 anos, goza de grande prestígio e foi considerada em Inglaterra, como um dos melhores pintores vivos do mundo. É uma pessoa simples, movendo-se de forma inibida, perante tantos elogios, homenagens e prémios, mas não está cativa a nada, pinta o que lhe apetece, usa a pintura para fazer a sua catharzis. A sua pintura motiva muita reflexão/interpretação. Nos seus quadros nada está ali por acaso, não procura o belo, as personagens são pessoas vulgares, grotescas e rudes. Pessoas de carne e osso, onde destaca com força criativa, os aspectos mais insondáveis da complexidade humana. Os seus quadros transmitem perturbação, emoção, mistério…Numa exposição, não se deixa um quadro de ânimo fácil, para avançar para outro, quantas vezes se retorna, para observar melhor a «história» que é contada e até onde ela quer chegar. O seu olhar o mundo é muito pessoal, uma visão profunda de dissecação e crítica.
A temática das suas pinturas, são uma tomada de posição face ao mundo, são os olhos de uma criança, que dizem o que é mau sem contemplações, como só uma criança pode dizer. Temas como a guerra, o aborto, a igreja, a vida social e familiar e outros, têm sido escalpelados realisticamente.
Pinta as histórias que vai buscar, aos livros, como por exemplo: Triunfo dos Porcos, de George Orwell, a Metamorfose, de Kafka, O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, As Criadas, de Genet, Nursery Rhymes, baseada em histórias de um livro homónimo, de autor desconhecido, The Children's Crusade e outras.

domingo, 29 de novembro de 2009

AMORE MIO (MARTA SOFIA)...


ACEITEI O DESAFIO DE VÁRIOS BLOGUEIROS

A PROPOSTA É DIZER UM POUCO DE MIM EM 5 PERGUNTAS

1 - EU JÁ...fui muito céptica.
2 - EU NUNCA...vou deixar de acreditar.
3 - EU SEI...que é preciso acreditar.
4 - EU QUERO...acreditar.
5 - EU SONHO...que todos devem acreditar.

NA LUTA PACÍFICA PELA PAZ

OSCAR DA SILVA



Deste mesmo compositor é muita conhecida a sonata «SAUDADE»

sábado, 28 de novembro de 2009


Douglas, Tom e Charlie vinham a arfar pela rua sem sombra.— Tom, conta-me agora a verdade.— Mas qual verdade?— Que foi que aconteceu aos fins felizes?— Estão a dá-los nas matinées dos sábados.— Sim, mas e na vida?— Tudo o que sei é que me sinto bem ao ir para a cama à noite, Doug. É um fim feliz, uma vez ao dia. Na manhã seguinte, acordo e pode ser que as coisas corram mal. Mas basta-me lembrar-me de que à noite irei para a cama e que só por eu estar deitado um bocado tudo ficará bem.— Estou a falar do Sr. Forrester e da Sr.a Loomis.— Não podemos fazer nada; ela está morta.— Bem sei! Mas não achas que houve uma pessoa que cometeu um erro naquilo?— Queres dizer o facto de ele pensar que ela tinha a idade do retrato quando, na verdade, já tinha um milhão de milhões de anos? Não, senhor, acho que estava muito certo!— Muito certo porquê, que diabo?— Nestes últimos dias, o Sr. Forrester contou-me alguma coisa agora, alguma coisa depois e eu acabei por juntar tudo... eh rapaz, o que eu chorei... Nem mesmo sei porquê. Não ia modificar as coisas nem um bocadinho. Se as modificássemos, de que haveríamos nós de falar? De nada. E além disso eu gosto de chorar. Depois de chorar um bom pedaço, é como se fosse manhã outra vez, começo o dia novamente.— Agora já ouvi tudo.— Mas a gente não confessa que gosta de chorar. Ora nós choramos um bocado e logo tudo se compõe. Aí está o teu fim feliz. Ficas em condições de voltar cá para fora e andar outra vez por aí com os outros. E isso é o princípio de sabe-se lá o quê! De modo que agora o Sr. Forrester vai pensar em tudo muito bem e vai ver que não há outro remédio senão um bom choro para depois olhar à sua volta e perceber que é outra vez manhã mesmo que já sejam cinco horas da tarde.— Isso a mim não me parece um fim feliz.— Uma boa noite de sono ou dez minutos de choro ou uma boa dose de gelado de chocolate, ou as três coisas juntas, são bons remédios, Doug. Quem to diz é o Dr. Tom Spaulding.
(Ray Bradbury, in A Cidade Fantástica)

OLÁ PETER PAN!...

Estás a ver, já aqui moras!..Não podias deixar de estar aqui!...

OFÍCIO DE VIVER - CESARE PAVESE



Cesare Pavese, escritor, poeta e militante político, nasceu em 1908 e suicidou-se em 1950. A sua tese de licenciatura versou Walt Whitman e continuou a interessar-se e a publicar estudos sobre literatura norte-americana clássica e contemporânea.

Em 1935, na Itália de Benito Mussolini, foi condenado a três anos de prisão, pelas suas ideias antifascistas. Só nos anos de 1940 conquistou o reconhecimento internacional, como romancista. Os principais temas tratados por este escritor reflectem processos sociais num quadro de convivência entre a cultura rural e a urbana, assim como entre o proletariado e a burguesia. No ano em que se suicidou tinha aderido ao Partido Comunista.

De Cesare Pavese, fui lendo alguns romances, de uma colecção de bolso, que me permitiu conhecer vários escritores e que depois podia dar ou não apetência para aprofundamento de certas obras. Há uns anos atrás investia-se muito mais no livro de bolso, um livrinho ideal, de companhia constante, para ir lendo em qualquer sítio.

De Pavese li: A Guitarra Quebrada ,O Verão e Fogo Grande, mas o livro mais marcante para mim, foi OFÍCIO DE VIVER, um diário póstumo.


Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuoso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza. Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada. Basta, portanto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O LIVRO DO DESASSOSSEGO - BERNARDO SOARES

Bernando Soares visto por Fernando Pessoa
« Há em Lisboa um pequeno numero de restaurantes ou casas de pasto em que , sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de villa sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem-se typos curiosos, cara sem interesse, uma série de apartes na vida.O desejo de socego e a conveniência dos preços levaram-me, em período da minha vida, a ser frequente em uma sobreloja d’essas.Succedia que quando calhava jantar pelas sete horas quasi sempre encontrava um individuo cujo aspecto, não me interessando a principio, pouco a pouco passou a interessar-me.Era um homem que aparentava trinta anos, magro, mais alto que baixo, curvado exageradamente quando sentado, mas menos quando em pé, vestido com um certo desleixo não inteiramente desleixado. Na face pállida e sem interesse de feições um ar de soffrimento não acrescentava interesse, e era diffícil definir que espécie de soffrimento esse ar indicava – parecia indicar vários, privações, angustias, e aquele sofrimento que nasce da indifferença que provem de ter soffrido muito.Jantava sempre pouco, e acabava fumando tabaco de onça. Reparava extraordinariamente para as pessoas que estavam, não suspeitosamente, mas com um interesse especial; mas não as observava como que prescrutando-as, mas como que interessando-se por elas sem querer fixar-lhes as feições ou detalhar-lhes as manifestações de feitio. Foi esse traço curioso que primeiro me deu interesse por ele.Passei a vel-o melhor. Verifiquei que um certo ar de intelligencia animava de certo modo o incerto as suas feições. Mas o abatimento, a estagnação da angustia fria, cobria tão regularmente o seu aspecto que era difícil descortinar outro traço além d’esse.Soube incidentalmente, por um creadro do restaurante, que era empregado de commercio, numa casa alli perto.Um dia houve um acontecimento na rua, por baixo das janellas – uma scena de pugilato entre dois indivíduos. Os que estavam na sobreloja correram às janellas, e eu também, e também o individuo de quem fallo.Troquei com elle uma phrase casual, e elle respondeu no mesmo tom. A sua voz era baça e tremula, como a das creaturas que não esperam nada, porque é perfeitamente inútil esperar. Mas era porventura absurdo dar esse relevo ao meu collega vespertino de restaurante.Não sei porquê, passámos a cumprimentarmo-nos desde esse dia. Um dia qualquer, que nos appoximara talvez a circumstancia absurda de coincidir virmos ambos jantar as nove e meia, entrámos em uma conversa casual. A certa altura elle perguntou-me se eu escrevia. Respondi que sim. Fallei-lhe da revista “Orpheu” que havia pouco apparecera. Elle elogiou-a bastante, e eu então pasmei deveras. Permitti-me observar-lhe que estranhava, porque a arte dos que escrevem a “Orpheu” soe ser para poucos.Elle disse-me que talvez fosse dos poucos. De resto, accrescentou, essa arte não lhe trouxera propriamente novidade: e timidamente observou que, não tendo para onde ir nem que fazer, nem amigos que visitasse, nem interesse em ler livros, soía gastar as suas noites, no seu quarto alugado, escrevendo também. »
Fernando Pessoa

Para ler «O Livro do Desassossego vá ao site.
http://adcliteratura.com.sapo.pt/Livro_do_Desassossego.htm


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ANTONIO SKÁRMETA

Ontem li uma entrevista de Skármeta, que veio a Lisboa e brevemente tenciona ficar nesta cidade uns tempos, para escrever um romance. Nessa entrevista, fatalmente tinha que ser referido o seu livro de grande êxito, O Carteiro de Pablo Neruda.
--------------------
-Não o enfastia que, O Carteiro de Pablo Neruda, lhe ande sempre colado?
-Não, que maravilha!?...
-Mas a sua obra é muito maior!
-É, mas O Carteiro está traduzido em 30 idiomas, em muitos países ensina-se nas escolas e universidades, foi levado ao cinema por Michael Radford, foi nomeado para 5 Óscares e foi um sucesso mundial. Tenho um grande amor por este livro, nenhum outro compete, mas sim acompanha-o e agradece. Sobre o Carteiro, vai ser feita uma ópera, para estrear em Setembro de 2010 em Los Angeles, com Plácido Domingo a interpretar Neruda, mas também há uns artistas ingleses, que fizeram um musical com canções do Carteiro. O Carteiro continua a reinventar-se.

