«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 30 de abril de 2010

O FADO


SEVERA - FADO - JOSÉ MALHOA

Portugal vai apresentar a candidatura de o FADO, para que o mesmo seja considerado PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE. Foram cinco anos de investigações, envolvendo dezenas de pessoas - fadistas, músicos, académicos, investigadores – que todos os dias descobriram coisas novas: partituras, discos, livros, iconografia, entrevistas, etc. Os indicadores são para já positivos e assume-se, pelos sinais informais que chegam da UNESCO, que esta candidatura está mais bem estruturada e documentada do que a do tango, que foi aceite em 2008. A resolução final só será conhecida em Setembro de 2011.
Li esta notícia e para mim o fado tem tido fases, não gostava nada, mas uma ocasião vinha de Espanha e quando chegamos a Portugal ouvi numa rádio portuguesa um fado e isso emocionou-me, fui a algumas casa de fado, depois deixei de ligar ao fado, quando morreu a Amália, comecei a ouvir os seus fados e presentemente o fado está IN, com novos cantores cheios de criatividade, mesmo cantando os antigos fados. Há um aspecto do fado que muito me agrada, são os poemas e o fado tem ido buscar grandes poetas e, depois há a belíssima guitarra portuguesa.



No artigo que li, achei interessante um anexo, em que se transcrevia um texto de Fernando Pessoa sobre o fado, que eu desconhecia completamente, até já tenho feito buscas para ver o que FP tivesse dito sobre música, mas parece-me que isso seria marginal na sua vida, quem souber mais que me corrija.
«Toda a poesia – e a canção é uma poesia ajudada – reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre, e a canção dos povos alegres é triste. O fado, porém, não é alegre nem triste. È um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar. As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e que também o abandonou. No fado os Deuses regressam, legítimos e longínquos. E, esse segundo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião
. Fernando Pessoa.




Stuart Carvalhais (1887-1961)
Introdutor da BD em Portugal, desenhador, ilustrador, fotógrafo, realizador de cinema, actor, decorador, cenógrafo, figurinista e designer gráfico.
Colaborou em vários jornais e revistas: 'Sempre fixe', 'Os Ridículos', 'Diário de Notícias', 'ABC'. Um extraordinário desenhador da Imprensa portuguesa do seu tempo e de todos os tempos, igualando os melhores artistas contemporâneos do mundo. Em 1949, os seus trabalhos valeram-lhe o Prémio Domingos Sequeira.

ALGUNS CARTAZES LIGADOS AO FADO DE STUART CARVALHAIS




quinta-feira, 29 de abril de 2010

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA - RECORDANDO DOIS MÍTICOS BAILARINOS



A PRINCESA «PETRUSKA»

Gatinha de 10 anos, muito mimadinha.

Eu até nem gostava de gatos, gostava mais de cães. Tive um rafeiro durante 14 anos, ele era doido por mim e eu doida por ele, porque ele era todo atenções e cheio de delicadezas. Se eu chorava sentava-se à minha frente a ganir, parecia até que estava a chorar, se me deitava por estar doente, lá ia ele para a minha beira. Onde eu estivesse lá estava ele. Sabia a hora a que eu chegava a casa, dizia-me a minha mãe. Se eu calçava os ténis, ficava a ladrar aos saltos para o sítio onde estava a trela, já sabia que ia passear. Se estava a ouvir música, deitava-se de papo para o ar, com os olhos meios abertos, meio fechados, parecia estar a fruir a música. Como gosto de música clássica, naquelas partes de violino «virtuosíssimas» armava uma cantoria tremenda. Íamos para a neve, lá ia ele, nas descidas em «sku» como eu, por todo o lado. Se íamos para a praia, ia prazenteiro à janela com orelhas de aviador. Íamos para as praias mais solitárias e para onde eu fosse a nadar, ia também. Enfim, como se pode esquecer um cão destes!..Todos nós gostávamos muito dele, mas ficou doente, irreversivelmente doente e como o sofrimento dele já era muito e o nosso também, a solução do veterinário foi a eutanásia. Está enterrado numa quintinha da família.Depois disto, andei não sei quanto tempo com o cheiro dele nas narinas e passado dois anos, disse ao meu filho, se queres dar-me alguma coisa no Dia da Mãe dá-me um gato. Outro cão custava-me a meter cá em casa, mas sentia a falta de um animal e assim veio a gata.

