«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 6 de outubro de 2009

MERCEDES SOSA (1935-2009) - MULTIDÃO CHORA A MORTE DE «LA NEGRA»


Entre lágrimas, aplausos e canções, uma multidão despediu-se, nas ruas de Buenos Aires da cantora Mercedes Sosa. No edifício do Congresso, "La Negra" foi velada durante 24 horas com honras reservadas às maiores personalidades da política e da cultura.
Aos acordes de "Luna tucumana" e "Solo le pido a Dios", as pessoas despediram-se da artista, cujas cinzas serão jogadas em San Miguel de Tucumán, sua cidade natal, em Buenos Aires, onde viveu a maior parte de sua vida, e ainda em Mendoza, lugar que consolidou seu projecto musical.
A sua morte ao amanhecer de domingo após vários dias de agonia, comoveu várias gerações latino-americanas, que sofreram com ditaduras nos anos 70 e 80.
Sosa levou o nome da Argentina pelos mais importantes palcos do mundo, cantou no Vaticano em 1994, trabalhou com alguns dos melhores cantores da sua época e, embora tenha impulsionado o Novo Cancioneiro e, durante toda sua vida tenha reivindicado as raízes do folclore argentino, experimentou todos os géneros.
Dividiu o palco como os mais diferentes artistas, Luciano Pavarotti, Sting, Joan Manuel Serrat, Shakira, Gal Costa, entre outros.
Proibida durante a ditadura argentina (1976-1983), Sosa conheceu a dor do exílio, em Paris e Madrid, uma experiência que a marcou e reafirmou o compromisso social na defesa da liberdade e dos direitos humanos.
A sua voz transformou em hinos os versos de Pablo Neruda, de Violeta Parra, de Víctor Jara, de Gabriela Mistral.
Gritou "Hasta la victoria siempre", "Corazón Libre" e "Gracias a la vida", em algumas ocasiões reconheceu que a sua vida foi muito boa, mas muito triste, e chegou a definir-se como uma sobrevivente de ignomínias e doenças.
Os 70 anos de carreira transformaram-na em um ícone na América Latina e o reconhecimento do público e as numerosas distinções recebidas compensaram as dificuldades sentidas, a solidão do exílio e a doença que a acompanhou durante boa parte da sua vida.

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