Primeiro vi o filme e depois li o livro, considero que neste caso um não desmerece o outro, mas penso que é sempre melhor ver primeiro o filme e depois ler o livro, porque impede a visão imaginativa, sobre personagens, locais, ambientes...que um leitor cria, mas também é de considerar se um livro que é adaptado ao cinema, foi bem conseguido.
Como além do Carteiro, não conheço mais nada deste escritor, fui assim como que «coscuvilhar» a vida dele, no aspecto de escritor e tive surpresas.
------------
Esteban Antonio Skármeta Branicic nasceu em 1940 em Antofagasta, Chile, descendente de croatas. Skármeta estudou Filosofia e Literatura. Os seus estudos de filosofia foram realizados sob a direcção de Francisco Soler Grima, um filósofo alemão, discípulo de Julián Marías e de José Ortega y Gasset. Seguindo a linha de Soler, interessou-se pelas filosofias de Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Martin Heidegger. Graduou-se na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
Foi membro do Movimento de Acção Popular e Unitária (MAPU). Em 1969 foi premiado em Havana, com o Prémio Casa das Américas, pelo livro de relatos, Desnudo en el tejado.
No ano de 1973 foi professor de literatura na Universidade do Chile, e director teatral. Produziu um filme sobre a Unidade Popular com o director alemão Peter Lilienthal. Devido ao golpe militar no Chile, teve que sair do país em companhia do cineasta Raúl Ruiz. A primeira escala foi a Argentina, onde residiu durante um ano. Foi ali que publicou o seu livro de relatos, Tiro libre. Depois partiu rumo a Alemanha Ocidental onde se dedicou ao cinema. Trabalhou como professor na Academia Alemã de Cinema e Televisão, em Berlim Ocidental.
Na Alemanha escreveu a história de, O Carteiro de Pablo Neruda. Em 1989 regressou ao Chile após o longo exílio de 16 anos.
Em 1994 estreou a versão cinematográfica de, O Carteiro de Pablo Neruda, no Festival de Veneza. O filme dirigido por Michael Radford e protagonizado por Massimo Troisi, obteve cinco indicações para o Óscar.
Em 1996 recebeu o Prémio Internacional de Literatura Bocaccio pelo seu livro, No pasó nada. No ano de 1999 ganhou o Premio Altazor graças à publicação de, La boda del poeta, que também conquistou o Prémio Grinzane Cavour.
Em 2000 foi nomeado Embaixador do Chile na Alemanha, cargo que exerceria até 2003. Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Llibreter pela edição ilustrada do seu relato, La composición. No ano de 2001 recebeu o Prémio Grinzane Cavour pelo livro, La boda del poeta.
Em 2003 obteve o Prémio Unesco de Literatura Infantil e Juvenil em prol da Tolerância, com o livro, La redacción. Em Outubro desse mesmo ano, sob pseudónimo de María Tornés, Antonio Skármeta recebeu o Prémio Planeta, pela obra El baile de la victoria (O Baile da Vitória) e no ano seguinte, pelo mesmo romance, ganhou o Prémio Municipal de Literatura de Santiago do Chile.
Em 2006, recebeu o "Prémio Internazionale Ennio Flaiano" pelo "valor cultural e artístico da sua obra", em particular pelo romance, El baile de la Victoria.

O CARTEIRO DE PABLO NERUDA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

OUÇAM, VEJAM...É UM ESPECTÁCULO!?...

SNOOPY, PETRUSKA, PRETO...ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO!

O Snoopy, era um rafeiro muito giro, que veio cá para casa, porque o meu filho, quando chegava a altura das prendas e lhe perguntávamos: Pedro o que é que queres de prenda? Ele sempre dizia, um cão! Até que um dia uma amiga mostrou-me uns cãozinhos que tinham nascido e eu apaixonei-me por esta fofura muito branquinha e levei-o comigo. O meu filho delirou, a minha filha, que era mais pequenita teve um certo receio, mas depois já dizia que o cão não era dele, era dela! Este cão viveu connosco 14 anos, fazia férias connosco. Quando íamos para a praia e sempre gostamos de praias muito isoladas, ele era o primeiro a chegar ao mar, adorava também brincar na neve e correr pelo campo, enfim um companheiro ideal para tudo.
Esta gata, está cá em casa há 1o anos, depois do cão ter morrido, o que deu choro geral cá em casa, eu estive numa indecisão, querendo e não querendo outro cão e acabei por ter uma gata, que o meu filho de surpresa trouxe no dia da mãe. A Petruska é um poço de mimo do Papi, onde ele está, está ela e o seu poiso principal é deitada nos joelhos do Papi, a mim está sempre pronta a deitar-me a unha!...


Este gato, que simplesmente se chama PRETO, tem sido uma boa companhia, mas também um prodigioso amigo da «asneirada»!
Tenho este gato há três anos. O meu filho viu-o pequenino na rua, uma rua de grande movimento e levou-o para casa dele e não foi o primeiro! Em casa tinha sempre a janela das traseiras aberta e os que queriam ir à vida, iam. O PRETO nunca foi. Quando o meu filho teve que ir para fora, a Mami teve que ficar com o bichano e o bichano adoptou a Mami. Só que houve bastante reboliço cá em casa, por causa da Petruska, que ficou com um ataque de terror, roncando e bufando de uma maneira, que eu desconhecia completamente. Durante um mês estiveram separados, só se viam através da porta que dá para a lavandaria, depois aos poucos e poucos, fomos tentando juntá-los. Agora vivem juntos, mas a uma distância respeitosa, não são raras as perseguições e a «bofetada» entre eles, sem consequências, claro!
O Preto tem a mania que é «bibelot» e apesar de eu dar com o jornal na parede, para lhe mostrar que não quero que vá para cima dos móveis, ele sai, mas depois volta. Só que às vezes é um grande trapalhão e lá parte alguma coisa.



Outra mania do PRETO, é o computador, principalmente quando estou a teclar. Vem de mansinho, observa e começa a passear na secretária de um lado para o outro, acabando por se deitar em cima do teclado, estragando aquilo que estou a fazer. Ralho com ele, várias vezes até que lá vai ele deitar-se no sofá.


Estes bichanos, acabam por ser muito acarinhados, fazem parte da nossa vida e um dia vamos sentir-lhes bem a falta!..
Cá por casa, por causa dos meus filhos, já passaram pássaros, peixes, hamsters, tartarugas pequeninas e até um coelho.

TERCEIRO SEXO!?...

A Índia motiva-me um misto de fascínio, mistério e receio, pelo que tenho lido sobre este país.
No mundo complexo da Índia há mais de um milhão de hijras, pessoas que cabem nas categorias de transexual, eunuco ou hermafrodita. Precisamente este é o único país que já permite aos cidadãos declarar, por exemplo no passaporte, que o seu sexo é «outro», o «terceiro sexo».

Estas pessoas estavam impedidas de exercer o seu direito de voto e de concorrer a eleições, mas a Comissão Eleitoral acabou por lhes reconhecer esses direitos.
Há situações que eu condeno: marginalizar e estigmatizar pessoas pela sua orientação sexual, mas por outro lado tenho que confessar que considero ridículas exibições da vida privada, que me parecem uma provocação, para uma sociedade, que hipocritamente dizendo-se tolerante, ainda faz muita «chacota» destas situações. Será que eu ainda ando pelas «públicas virtudes, vícios privados»? Mas isto também é uma grande hipocrisia ou resquícios de uma moralidade católica, que parece que lá no fundo ainda vem imiscuir-se no «parecer» e que eu estou sempre a combater.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender como dançar na chuva!...