Inicialmente era pequenina, tinha piada e depois comecei a dedicar-me, mas ela é arisca e sempre preferiu o meu marido, que ultimamente é que a levava ao veterinário e da última vez disse-me: em Abril temos que levar a Petruska para ela fazer análises.
-Análises!?...
-Sim análises!.. A gata está muito gorda, só pode comer determinada comida que eu comprei e nada de extraordinários. Como está gorda precisa de fazer análises!..
Fiquei admirada, mas nem disse mais nada. A semana passada foi fazer análises e eu vi logo que ia ser «nota preta»!...

Espetaram-lhe uma agulha na veia de uma das patas, portou-se melhor que a minha filha!
Resultado: insuficiência renal, início de problemas no coração, fígado, colesterol…
Medicamentos, comida de dieta e depois a conta!..Eu olhei de soslaio e bastou!..Nem merece a pena dizer por quanto ficou esta brincadeira, é escandaloso…choca-me pensar em quem passa mal!.. Ainda falamos como eram tratados os animais antes, na soleira da porta, no quintal, a comer os restos…e agora em casa, com todas as mordomias: comidinhas especiais, bisnaga para desfazer os pelos no estômago, para cuidar dos dentes, vacinas, coisas para o pelo…caminha de boutique, heim!?...

QUEM ME DERA SER GATA!?...rsrsrsrsr....
(fografias da Marta Sofia)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

NOTÍCIAS EM SEGUNDA MÃO

Não vou fazer avaliações à qualidade deste programa, há quem goste, há quem não goste. Eu gosto do humor corrosivo, tendo por tema a política, quando é bem feito.
Considero interessante, os saltos que deu este programa, estreou-se na SIC e começou a ser transmitido às 21.15, passado um tempo a sua transmissão passou para a meia-noite e ultimamente passa à 1.20 da madrugada!..
Incomoda? Não tem audiências? É um programa falhado?
A conclusão que eu chego, é que há liberdade e não há liberdade, não existindo censura há censura e o que incomoda vai avançando pela noite dentro e desse modo limita a audiência. Há também outra forma de fazer censura, silenciando certas pessoas. Num grupo de pessoas que são mais silenciadas na televisão, temos por exemplo os cantores, os nossos grandes cantores, que têm uma carreira de décadas, com composições próprias e que fazem a sua carreira de acordo com as suas ideias e não com propósitos comerciais, esses se vão à televisão é só no 25 de Abril, que é um dia que eu recordo com muita saudade, mas também é um dia do «faz de conta».
Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Sérgio Godinho, Fausto, Manuel Freire, José Mário Branco, Jorge Palma...quando é que aparecem?
Isto seria assunto para muita conversa, mas prefiro ficar por aqui.

BUONA JORNATA...

QUI BELLOS RAGAZZOS!...

Parece que sairam de algum filme neo-realista italiano dos anos 40/50, dos filmes inesquecíveis de Robert Rosselini, Vittorio De Sica, Luchino Visconti e outros!...

terça-feira, 27 de abril de 2010

AMOR À TERRA...

MULHER CAVANDO - PISSARRO


Gosto de ler o Jornal à noite, é a primeira leitura de outras leituras e é uma fonte de inspiração, para o blogue. Ontem li uma notícia com o título «VER AS PLANTAS A CRESCER PARA AREJAR IDEIAS».
Existe um bairro social em Gaia com hortas comunitárias. Um bairro onde foram alojadas na sua maior parte pessoas idosas, que viviam em condições precárias, mas tinham o seu pequeno quintal. Ao precarismo que de facto é real, também se pode juntar, sede imobiliária, modernização urbana…



Essas pessoas foram metidas em caixas, o género de arquitectura actual, obviamente que essa mudança pode-lhe trazer melhores condições de habitabilidade, mas falta-lhes a terra, por certo também aquela comunicabilidade mais próxima. Ao desalento desta gente foi sensível a GaiaSocial, que decidiu dividir um terreno próximo em talhões. Esta decisão que foi um sucesso, vai ser praticada noutros bairros sociais. Os moradores que referencio são pessoas com reformas muito baixas, baixíssimas… de uma vida de trabalho duro e mal pago e, era do seu quintal que retiravam alguns produtos para a sua subsistência.
Laurinda, que conseguiu um talhão recentemente, estava delirante, «vou plantar couves, feijão verde, batatas, enfim tudo que couber, espero ter couves para a ceia de Natal.»
Maria da Conceição (74 anos),
«tenho feijão, penca, alhos, alface, salsa..»
José, «isto ajuda-nos, planto de tudo, até couve-flor e cebolas».
Esta decisão para além de tudo, também ocupou o tempo às pessoas e teve um efeito terapêutico.
Gostei de ter conhecimento que existem pessoas que se preocupam, que pensam nos outros e que têm ideias para dar um pouco de felicidade e incentivo de vida.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ROXO-LILÁS

ROXO, é uma cor sinistra, fúnebre, gótica, vampiresca...paixão fatal...tenho medo do roxo!...

