«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 20 de abril de 2010

MANUEL ALEGRE/ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

(POEMAS:MANUEL ALEGRE - MÚSICA: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA)

CANÇÃO TÃO SIMPLES

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
.
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
.
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
.
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.
.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
.
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

http://www.youtube.com/watch?v=xyN1A2IOtbA

5 comentários:

as-nunes disse...

Como ficar indiferente a estes versos e à recordação da intensidade com que eles foram ouvidos e cantados com a intensidade dum revolucionário em plena acção. Na rua, nas fábricas, nos escritórios.

Como?!...

Abraço grande
António

Carlos Albuquerque disse...

Olá, Manuela!
Grato por partilhar connosco Manuel Alegre e Adriano.
É bom encontrá-los aqui, em mais este Abril...
Do meu quarto do hospital (ainda) envio-lhe um cravo de Abril.
Um abraço

Maria disse...

Quase em sintonia. Mas não vou alterar nada do que está programado...

Beijos, Manuela.

Glorinha L de Lion disse...

Que beleza de poemas Manu! Como teu país é sofrido tb! Assim como o meu...ao ler estes belos versos, me sinto ainda mais ligada à Portugal, nossa pátria- mãe afinal...somos todos irmãos em sangue, em sofrimento e em lágrimas, mas tb em esperança de que tudo enfim, melhore.
bjs amiga!

manuel marques disse...

Cantar Abril,obrigada pela partilha.

Beijo.