ESPELHO - SYLVIA PLATH

(PICASSO)



ESPELHO


Sou prateado e exacto. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro
-O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada.
Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam toda hora.


Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e as reflicto fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Se ergue em direcção a ela dia após dia, como um peixe terrível.


MIRROR


I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, just truthful
-The eye of a little god, four cournered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.


Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.

domingo, 22 de novembro de 2009

AINDA A LER LOU ANDREAS-SALOMÉ...

DE: Lou Andreas-Salomé

Il me semble t’avoir attendu
depuis l’enfance
et mes pensées,
dans cette muette attente,
respiraient le défi et la peine.
Tu es venu, et ton pas m’a captivée,
comme vous captive un rêve.
Je t’ai vu, et l’arme m’a doucementé
chappé des mains.
Et lorsque ta voix m’a appelée
la peine et le défi s’en sont allés.
Je t’ai vu, et devant toi
ma nuque raide a plié.
Qui es-tu pour d’une telle puissance
unir mon cœur au tien?
Il me semble que plus d’une nuit
mes pleurs en rêve t’ont appelé.
Tu réveilles, je crois,un écho du pays dans mon cœur,
Je jubile et tremble,comme si j’avais contemplé Dieu.



HINO Á MORTE
No dia em que eu estiver no meu leito de morte
Faísca que se apagou -,
Acaricia ainda uma vez meus cabelos
Com tua mão bem-amada
Antes que devolvam à terra
O que deve voltar à terra,

Pousa sobre minha boca que amaste
Ainda um beijo.
Mas não esqueças: no esquife estrangeiro
Eu só repouso em aparência
Porque em ti minha vida se refugiou
E agora sou toda tua.

sábado, 21 de novembro de 2009

LOU ANDREAS-SALOMÉ

Fizeram-me um desafio, para colaborar num trabalho sobre mulheres fora de série e existem aqueles nomes muito badalados. Acontece que eu fui para a cama a pensar nisso e acabei por adormecer. Acordei às 4 da manhã, o sono não vinha e voltei à minha busca mental, de repente surgiram-me dois nomes: Margarete Buber-Neumann e Lou Andreas-Salomé. Fiquei na cama a dar voltas, até que voltei a adormecer. Logo ao acordar lembrei-me da Lou e depois de ter tomado o pequeno-almoço, fui buscar o livro e com alguns intervalos, estou a passar uma rica tarde com a Lou Andreas-Salomé.


"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
"No mais profundo de si mesmo, o nosso ser
rebela-se em absoluto contra todos os limites.
Os limites físicos são-nos tão insuportáveis quanto
os limites do que nos é psiquicamente possível:
não fazem verdadeiramente parte de nós.
Circunscrevem-nos mais estreitamente do que desejaríamos.
Lou Andréas-Salomé

EXCLUIR, PARA NÃO EXCLUIR!...

É estranho este título? Vamos aos factos: foi criada em Darque, Viana do Castelo, uma sala de aula só para ser frequentada por meninas ciganas, que segundo a sua tradição, abandonam a escola findo o 1º. Ciclo. A sala fica muito próxima do sítio onde habitam, de comum acordo com os pais. O Coordenador Regional, disse que esta foi uma boa medida, para combater o abandono escolar. O corpo docente maioritariamente também é formado por mulheres. Consideram esta uma situação de sucesso, assim como outra similar em Beja.
Para mim isto de facto faz-me bastante confusão e podia discorrer bastante sobre este assunto, fico-me só pelo insólito, questionando-me:
A EXCLUSÃO PODE SER UMA MANEIRA DE NÃO EXCLUIR?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UMA DAQUELAS MÚSICAS PARA SACUDIR...




Ainda me faz sacudir...quantos dos nossos bons momentos estão ligados à música!...
Esta música é para quebrar a minha tendência em abordar este mundo tão complexo em que vivemos!...

O SONHO


O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos?
Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
ao que é do dia-a-dia.
Chegamos?
Não chegamos?
-Partimos.
Vamos.
Somos.

Sebastião da Gama

SIDA NA ÁFRICA DO SUL

O VIH, afecta na África do Sul, 18,1 por cento da população adulta, 5,7 milhões de pessoas com mais de 15 anos. Destas, 3,2 milhões são mulheres. Bebés e crianças com menos de 14 anos, ascendem a 280 mil. UNAIDS (Programa das Nações Unidas Contra a Sida), avança, ainda com outros números: 350 mil mortes por ano, 1,8 milhões desde o inicio da infecção e 1,4 milhões de crianças órfãs.
À volta das cidades há as townschip, aglomerados imensos feitos de contentores e de barracas de chapa de zinco, são as informal houses, onde vive grande parte da população negra e a maioria dos migrantes, que chegaram á procura de situações melhores. Uma miragem! Naquelas comunidades o quotidiano das pessoas é pobreza, desemprego, iliteracia. Condições ideais para a transmissão do VIH, que nestes locais ronda os 50 por cento.
As pessoas com HIV, não assumem a sua doença, porque são repudiadas pela comunidade, que lhes vira as costas. Mesmo as crianças são rejeitadas. Pela ignorância, preconceito, temor as pessoas com a doença fazem tratamentos à base da medicina tradicional. Muitas mulheres sabem que têm a doença, quando ficam grávidas, mas não querem dizer aos seus companheiros, para não serem rejeitadas, quando foram eles que as contaminam. A situação tornou-se numa pandemia, na faixa dos 15/24 anos, muitos jovens já contraíram a doença, porque que começam a actividade sexual muito cedo.
Outro grande problema é a assistência. A África do Sul é o país mais desenvolvido do continente, mas a medicação só chega a 28 por cento dos doentes. Sem acesso encontram-se 1,7 milhões de pessoas. Números que assustam, mas segundo a UNAIDS, já foram piores, no país que regista a maior pandemia do mundo (em número de pessoas infectadas), o combate à infecção começa a dar os primeiros sinais de abrandamento, porque o governo foi obrigado a olhar de outra maneira o problema e pela colaboração de várias ONGs.


Relativamente às crianças, as avós têm tido um papel de relevo, enfrentando a responsabilidade de criar os seus netos órfãos, muitos deles que já nasceram com sida. Mulheres que são consideradas umas heroínas, porque já tiveram uma vida de sofrimento com a exclusão, devido ao «apartheid».

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A ANJA - DE JOSÉ RODRIGUES


Esta estátua, foi roubada da PR. de Lisboa, em 2006. As investigações fizeram-se, mas no final do julgamento, ocorrido há dias, só foi condenado o sucateiro a quem foi vendida a estátua de 350 quilos, cortada aos bocados, por 118 euros. Depois este vendeu-a a uma empresa de metais por 796 euros, a 2,25 euros o quilo. A Câmara avaliou a obra em 200 mil euros.
O sucateiro foi condenado a pena de prisão de 4 meses, por já ter também antecedentes.
A Associação de Amigos da Praça do Anjo, colocou uma lápide no local, na qual se lê:
«Em eterna lembrança d’Anja, que o poder esqueceu e a incúria levou numa qualquer noite de Dezembro de 2006».

ESTÁTUA DE D.PEDRO TEM 143 ANOS

D. Pedro I, era mal visto pelos brasileiros, que o consideram um déspota arbitrário e absolutista. Esta visão, foi fruto da propaganda dos liberais federalistas e depois pelos republicanos para desacreditarem o período monárquico brasileiro. Tal quadro só se modificou somente na década de 1950, quando o historiador Otávio Tarquínio de Souza lançou em 1952 a obra biográfica "A vida de D. Pedro I".
D. Pedro quando abdicou em 1831, mas deixou o Brasil como a maior potência latino-americana, enquanto as demais nações republicanas da América Latina sofriam com intermináveis guerras civis e golpes de Estado, em disputa pelo poder. Havia plena liberdade de imprensa, respeito pelas garantias individuais e eleições. A Constituição promulgada em 1824 sofreu uma única grande modificação em 1834 e perdurou até ser extinta em 1889, era a terceira mais antiga ainda em vigor no mundo. Após a revolta da Confederação do Equador em 1824 e apesar das disputas entre as facções políticas, os sete anos de reinado de D. Pedro I, foram de paz interna.

( Tenho tido conversas com brasileiros e há opiniões divergentes)


D. Pedro, em Portugal lutou pelo movimento liberal, contra o absolutismo do seu irmão D. Miguel e defendeu o constitucionalismo. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chegou aos Açores em 1832 e assumiu a regência, nomeou um Ministério e preparou uma força expedicionária para invadir Portugal.
A ascensão liberal do início do século XIX, está dentro dos acontecimentos históricos mais importantes ocorridos em Portugal. O país vivia então o dilema do absolutismo, numa tentativa de prolongar uma concepção de poder ultrapassada pelos acontecimentos e pela filosofia política dominante noutros países. Se Portugal se mantivesse arreigado ao absolutismo, duas consequências negativas teriam deprimido ainda mais o país: por um lado, um fosso civilizacional em relação ao resto da Europa e por outro, afundaria a população portuguesa num clima de obscurantismo, negando as liberdades básicas, que foram assim colocadas em cima da mesa pelos revoltosos liberais.

O CERCO DO PORTO ( UM ACONTECIMENTO QUE HONRA A CIDADE)

Dá-se o nome de Cerco do Porto, ao período compreendido, entre Julho de 1832 a Agosto de 1833, no qual as tropas liberais de D. Pedro estiveram sitiadas pelas forças fiéis a D. Miguel.
A essa heróica resistência da cidade do Porto e das tropas de D. Pedro, se deveu a vitória da causa liberal em Portugal. Entre outros, combateram no Cerco do Porto Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar.

O Porto, além de estar cercado, teve também dois novos e inesperados inimigos, que iam dizimando os sitiados que as bombas poupavam: a cólera e o tifo. Na cidade faltava tudo, o que colocava os sitiados ante a perspectiva de uma rendição pela fome. Os miguelistas, submeteram a cidade a bombardeamentos constantes. No entanto, estes ferozes bombardeamentos, em vez de desmoralizar, contribuíram para solidificar nos portuenses a sua identificação com os liberais e a sua determinação em resistir.
Depois de muitas vicissitudes, em 20 de Agosto, com a deslocação do conflito para Lisboa, foi levantado o cerco ao Porto.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A PEDRA E O HOMEM


O distraído tropeçou nela;
O bruto usou-a como projéctil;
O empreendedor, usando-a, construiu;
O camponês, cansado da lida, fez dela acento;
Para meninos foi brinquedo;
Os poetas poetizaram-na;
David com ela matou o gigante Golias;
Micheangelo dela extraiu a mais bela escultura;
E em todos os casos a diferença não estava na «pedra», mas no homem!
Não existe «pedra» no seu caminho que o homem não possa aproveitar, para o seu próprio crescimento!

POESIA MATEMÁTICA

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
ele viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides,
boca trapezóide,
corpo rectangular,
seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
Quem és tu?
indagou ele
em ânsia radical.
Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.
E ao falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
rectas, curvas, círculos e linhas sinodais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,uma unidade.
Era o triângulo,tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fracção,a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer sociedade.