Há até quem diga que não tem medo de nada, mas eu considero que todos as pessoas têm os seus medos. Um dos meus medos é atravessar a fronteira da «normalidade» e entrar na realidade «distorcida» ou melhor dizendo, na loucura.
Quando olhamos os «nossos loucos» com um misto de comiseração, respeito e fascínio, não podemos deixar de pensar se os loucos não seremos nós e se não são eles que estão certos, que vivem na realidade deles, marginais à violência do mundo «normal. Loucuras há muitas, com nomes clinicamente diversos. Claro que não me refiro aos loucos internados, mas aos que vivem no meio de nós, personagens misteriosas, intrigantes e desconcertantes, trágicas e irónicas.

O roxo é para mim uma cor intrigante e desconcertante, misteriosa e fatal, não prenuncia coisa boa!.. Ou são os meus olhos, que em dias de neura vêem tudo roxo?
Mas de facto é assim:

E pode ser muito pior:

Tudo que é roxo não é muito agradável…
…andou à luta ficou com um olho roxo, pior ainda, sofre de violência doméstica, ficou com um olho roxo ou o corpo todo roxo…
…a água estava tão fria que ficou roxo…
…a vida está roxa…

Só as flores, principalmente, as violetas me encantam…

Penso nas «nuances» e do roxo vou até ao lilás

O nome "lilás" é uma referência à flor do mesmo nome.


CAMPOS DE ALFAZEMA – PROVENCE (Esta planta tem uma multiplicidade de aplicações: na higiene pessoal e da casa, como aromatizante ambiental, produtos medicinais, etc…)
Sobre esta cor dizem:

O lilás é a junção da transcendência do azul e da energia do vermelho. O lilás também é muito ligado à magia e representa uma cor mística e sentimental.

Gosto de ficar a pensar no transcendente, com todo o meu cepticismo…
De ser surpreendida pela magia, encontrando o diferente no normal…
Pouco mística, por pouco crente, interessa-me o misticismo…
Uma sentimental muito contida, mas com o coração acelerado…

Para todos esta bela imagem da NATUREZA, onde todas as cores brilham e me encantam...


(BLOGAGEM COLECTIVA - IDEIA DO BLOGUE «CAFÉ COM BOLO» DA GLORINHA LION)

domingo, 25 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

No início da década de setenta mantinha-se vivo o salazarismo. Mesmo em plena Primavera Marcelista, Marcelo Caetano, que sucedeu a Salazar (em 1970, ano da morte do ditador), não destoou, não quis ou não pode! Há opiniões diversas.
Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). Nos finais de década de 1960, o regime exilava-se, num Ocidente de países em plena efervescência social e intelectual e cultivava outros ideais: defender o Império pela força das armas.
O contexto internacional era cada vez mais desfavorável ao regime. No auge da Guerra Fria, as nações dos blocos capitalista e comunista começavam a apoiar e financiar as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime, atrasou o processo de descolonização.
Os vários conflitos forçavam Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma grande parte do orçamento de Estado na administração colonial e nas despesas militares (muitos portugueses eram obrigados a combater uma guerra que não lhes dizia nada, outros exilaram-se para não ir combater). A administração das colónias custava a Portugal um pesado aumento percentual anual no seu orçamento, que contribuía para o empobrecimento da economia portuguesa e muitos tiveram que emigrar para o estrangeiro, procurando melhores condições de trabalho.
Esta situação teve um fim, no dia 24 de Abril de 1974. Às 22h 55m foi transmitida pela rádio a canção «E depois do Adeus». Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado. O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção «Grândola, Vila Morena», de José Afonso, que confirmava o golpe e marcava o início das operações.
O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada. Derrubaram os esteios do antigo regime, destituíram o Presidente da República e o Governo de Marcelo Caetano. Uma Revolução praticamente sem sangue, já que só ocorreram 4 mortos, alvejados pela PIDE.
Uma grande massa popular saudou o movimento revolucionário, o passo essencial para a Democracia. Depois viveram-se tempos agitados, mas foi extinta uma ditadura que marcou os portugueses, desde 28 de Maio de 1926 até 25 de Abril de 1974.



