«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 22 de outubro de 2009

RAINER MARIA RILKE

Mexendo, em papeis velhos, para rasgar, fui encontrar este poema:

Um poema para Lou Salomé

Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te,
mesmo sem pés chegarei a ti,
mesmo sem boca poderei invocar-te
Decepa-me os braços: poderei abraçar-te
com o coração como se fosse a mão.
Arranca-me o coração: palpitarás no meu cérebro.
E se me incendiares o cérebro,
levar-te-ei ainda no meu sangue.
Rainer Maria Rilke

E revisitei RILKE
Rainer Maria Rilke (Praga, 1875 — Valmont, Suíça,1926) foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX.
Rilke possui uma obra original, marcada pelo tratamento da forma e pelas imagens inesperadas. Celebra a união transcendental do mundo e do homem, numa espécie de “espaço cósmico interior”. A sua poesia provoca uma reflexão existencialista.


SOLIDÃO
A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas sobe ao céu,
que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...

DANÇARINA ESPANHOLA
Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trémulos arrancos.
E logo ela é só flama, inteiramente.
Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com arte subtil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.
Então como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla.
Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.


OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE
Está entre os meus livros preferidos. Foi o único romance que Rilke escreveu. Os cadernos de Malte Laurids Brigge, foram escritos no período em que o autor se mudou para Paris, para redigir um trabalho sobre o amigo e escultor Auguste Rodin (1840-1917), Os cadernos de Malte Laurids Brigge reflectem algumas das experiências de Rilke na capital francesa e o contacto que travou com os artistas modernistas da época.
Ao deixar para trás a sua família e as lembranças da infância vivida num castelo no campo, o jovem dinamarquês Malte Laurids Brigge depara-se com uma Paris ao mesmo tempo fascinante e inóspita. Com ecos de, Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, Os cadernos , trazem anotações das dificuldades sentidas pela personagem, as mesmas do autor, que se mudou para Paris aos 27 anos, permanecendo na capital francesa até 1911.
Influenciado por Nietzsche e Kierkegaard, o livro, publicado em 1910, expõe o processo de desenvolvimento de Malte Laurids Brigge, tanto psicológico quanto físico. A busca pela individualidade, a tentativa de entender o significado da morte e o questionamento da religião, são algumas das angústias do personagem e do próprio autor. Influente nas gerações posteriores de escritores, Rilke despertou interesse de vários intelectuais, como por exemplo, Jean-Paul Sartre.
CARTAS A UM JOVEM POETA
Paris, Fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke (1875-1926) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe as suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX, em belas páginas de prosa.

5 comentários:

ney disse...

Manuela,
Obrigado pela visita ao meu blog, pelas palavras amigas e carinhosas. Agora estou aqui viajando no seu belo espaço, admirando seu trabalho, envolvido em interessantes textos, imagens, e na suave música. Existe uma natural magia em atravessar esse imenso mar que nos fez nações amigas, e sentir essas identidades, mesmo que assim no virtual, porque os sentimentos são reais. No real nunca sai do Brasil, nem conheço o país todo, mas deixo fluir esse sentir, essa alma, esse gostoso transcender. E nesse link estaremos a nos acompanhar na blogosfera, trocando idéias, aprendendo, somando, crescendo, interagindo nesse imenso universo. Abraço, ney.

Alexandre da Fonseca disse...

boa noite linda!! sempre bom visitar você...adorei o poema "solidão"...bjs

Elaine Barnes disse...

Vim agradecer a visita tão carinhosa através do blog do Alexandre e me deparei com muita cultura. Li tudo e não sabia nada disso. Hiper informativo e preciso disso. De cultura. Pousei aqui e ficarei . bjão nova amiga!

Sonia disse...

Amiga,vim agradecer a força!!!
Já estou de volta!
Agora é esperar para enfrentar o resto!
Uippp...!Mas eu encaro!(Risos)
Bjsss...milll

G I L B E R T O disse...

Manuela

Cartas de um jovem poeta está na fila, será o próximo livro que lerei, e anotei sua sugestão para a minha próxima compra de livros, coisa que faço habitualmente!

Amei teu blog, e fiquei feliz e honrado com tua visita em nel mezzo del cammim e, ainda mais, pelo generoso coments que me deixastes!

Vim te ver e me encantei com tua casa!
Ela (tua casa) é linda, poética, criativa, cheio de inteligencia e sensibilidade!

Virei seu fiel seguidor!

Quero, ser seu fiel amigo...

Abraços e sejas feliz, neste dia e em todos os demais!