MILLÔR FERNANDES

terça-feira, 17 de novembro de 2009

«CASA SER CRIANÇA» - ABRAÇO


Ajude a ABRAÇO a reconstruir a Casa Ser Criança
Envie os cabos eléctricos que não utiliza. Passe esta mensagem aos amigos.
A Abraço está a reconstruir a Casa Ser Criança, e todos podem ajudar, através do envio de cabos eléctricos que já não são utilizados e que podem ser reciclados.
Que tipo de Cabos?
Todos; telefone, computador, etc;
Como ajudar? Vá a uma estação dos CTT, peça uma embalagem solidária, coloque os cabos e selecciona a Abraço de entre as várias Instituições, e os CTT fazem-nos chegar a caixa gratuitamente;
OU
Vá a um Centro Comercial Dolce Vita, e coloca os cabos nas Casas Depósito.
[RECEBI POR EMAIL, TALVEZ DESTE MODO POSSA TER UMA DIVULGAÇÃO ACRESCIDA]

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vejo pouca televisão, há pouco para eu ver, já estou cansada de muita coisa! Tenho, no entanto o meu tempo para a televisão. Vejo o sumário das notícias e por aí já vejo «se vai ser o mesmo da mesma coisa», quanto a debates, depende do tema, concursos e telenovelas já nem passar por elas, depois entretenho-me com o «zapping» e vejo uma coisa aqui, outra ali e às vezes até dá para ficar. Onde paro mais vezes, ainda é no Mezzo, mas aí a minha concentração vai para o livro que estou a ler no momento.Ontem como queria ver a «Câmara Clara» e o Luís Sepúlveda, estive a fazer tempo, ouvindo um debate, onde estava Medina Carreira e até fui fazendo umas anotações do que dizia.
Pelo caminho, que levamos, em 2015/20 a situação vai ser muito complicada.
O português não saberá fazer escolhas se não souber a situação em que está o país, o país está a afundar-se. Os portugueses quando vão votar têm que saber, que o estão a enganar!
A corrupção é constante e não dá em nada, porque está ligada ao poder! O país está num lamaçal a nível moral, económico e político.
Os portugueses têm que escolher outra acção, outros políticos, estamos numa queda vertiginosa e os partidos existentes não têm soluções, apenas enganam as pessoas. A solução poderá passar por estes partidos, mas com outras cabeças. Com mais acção e menos palavras. Os políticos são optimistas profissionais, a clientela mantém-nos e eles mantêm a clientela!
Estamos mal há 20 anos, desde que fomos atirados para a EU, não estávamos preparados, nem nos preparamos.
Os portugueses são enganados pelos políticos e pela comunicação social. Face Oculta, Freeport, Casa Pia…não levam a nada, a comunicação social devia falar é do endividamento, 1 milhão à hora!.. Pedem dinheiro emprestado para os portugueses comerem, a dívida está sempre a crescer. Contraem-se dívidas para pagar dívidas, no exterior vão emprestando dinheiro, mas cada vez com juros maiores.
Os números propostos pelo Ministro das Finanças são impossíveis. Como consegue? Aumentando mais os impostos? Fazendo contenções em quê? Salvar o país com obras públicas é um crime, para as gerações futuras!

E DEPOIS VEIO SEPÚLVEDA

LUÍS SEPÚLVEDA – O VELHO QUE LIA ROMANCES DE AMOR, vendeu tanto como 100 ANOS DE SOLIDÃO. Um livro com preocupações ecológicas e a frescura de contar uma história. Livro que Sepúlveda dedicou a Chico Mendes, um homem com pouca cultura, mas com uma grande inteligência, que foi morto por uma causa.
A GAIVOTA E O GATO QUE A ENSINOU A VOAR, um livro para crianças, que faz os adultos pensarem muito!
Sepúlveda faz uma retrospectiva à sua vida, começou como comunista, foi para a Rússia estudar. Com ele levou um gira-discos com uma grande colecção de música rock, tornou-se muito conhecido nas festas. Um dia uma senhora convidou-o para um fim-de-semana na sua datcha e foi expulso da Rússia por causa disso, ela era mulher de um alto-funcionário. Sepúlveda teve sorte de não ter ido para a Sibéria.
Desde a morte de Che, que arrumou com o comunismo. Alinhou com o socialismo de Alhende, um socialismo tipo sueco, de Olaf Palme. A esquerda radical pretendia outras coisas, Alhende o que privatizou, que era importante para a economia do pais, pagou! Depois Alhende foi morto, Sepúlveda foi preso, sofreu torturas. Pinochet impôs uma ditadura durante 16 anos. Michelle Blanchelet, filha de um general, que foi torturado e morto, a mãe também foi torturada, ela própria esteve num campo de concentração. Tem sido uma excelente presidente, mas não se pode voltar a candidatar.
Que pensa de Obama?
Foi um triunfo a eleição de um afro-americano, foi a vitória também de Lutter King, de Malcom X, até de Kennedy…mas vai ter muitos problemas com os lobbies e a Comunicação Social, a cadeia Fox, que é fascista, já começou a atacá-lo!...

HAIKAI

Haikai (俳句, Haiku ou Haicai) é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objectividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas, e sete letras na segunda linha. Em japonês, haiku são tradicionalmente impressos em uma única linha vertical, enquanto haiku em Língua Portuguesa geralmente aparecem em três linhas, em paralelo.
O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer desse tipo de poesia, uma prática espiritual.



Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.

De que árvore florida
Chega? Não sei.
Mas é seu perfume.


O velho tanque -
Uma rã mergulha,barulho de água.





De Herberto Helder, tradutor de poesia de diversas culturas antigas:

Primeira neve:
Bastante para vergar as folhas
Dos junquilhos.

Festa das flores.
Acompanhando a mãe,
Uma criança cega.

Monte de Higashi.
Como o corpo
Sob um lençol.

Ah, o passado.
O tempo onde se acumularam
Os dias lentos.









Eugénio de Andrade, poeta que nunca se integrou em qualquer movimento literário específico, caracteriza-se pelo valor dado à palavra, à imagem, à musicalidade, aproximando-o, entre outros, do simbolismo de Camilo Pessanha. Tende a rejeitar os dualismos da cultura ocidental, representando o Homem como um ser integrado numa realidade colectiva. Surge por vezes a analogia entre as idades do homem e as estações do ano e, através de descrições ou evocações físicas, tenta versar a plenitude da vida, a pluralidade dos instantes. São muitos os poemas breves ou de versos curtos, aparentemente simples, mas de grande profundidade:

Tocar um corpo
e o ar
e a língua de neve.