ALMOÇO ANUAL DE EX-COLEGAS


Como todas estamos diferentes!.. Conhecemos-nos, no ciclo preparatório, depois no secundário e partimos para a vida, umas continuaram estudos, outras foram trabalhar…estivemos uns bons anos sem nos ver, mas há uma meia dúzia de anos começamos a fazer um almoço anual de antigas colegas e já temos uma lista de perto de 200 e, o interessante é que ainda estão presentes algumas professoras, entre elas a directora de uma das escolas onde andei, pessoas já nos 80, mas muito arejadas. O primeiro almoço foi o máximo. Olhávamos umas para as outras e havia assim um muito vago conhecimento! Como te chamas, de que turmas eras? Lá íamos tacteando e reencontrando-nos. Nem todas, há malta que mudou muito!..No geral estamos todas mais gordinhas e mais loiras. São poucas, muito poucas, as que assumiram as «brancas». Leva-se velhas fotografias: estás a ver, eu estou aqui contigo!..E assim vai se reencontrando aquele mundo distante, aquela cumplicidade da vivência escolar. Eu sempre fui conhecida na escola por Manuela Tomé, assim as professoras faziam a destrinça entre as várias Manuelas e dizendo esse meu apelido, já é mais fácil, lembrarem-se de mim. Há de facto algumas inesquecíveis, é o caso da Anair, minha grande amiga e caso único na escola, porque é negrinha e nessa altura, não era nada vulgar. No almoço de hoje, também tive o prazer de reencontrar outra das minhas grandes amigas, a Conceição Rocha, uma miúda giraça, que hoje já tem algumas rugas, mas continua com aquele seu olhar azul malandro. Nós as duas, que por acaso nem fomos da mesma turma, passávamos o intervalo a trocar postais e letras das canções de Sylvie Vartan, Françoise Hardy…Tous les garçons et les filles de mon age…Enfim hoje foi um dia de nostalgias, de brincadeiras e de alegria. Para o ano há mais!....

ABRIL- ANTÓNIO MACEDO - MANUEL FREIRE


Canta canta amigo canta
vem cantar a nossa canção
tu sozinho não és nada
juntos temos o mundo na mão
Erguer a voz e cantar
viver sempre a esperar
fraqueza de quem é povo
.
Viver em casa de tábuas
à espera dum novo dia
enquanto a terra engole
a tua antiga alegria
O teu corpo é um barco
que não tem leme nem velas
a tua vida é uma casa
sem portas e sem janelas
.
Não vás ao sabor do vento
aprende a canção da esperança
vem semear tempestades
se queres colher a bonança
http://www.youtube.com/watch?v=iLiCZCYon68&feature=related


EI-LOS QUE PARTEM
Letra e música: Manuel Freire
.
Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos
.
Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados
.
Virão um dia ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia

sexta-feira, 23 de abril de 2010

BOM FIM DE SEMANA

HOJE O MEU COMPUTADOR ACORDOU MAL DISPOSTO, ESTÁ MESMO INTRATÁVEL!...

A CABANA DO PAI TOMÁS - HARRIET BEECHER STOWE

Hoje, Dia Mundial do Livro, apeteceu-me escrever sobre este livro. «A Cabana do Pai Tomás», marcou no principio da minha adolescência, a minha concepção sobre o racismo. Confesso que chorei, o livro tinha esse propósito e nesses verdes anos o meu sentido critico era inexistente. Tomás era um santo pacífico e não propriamente um herói. O livro, «A Cabana do Pai Tomás», que primeiro foi rejeitado, foi publicado em 1852. Vendeu dez mil exemplares na primeira semana nos Estados Unidos e 300.000 exemplares no primeiro ano. Na Grã-Bretanha, no primeiro ano de edição, venderia um milhão e um segundo milhão nas suas várias traduções em diversos países.
Em 1861, nas vésperas da Guerra Civil Americana (1861-1865), a autora era a mais famosa escritora do mundo e o livro atingia uns fabulosos 4,5 milhões exemplares vendidos - um número tanto mais espantoso quanto muitos dos estados do Sul dos Estados Unidos o tinham proibido, quanto havia contra ele uma intensa campanha política e os cinco milhões de escravos que integravam os 32 milhões de americanos de então eram praticamente todos analfabetos. Havia um exemplar de «A Cabana do Pai Tomás» em cada família americana não militantemente esclavagista, o que o tornava o livro mais difundido depois da Bíblia, da qual era companheiro de estante frequente.
A seguir à Guerra Civil americana, da qual é apontado como uma das causas directas (a lenda diz que Abraham Lincoln, durante uma visita de Harriet Beecher Stowe à Casa Branca, em 1862, lhe terá chamado «a pequena senhora que fez esta grande guerra»), o livro foi caindo gradualmente no esquecimento e só voltaria ao primeiro plano após a Segunda Guerra Mundial, para conquistar um lugar cativo no panteão dos «grandes romances americanos».