Tocar a erva
mortal e verde
de cinco noites
e o mar.

Um corpo nu.
E as praias fustigadas
pelo sol e o olhar.






Albano Martins, tem-se distinguido particularmente no campo da poesia, do ensaio e da tradução. A sua obra poética caracteriza-se pelo encontro equilibrado entre a contenção (forma breve e linguagem depurada) e o poder imagético da palavra (suas inúmeras possibilidades associativas e metafóricas): “O ritmo / do universo/ cabe,/ inteiro,/ na pupila/ dum verso.” Em 1995, editou poesia haiku de sua autoria, sob o título “Com as flores do salgueiro – Homenagem a Bashô”. Aqui se transcrevem algumas composições:

Um pássaro
no ninho: uma gaiola
perfeita.

Crepúsculo. Gaivotas
em repouso velam
o cadáver do sol.

Uma concha bivalve:
borboleta do mar,
de asas fechadas.

Jogo de sedução
entre o vento e as folhas.
Prazer volátil.

Juncos em movimento.
Os cabelos da água
penteados pelo vento.

Borrão azul
na brancura da página:
o poema.

domingo, 15 de novembro de 2009

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA - RICHARD ZIMLER




RICHARD ZIMLER, tem sido um escritor, de quem tenho lido alguns livros, o primeiro foi, O Último Cabalista de Lisboa. O seu género é o romance histórico, fundamentado em muita pesquisa.
O romance mais recente do nova-iorquino residente no Porto há alguns anos, diz um crítico que se lê da noite para o dia (aliás como os outros seus romances) e intitula-se, Os Anagramas de Varsóvia, que tem uma trama sombria e muito bem conseguida à volta das mortes de crianças num bairro da capital polaca, transformada em gueto judeu pelos nazis. O autor escolheu a Varsóvia de 1940, porque foi nesse ano que quatrocentos mil judeus, forçados a abandonar as suas casas, foram «encafuados» num pequeno bairro, em minúsculos apartamentos. Um cenário sombrio, mas fértil em elementos dignos de um bom policial: mistério, traição, raiva, desespero e, sobretudo, afectos. Uma leitura boa para relaxar, de leituras que requerem mais concentração.



FRANÇOIS TRUFFAUT (1932-1984)

Depois de uma fase de «enfant terrible», consequência de não ter conhecido o seu pai biológico e ter sido rejeitado pela mãe, a sua infância e adolescência, foi marcada pela rebeldia, deliquência e internatos. ( O seu primeiro filme, 400 Golpes aborda este período da sua vida) Desistiu de estudar, viveu de expedientes e dedicou-se muito cedo ao cineclubismo, o cinema era a sua paixão, depois de uma vida difícil, foi salvo pelo escritor e crítico de cinema, André Bazin, que passou a ser o seu «mentor». Truffaut, tornou-se um autodidacta, esforçando-se por ver três filmes por dia e ler três livros por semana. Bazin introduziu-o em grupos de estudiosos do novo cinema, até que surgiram os famosos,"Cahiers du Cinéma", onde Truffaut começou a ser conhecido e suscitou muitas polémicas com os seus artigos. Dos Cahiers, faziam parte outros jovens promissores: Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette, Jean-Luc Godard, entre outros. Como crítico, François Truffaut desenvolveu a sua famosa "Politique des auteurs". Neste conceito, o filme era considerado uma produção individual, como uma canção ou um livro. Truffaut defendia que a responsabilidade sobre um filme dependia quase que exclusivamente de uma única pessoa, o realizador. Para ele, o grande representante da sua teoria, era o director Alfred Hitchcock. A "Politique des auteurs" foi a base para o surgimento de um movimento que revolucionaria o cinema francês a Nouvelle Vague, que defendia tanto a produção autoral como também uma produção intimista e de baixo custo. Truffaut começou a fazer curtas-metragens e depois foi assistente de produção de Rossellini.

Os 400 Golpes, foi um grande sucesso internacional, que inaugurou a "Nouvelle Vague". Para fazer o papel de actor principal, foi escolhido um jovem, Jean-Pierre Leaud. Com 14 anos, Leaud interpretaria Antoine Doinel, alter-ego de Truffaut. Assim como Bazin foi um pai para Truffaut, este seria o grande mentor de Leaud e foi o actor de muitos dos seus filmes.


ALGUNS DESTAQUES - Jules et Jim, é considerado uma das obras-primas do movimento. Obra sui-generis na filmografia do director. Fahrenheit 451, filme inspirado na ficção do escritor norte-americano Ray Bradbury, narra a história de uma sociedade totalitária, onde os livros foram banidos. A Noite Americana, uma das obras mais famosas de Truffaut, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de três BAFTAS. A História de Adèle H., com a actriz francesa Isabelle Adjani, foi inspirado no diário de Adèle Hugo, o filme narra a paixão ensandecida da filha do poeta francês Victor Hugo, pelo Capitão Albert Pinson. Um dos mais premiados filmes do director foi, O Último Metro.





[GRANDE PARTE DESTES FILMES, PASSARAM NO CINECLUBE DO PORTO E NO CINECLUBE DO NORTE, QUE INFELIZMENTE ESTÃO INACTIVOS E FAZEM FALTA.
UM PÓLO DA CINEMATECA NO PORTO, APESAR DE MUITO SOLICITADO, TEM SIDO ADIADO. NÃO COMPREENDO PORQUÊ JÁ QUE NA SEC, HÁ A SALA DE CINEMA DA CASA DAS ARTES, HÁ ALGUNS ANOS ENCERRADA! SITUAÇÕES INCOMPREENSÍVEIS!?...]



sábado, 14 de novembro de 2009

BIBLIOTECA DIGITAL

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL.....
A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL.
UM PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!!
Já está disponível na Internet, através do sítio http://www.wdl.org/

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta. Tem, sobre tudo, carácter patrimonial" , antecipou ontem em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes , a não ser com valor de património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas.
Entre os documentos mais antigos há alguns códices pré-colombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562, explicou Abid. Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.
Fácil de navegar Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. Os documentos estão no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS. A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações. O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registarem. Quando se faz clique sobre o endereço http://www.wdl.org/ , tem-se a sensação de tocar com as mãos a história universal do conhecimento. Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português). Os documentos, por sua parte, foram digitalizados na sua língua original. Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cómoda e minuciosa. Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de La Fontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C.. Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas: América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à activa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, a biblioteca Alexandrina do Egipto e a Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita. A estrutura da BDM foi decalcada do projecto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e actualmente contém 11 milhões de documentos em linha. Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo audiovisual. Este projecto tampouco é um simples compêndio de história em linha: é a possibilidade de aceder, intimamente e sem limite de tempo, ao exemplar sem preço, inabordável, único, que cada um alguma vez sonhou conhecer.
Alejandro del Teso Herradón Bibliotecário

RELATÓRIO ARRASA POLÍTICA DE BARRAGENS


Um relatório pedido pela Comissão Europeia a uma equipa de peritos europeus, arrasa o Programa Nacional de Barragens. O Governo desvaloriza e prepara-se para contestar.
O relatório do grupo de peritos, que terá sido elaborado por uma empresa espanhola envolvendo técnicos de vários países, incluindo um português, é do conhecimento do Ministério do Ambiente desde Julho, mas só recentemente foi revelado pela SIC.
O documento é bastante crítico em relação aos impactes que a construção das novas 10 barragens vai ter na qualidade da água dos rios portugueses e nas condições de vida sub-aquática, em especial de algumas espécies ameaçadas e migratórias como sucede, por exemplo, na bacia do Tâmega. No sumário do relatório, os peritos admitem que pode estar em causa o cumprimento da Directiva da Água (a que todos os países europeus estão obrigados até 2015) e recomenda especial atenção à Bacia do Douro, onde se concentram seis dos 10 projectos.
Os peritos consideram que as autoridades portuguesas indicaram "em termos gerais" os benefícios da construção das 10 barragens, "mas não conseguiram fazer uma comparação adequada com os benefícios da directiva da Água". Consideram que foi feita uma avaliação "muito pobre" dos impactos que estas infra-estruturas vão ter no meio aquático e criticam o facto de não terem sido considerados problemas determinantes como a alteração dos habitats, os efeitos-barreira, a movimentação dos sedimentos ou as medidas de mitigação.
Ao JN, o presidente do INAG, Orlando Borges, não nega que a construção de barragens terá impactes ambientais, mas garante que os 10 locais escolhidos (dos 25 que tinham sido seleccionados inicialmente) são os que têm "menores impactos" e em que "as contrapartidas superam em grande parte os impactes". Quanto às falhas apontadas, garante que serão avaliadas em sede dos estudos de impacte ambiental (que estão em elaboração) e que, "no limite, se houver alguma directiva ou normativa comunitária que esteja a ser violada, o projecto será corrigido ou não será feito". Segundo Orlando Borges, Portugal está a preparar uma resposta a Bruxelas, mas garantiu que "este relatório não vai mudar em nada a programação do que está estabelecido".
JN/INTERNET

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SELOS



FUI CONTEMPLADA COM ESTES DOIS SELOS, QUE MUITA SATISFAÇÃO ME DERAM, PORQUE PREMEIAM O QUE VOU COLOCANDO AQUI NO BLOGUE. AGRADEÇO TAMBÉM A TODOS QUE ME VISITAM E ME DEIXAM O INCENTIVO DOS VOSSOS COMENTÁRIOS E É PORTANTO A ESSES TODOS A QUEM VOU PASSAR OS SELOS. SE NÃO TIVEREM, SE GOSTAREM É COM O MAIOR DOS PRAZERES QUE OS OFEREÇO, PORQUE TAMBÉM É UM GRANDE PRAZER MEU, A EXISTÊNCIA DOS VOSSOS BLOGUES.


NÃO VOU AVISAR, PORTANTO QUEM PASSAR POR AQUI, LEVA!..(EI ONDE É QUE EU JÁ OUVI ISTO? AH FOI O SENHOR MINISTRO JORGE COELHO («QUEM SE METER COM O PS LEVA!»)


PARA TERMINAR UM GRANDE ABRAÇO, E




BOM-FIM-DE-SEMANA!!!...

FRIDA KALHO (1907-1954)

"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."

Aos seis anos teve poliomielite, ficando com lesões no pé direito.

''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''


Com 18 anos sofreu um grave acidente, que a deixou por muito tempo acamada, tendo que fazer várias cirurgias, foi nessas condições que começou a pintar.

''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''

"Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo."

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''
"Eu sou a desintegração."

O casamento com Diego Rivera também foi traumatizante e conflituoso, os dois tinham temperamentos fortes e casos extra-conjugais. Diego manteve um relacionamento com uma irmã de Frida, que teve filhos dele. Diego e Frida separaram-se, mas voltaram a casar. Frida engravidou várias vezes, mas devido à sua condição física, nunca levou uma gestação até ao fim.

''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.''
''Ele leva uma vida plena, sem o vazio da minha. Não tenho nada porque não o tenho.''

Frida teve que amputar uma perna.
"Espero alegre a saída e espero nunca voltar."
''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida.Vou esperar mais um pouco...''
Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar.
"Creio que o melhor é partir, ir-me e não fugir. Que tudo acabe num instante. Oxalá»
No seu atestado de óbito, como causa da sua morte, está referido «embolia pulmonar», mas a hipótese de overdose por medicamentos é muito forte.
( Isto é uma pequena síntese de uma mulher extraordinária, o destaque incide nos sofrimentos que padeceu, mas há a sua pintura, que foi reconhecida internacionalmente, a «Casa Azul» onde viveu é hoje uma casa-museu e há também a sua intervenção política, apesar das suas deficiências, foi sempre uma activa militante.)