«A Cabana do Pai Tomás», que acordou as consciências de tantos para a iniquidade da escravatura e que teve um papel tão relevante na libertação dos escravos nos Estados Unidos seria considerado, a partir dos anos 60 (por dirigentes do movimento pelos direitos cívicos e pela emancipação dos negros americanos), como uma obra racista e perpetuadora da submissão dos negros. A razão está antes de mais no seu protagonista, Pai Tomás, que é não um líder revoltoso, como quereria o movimento negro americano, mas um mártir, dócil e piedoso, que aceita todos os castigos como penitências e que perdoa a todos os seus inimigos. Tomás é um homem passivo, que recusa a violência como forma de resistência.
É evidente que esta passividade não podia merecer a aprovação política dos militantes, da mesma forma que os retratos de negros feitos por Harriet Beecher Stowe, com toda a sua benevolência, não podiam deixar de ser denunciados como paternalistas. Mas poucos livros se podem gabar de ter tido uma tal influência na vida de tantos milhões de pessoas.

ABRIL-LOPES GRAÇA/J.G.FERREIRA/FAUSTO

MÚSICA FERNANDO-Lopes-Graça

ACORDAI

acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
.
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e cançõesas
pedras do mar
o mundo e os corações
.
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
.
Acordai!
http://www.youtube.com/watch?v=dxf7dIUiP4w&feature=related


POEMA: JOSÉ GOMES FERREIRA
















NAVEGAR, NAVEGAR
Navegar navegar
ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar
.
Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá
Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar
navegar navegar...
.
Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
.
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

(Música e letra: FAUSTO)
http://www.youtube.com/watch?v=x2D7XujdElA&feature=related

quinta-feira, 22 de abril de 2010

FOTOGRAFIAS POUCO CONHECIDAS
















PROJECTOS INTERESSANTES!...

1 - CANTAR CONTRA A SOLIDÃO
Sem-abrigo formam a orquestra, Som da Rua, que vai fazer parte do espectáculo Sonópolis, da Casa da Música
Não têm casa, trabalho, apoio familiar. Amor, carinho e companhia. Acumula-se a esses problemas complicações psíquicas devidas a patologias ou ao consumo de substâncias psicoactivas. Encontram-se felizes neste colectivo.
Tudo isto nasceu por iniciativa do serviço Educativo da Casa da Música, em estreita colaboração com as instituições de apoio social: SAOM, Centro Social da Vitória, Associação de Albergues Nocturnos e Clínica do Outeiro. Os organizadores consideram que isto lhes dá entusiasmo e valorização, que é aquilo que eles mais precisam.


2 – PROJECTO ORQUESTRA GERAÇÃO (Escola Miguel Torga - Amadora)
Projecto de intervenção social integrado num programa mais abrangente - Geração Oportunidades -, que usa a música como uma ferramenta para fixar as crianças na escola e desse modo combater o abandono escolar precoce. Projecto importado da Venezuela, tendo à frente o maestro Juan Carlos Maggiorani e que foi apoiado pela Câmara Municipal da Amadora, Fundação Calouste Gulbenkian e Escola de Música do Conservatório Nacional
Este projecto contempla miúdos do bairro, O Casal da Boba, marcado pela exclusão social, sendo a maioria dos seus habitantes cabo-verdianos. Neste bairro prolifera o desemprego ou salários baixos e situações de ilegalidade, por falta de documentação e todos os outros problemas conhecidos.
Os miúdos sabem tocar Bach, Elgar, Schumann, Schubert, Mozart…Já tocaram para grandes audiências, em importantes salas de espectáculo, no país e no estrangeiro. A Rainha da Jordânia, em deslocação oficial a Portugal, foi de propósito à escola ouvi-los. A música dá-lhes auto-estima e um sentimento de dignidade e orgulho

ABRIL - PEDRO BARROSO/SÉRGIO GODINHO

CANTAREI

Vivi povo e multidão
sofri ventos sofri mares
passei sede e solidão
muitos lugares
sofri países sem jeito
p'ró meu jeito de cantar
mordi penas no meu peito
e ouvi braços a gritar
e depois vivi o tempo
em que o tempo não chegava
para se dizer o tanto
que há tanto tempo se calava
vivi explosões de alegria
fiz-me andarilho a cantar
cantei noite cantei dia
canções do meu inventar
.
cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar
.
Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza
hoje restam-me os abraços
nesta pátria viajada
dos que moram mesmo longe
a tantos dias de jornada
dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia
por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes
.
cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar
LIBERDADE
Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
.
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão habitação saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir